A Lorenz, empresa do grupo GTF e maior processadora de mandioca do Brasil, projeta faturar R$ 420 milhões em 2026 e alcançar R$ 1,2 bilhão em receita até 2032. O plano de crescimento combina modernização das fábricas, novos produtos, aumento das exportações e possíveis aquisições.
A empresa chega a essa nova etapa após ampliar o faturamento de R$ 35 milhões em 2016 para R$ 385 milhões em 2025. Para este ano, a expectativa é crescer pelo menos 12% na receita e cerca de 10% no volume comercializado.
O desempenho ocorre em um momento de maior disponibilidade de mandioca no mercado brasileiro. A produtividade da cultura avançou cerca de 20% em 2026 na comparação com o mesmo período do ano anterior, aumentando a oferta de raízes destinadas ao processamento industrial.
Atualmente, a Lorenz possui quatro unidades industriais e processa aproximadamente 25 mil toneladas de mandioca por mês. A matéria-prima é transformada principalmente em amidos e ingredientes utilizados pela indústria de alimentos e em outras aplicações.
Amidos ganham novas aplicações
Parte da estratégia de expansão está concentrada no desenvolvimento de amidos especiais. A empresa trabalha com soluções destinadas a diferentes produtos, como embutidos e maioneses, além de aplicações que permitem reduzir o uso de óleo ou substituir parcialmente ingredientes de origem animal.
A mandioca também é utilizada em adesivos vegetais destinados a embalagens biodegradáveis. A diversificação amplia os mercados atendidos pela indústria e reduz a dependência de uma única aplicação para a fécula e outros derivados da raiz.
O crescimento também está ligado à demanda por ingredientes de origem vegetal e produtos com formulações consideradas mais simples. Esse movimento abre espaço para derivados da mandioca tanto no mercado brasileiro quanto no exterior.
Exportações avançam
A Lorenz atualmente exporta para mais de 40 países. Entre os mercados que registraram crescimento estão Colômbia, México, Estados Unidos, Argentina, Paraguai, Venezuela e países do Norte da África.
O mercado de embutidos está entre os principais destinos dos produtos exportados, especialmente em países da América Latina. A empresa também avalia que o aumento dos custos de produção na Europa e dos fretes provenientes de países asiáticos pode ampliar a competitividade dos amidos brasileiros.
A estratégia internacional faz parte do plano para levar a receita da empresa a R$ 1,2 bilhão até 2032. Para sustentar a expansão, a companhia prevê investimentos em modernização industrial, ampliação do portfólio e novas oportunidades de negócios, incluindo possíveis aquisições.
A empresa também mantém certificações internacionais relacionadas à qualidade, segurança dos alimentos, responsabilidade social e sustentabilidade. Entre elas estão BRC, IFS, Halal, Kosher e Smeta, exigências que facilitam o acesso a diferentes mercados.
O avanço da indústria acompanha a expansão da própria cadeia da mandioca no país. Com maior produtividade no campo e demanda por ingredientes de origem vegetal, o aumento da oferta de matéria-prima cria condições para que as indústrias ampliem o processamento e busquem novos mercados para os derivados da raiz.
