Foto: Divulgação OCB

O Espírito Santo tem dois projetos entre os 30 finalistas do Prêmio SomosCoop Melhores do Ano 2026, promovido pelo Sistema OCB Nacional. A lista foi divulgada na sexta-feira (9) e inclui um projeto de inovação da Escola Cooperação, de Santa Maria de Jetibá, e uma reportagem do jornalista Bruno Faustino, exibida pela TV Tribuna. A premiação reconhece iniciativas de cooperativas e trabalhos jornalísticos relacionados ao cooperativismo.

A 15ª edição do prêmio registrou recorde de inscrições, com 839 cases nas seis categorias destinadas às cooperativas e outros 243 trabalhos na categoria Imprensa. O projeto da Escola Cooperação está entre os 18 finalistas das categorias voltadas às cooperativas, enquanto a reportagem de Faustino concorre com outros 11 trabalhos na categoria Imprensa.

Outra instituição com atuação no Espírito Santo também chegou à final. A Sicredi União RS/ES disputa a categoria Comunicação Coop com o material “113 mil vozes, uma só cooperativa: a força da participação na assembleia da Sicredi União RS/ES”.

Para o diretor-executivo do Sistema OCB/ES, Carlos André Santos de Oliveira, a presença de representantes capixabas entre os finalistas demonstra a relevância das iniciativas desenvolvidas no estado.

“Essa iniciativa do Sistema OCB Nacional dá visibilidade às boas práticas das cooperativas e aos trabalhos jornalísticos que retratam o cooperativismo. Esse reconhecimento é motivo de muito orgulho para nossa organização estadual. Sabemos que as cooperativas estão evoluindo, alcançando resultados expressivos e gerando histórias que também ganham espaço na imprensa”, afirmou.

Os vencedores serão anunciados em cerimônia marcada para 8 de dezembro.

Escola Cooperação apostou em inovação para superar crise

O projeto “Em 90 dias, da beira do fechamento à reinvenção por dados: cinco frentes de inovação cooperativa” apresenta as mudanças adotadas pela Cooperativa Educacional Centro-Serrana, responsável pela Escola Cooperação, para enfrentar uma crise e reorganizar suas atividades.

Fundada em 1993, a instituição era a única escola privada de Santa Maria de Jetibá. Em 2023, durante uma assembleia, os pais dos alunos foram informados sobre a possibilidade de fechamento da cooperativa no ano seguinte. Diante do cenário, os cooperados decidiram buscar alternativas para manter a escola em funcionamento.

Uma das primeiras medidas foi a mudança do modelo societário, de cooperativa de trabalho para cooperativa de consumo. A reorganização, porém, não se limitou à estrutura jurídica. Insatisfeitos com o sistema de ensino, os cooperados também decidiram investir em mudanças pedagógicas e administrativas.

Entre as cinco frentes de inovação está o uso de inteligência artificial e dados para acompanhar o desempenho dos estudantes. A ferramenta auxilia os professores e permite o envio de relatórios às famílias. A escola também reformulou o currículo, com iniciativas de ensino bilíngue, educação socioemocional, educação financeira e atividades voltadas à criatividade e à inovação.

As mudanças incluíram ainda a modernização da governança, o aprimoramento da gestão, a ampliação do acesso a recursos de baixo custo e o fortalecimento da intercooperação. Segundo as informações divulgadas pela cooperativa, os resultados incluem crescimento expressivo no número de alunos, aumento de 54,4% na receita e elevado índice de satisfação dos pais cooperados.

Para o diretor da escola, Charles Moura, a indicação ao prêmio reconhece um processo coletivo de transformação.

“O case apresenta mudanças realizadas em 90 dias, com decisões orientadas por dados. Esse período faz parte de uma transformação mais ampla, construída com a participação dos cooperados, do Conselho de Administração e de todos os colaboradores”, afirmou.

Moura também destacou a oportunidade de compartilhar a experiência com outras organizações. Segundo ele, representar o Espírito Santo na etapa final é motivo de orgulho e permite levar as práticas adotadas pela cooperativa educacional a outros integrantes do movimento cooperativista.

Reportagem mostra como cooperativa fortaleceu produtores de morango

Na categoria Imprensa, na subcategoria Telejornalismo, o Espírito Santo é representado pela reportagem “A história de quem planta sonhos e colhe futuro no Espírito Santo”, produzida pelo jornalista Bruno Faustino e exibida em julho de 2025 no programa Negócio Rural, à época veiculado pela TV Tribuna.

O trabalho acompanha produtores rurais especializados no cultivo de morango e associados à Cooperfruit, cooperativa localizada na região Centro-Serrana capixaba. A reportagem mostra como agricultores decidiram se unir, em 2011, para melhorar o escoamento da produção e buscar condições mais rentáveis para a comercialização da fruta.

A narrativa também aborda os efeitos da organização coletiva sobre a rotina dos cooperados. Além de contribuir para melhorias no manejo do morango, a cooperativa ajudou os produtores a modernizar propriedades e diversificar culturas. A reportagem destaca ainda os reflexos da iniciativa na comunidade, incluindo a inauguração de um supermercado.

Para Faustino, a indicação reforça a importância de contar histórias de pessoas que encontram no cooperativismo caminhos para transformar suas atividades e comunidades.

“Estar entre os finalistas com uma reportagem que valoriza o cooperativismo capixaba é motivo de muita alegria e orgulho. Minha trajetória com o cooperativismo é antiga, construída ao longo de muitos anos acompanhando pessoas que descobriram na união uma oportunidade de transformar suas vidas e comunidades. Esse é o reconhecimento de um jornalismo que acredita nas pessoas, valoriza o campo e dá voz a quem faz a diferença”, declarou.

Espírito Santo inscreveu 43 trabalhos em 2026

O desempenho capixaba na edição deste ano ocorre após a participação de cooperativas e profissionais de imprensa em outras edições da premiação. Em 2026, o estado registrou 24 cases de 14 cooperativas, além de 19 materiais jornalísticos inscritos.

O Prêmio SomosCoop Melhores do Ano é realizado a cada dois anos pelo Sistema OCB Nacional para reconhecer boas práticas de cooperativas que geram benefícios aos associados e às comunidades. Desde a edição anterior, a iniciativa também contempla trabalhos jornalísticos que dão visibilidade ao cooperativismo.

Na 14ª edição, realizada em 2024, dois jornalistas do Espírito Santo conquistaram troféus na subcategoria Telejornalismo. João Brito recebeu o ouro pela reportagem “Com o empreendedorismo, cooperativa de Domingos Martins muda a vida de produtores rurais”, enquanto Luciano Rosetti ficou em segundo lugar com a série “Elas – A Força do Espírito Santo”.

A presença capixaba entre os finalistas de 2026 reúne, assim, experiências de inovação na educação cooperativista, iniciativas de comunicação institucional e jornalismo voltado à realidade dos produtores rurais. Os vencedores serão conhecidos em dezembro.

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