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A produção brasileira de soja deve alcançar 175 milhões de toneladas em 2026, alta de 5,4% em relação ao ano anterior. A estimativa de setembro do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) aponta um novo recorde da série histórica do levantamento. O resultado é atribuído, entre outros fatores, às condições climáticas favoráveis nas principais regiões produtoras e à recuperação da produtividade no Sul do país.

O volume projetado também representa uma revisão positiva em relação a agosto. Na comparação mensal, a estimativa aumentou 210,7 mil toneladas, avanço de 0,1%. Embora a variação seja pequena diante do volume total, a revisão mostra que os dados da safra continuam sendo atualizados à medida que novas informações sobre as lavouras chegam ao instituto.

A área destinada à colheita de soja cresceu 1,3% em relação a 2025. O avanço da produção, portanto, combina a ampliação da área com mudanças no rendimento das lavouras. A produtividade é um fator importante para explicar o desempenho da cultura, já que condições de chuva, temperatura e manejo interferem no desenvolvimento das plantas e na formação dos grãos.

Mato Grosso permanece na liderança da produção nacional, com estimativa de 50,7 milhões de toneladas. O volume representa crescimento de 1% na comparação anual. O estado é o principal polo sojicultor do país e tem participação expressiva no resultado nacional, acompanhado por outras unidades produtoras do Centro-Oeste e do Sul.

Mato Grosso do Sul também se destaca no levantamento, com crescimento de 19,7% em relação ao ano passado. Em Goiás, por outro lado, a produção estimada recuou 2,7%, influenciada pela queda de 3,6% no rendimento médio. Os resultados diferentes entre os estados mostram como as condições de cada região podem alterar o desempenho da safra brasileira.

No Sul, a recuperação da produção gaúcha contribui para o avanço nacional. O Rio Grande do Sul registrou crescimento de 36% em relação a 2025, segundo os dados apresentados pelo IBGE. A comparação precisa considerar a base do ano anterior, já que perdas na safra passada influenciam o tamanho da variação percentual registrada neste ano.

Outros estados tiveram revisões positivas na estimativa mensal. Na Bahia, a projeção cresceu 2,6% em relação a agosto; no Tocantins, o avanço foi de 1%; e, no Pará, de 0,1%. Em contrapartida, as estimativas foram reduzidas em Roraima, no Ceará e em Rondônia, indicando diferenças no comportamento das lavouras entre as regiões.

A soja está entre os principais produtos da agricultura brasileira e integra cadeias que abastecem a indústria de alimentos, a produção de rações e o mercado de exportação. Por isso, o volume colhido é acompanhado por produtores, cooperativas, tradings e indústrias que dependem da disponibilidade do grão para organizar compras, processamento e comercialização.

Apesar da projeção recorde, o resultado da safra não determina sozinho os preços recebidos pelos produtores. Cotações internacionais, custos de transporte, demanda, estoques e variações cambiais também influenciam a formação dos preços. A produção estimada é, portanto, um dos indicadores considerados nas decisões comerciais do setor.

Os números fazem parte da estimativa de setembro do Levantamento Sistemático da Produção Agrícola do IBGE. Como o levantamento pode ser atualizado, o volume de 175 milhões de toneladas deve ser tratado como projeção, e não como resultado definitivo da colheita de 2026

Fonte: IBGE