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A cadeia produtiva da laranja reúne pesquisa agrícola, indústria de sucos e mercado de frutas frescas em São Paulo. Em 2025, a atividade movimentou R$ 16,9 bilhões no estado, considerando a produção destinada ao processamento industrial e ao consumo in natura. A citricultura paulista também tem participação expressiva no abastecimento nacional e no comércio internacional de derivados da fruta.

A produção estadual é marcada pela diversidade de variedades cultivadas. Entre as mais conhecidas estão Pera, Natal, Valência e Folha Murcha, que apresentam diferenças no período de maturação e na finalidade comercial. A laranja Pera, por exemplo, tem presença importante tanto no mercado de frutas frescas quanto na fabricação de sucos.

Parte desse desenvolvimento está ligada à pesquisa realizada em Limeira, onde funciona o Centro de Citricultura Sylvio Moreira, do Instituto Agronômico (IAC). A unidade mantém estudos voltados ao melhoramento genético, ao manejo dos pomares e à sanidade das plantas, além de conservar materiais genéticos utilizados no desenvolvimento de novas cultivares.

Nos últimos três anos, o centro disponibilizou 24 novas variedades de citros. O trabalho busca ampliar as opções para os produtores e atender às diferentes demandas do mercado. A manutenção de um banco de germoplasma também contribui para preservar a diversidade genética e apoiar pesquisas destinadas a melhorar as características das plantas.

A história da citricultura paulista tem um marco em 1928, com a criação da Estação Experimental de Limeira. A unidade participou do processo de estruturação da pesquisa citrícola no estado e, em 1993, foi transformada no atual Centro de Citricultura Sylvio Moreira. O avanço da atividade também foi favorecido pela expansão dos plantios, pelo uso de mudas enxertadas e pelo desenvolvimento de técnicas de produção.

A laranja Baía é um exemplo da contribuição brasileira para a citricultura internacional. Originada de uma mutação espontânea identificada na Bahia no século XIX, a variedade foi levada para outros países e ficou conhecida nos Estados Unidos como Washington Navel. A fruta ganhou espaço no mercado de consumo fresco, e seu nome em inglês faz referência à formação semelhante a um umbigo na extremidade do fruto.

Além da produção de laranjas, a citricultura inclui frutas menos conhecidas do público, como os kumquats. Popularmente chamados de laranjas-anãs, eles não pertencem ao grupo das laranjas. Os frutos pequenos podem ser consumidos com a casca e utilizados em preparações como geleias, compotas e doces, ampliando as possibilidades de comercialização dos citros.

O desempenho econômico do setor também está ligado às exportações. Entre janeiro e setembro de 2026, as vendas externas paulistas do grupo de sucos somaram US$ 1,42 bilhão, dos quais 96% corresponderam ao suco de laranja. O resultado evidencia a importância do processamento industrial para a cadeia, que depende tanto da produção agrícola quanto da demanda internacional.

Entre os desafios enfrentados pelos citricultores está o greening, também chamado de HLB, doença associada a bactérias transmitidas pelo psilídeo, inseto que ataca as plantas cítricas. Em São Paulo, a Defesa Agropecuária fiscaliza medidas de prevenção, incluindo inspeções periódicas e o controle do inseto. As exigências para eliminar plantas com sintomas variam conforme a incidência da doença em cada município.

A combinação entre pesquisa, diversidade de variedades, controle fitossanitário e acesso aos mercados é fundamental para a continuidade da citricultura paulista. Além de contribuir para a economia estadual, a atividade sustenta a produção de frutas frescas e sucos, enquanto instituições de pesquisa trabalham para ampliar as alternativas de cultivo e enfrentar problemas que ameaçam os pomares.