Foto; Hydra Irrigações

A irrigação por gotejamento, combinada ao manejo adequado da lavoura, pode reduzir de 60 mil para 25 mil litros o consumo diário de água por hectare de café durante o verão. A diferença chega a 35 mil litros por hectare ao dia em comparação com a irrigação por aspersão, segundo estimativas do engenheiro agrônomo Elídio Torezani, diretor executivo da Hydra Irrigações.

A economia depende do sistema utilizado e do controle da quantidade de água aplicada. No gotejamento sem um manejo ajustado à necessidade das plantas, o consumo estimado é de aproximadamente 40 mil litros por hectare ao dia. Com o acompanhamento da demanda hídrica da lavoura, esse volume pode cair para cerca de 25 mil litros.

O controle permite definir a quantidade e o momento adequados para irrigar, evitando aplicações acima da necessidade das plantas. Também é importante monitorar o funcionamento dos equipamentos para identificar vazamentos, entupimentos e alterações de pressão que prejudiquem a distribuição da água.

Produtor usa gotejamento em 90 hectares de café conilon

Em São Domingos do Norte, no Espírito Santo, o produtor rural Isaac Venturim adotou a irrigação por gotejamento em toda a área de café conilon da propriedade, que soma 90 hectares. A mudança buscou melhorar a distribuição da água e tornar mais preciso o controle do consumo.

Antes da implantação do sistema, o produtor não tinha uma medição exata do volume utilizado na lavoura. A avaliação era feita principalmente pela observação das plantas, enquanto havia preocupação com a disponibilidade de água.

“Na verdade, não tínhamos a informação de quanto de água estávamos gastando. A percepção era visual e o horizonte era de insuficiência do recurso”, relata Isaac.

Com o gotejamento associado ao manejo da irrigação, a aplicação passou a considerar a necessidade diária das plantas. Segundo o produtor, a mudança permitiu ampliar a área cultivada sem elevar o consumo de água na mesma proporção.

“Com o gotejo e a gestão da irrigação, tudo mudou. Aumentamos o parque cafeeiro e temos recurso hídrico suficiente hoje”, afirma.

Manejo também influencia a produtividade

Além do controle da água, Isaac relata mudanças na rotina de trabalho da propriedade. A automatização da irrigação reduziu a necessidade de mão de obra em algumas etapas dos tratos culturais e facilitou as operações.

O produtor também associa o sistema à maior uniformidade no desenvolvimento das plantas e ao aumento da produtividade, com reflexos nos custos de produção.

Para Elídio Torezani, a eficiência depende da combinação entre tecnologia e acompanhamento da lavoura. A instalação de um sistema de irrigação, por si só, não garante economia: é necessário ajustar a aplicação às condições das plantas e verificar regularmente o funcionamento dos equipamentos.

A gestão da água também permite que o produtor conheça melhor o consumo da propriedade e identifique oportunidades de reduzir desperdícios.

“ A grande vantagem é preservar os recursos hídricos, pois sem água não conseguimos produzir”, conclui Isaac.