Uma ceia genuinamente com o agroturismo de Venda Nova do Imigrante

Fotos: Julio Huber

Texto: Bruno Faustino

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Na Itália, o Natal começa muito antes da Noite Feliz. As luzes surgem cedo, iluminando vilarejos inteiros; as famílias se reúnem em volta das mesas longas; e os aromas de massa fresca, polenta fumegante, embutidos artesanais, queijos de casca rústica, pães dourados e do vinho tomam conta de tudo. É um Natal farto, afetivo, barulhento – daquele jeito que só os italianos sabem fazer. No centro da mesa, sempre um ritual: compartilhar o que foi produzido com as próprias mãos. Ao redor dela, o que realmente importa: família, histórias, lembranças e muita comida boa.

E é curioso perceber como esse espírito cruzou o Atlântico e encontrou casa nas montanhas do Espírito Santo. Em Venda Nova do Imigrante, onde tantos descendentes de italianos fincaram suas raízes, o Natal ainda carrega um pouco da neve imaginária dos Alpes, misturada com o cheiro de café torrado na hora, o queijo fresco, a polenta no tacho e o famoso socol, que ganhou status de joia da terra capixaba.

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Não é por acaso que Venda Nova foi reconhecida como Capital Nacional do Agroturismo. Aqui, visitar uma propriedade rural é mais que um passeio: é conhecer gente, ouvir histórias, experimentar receitas e ver de perto como nasce cada produto que enfeita a mesa. Agroturismo é um encontro entre o campo e as pessoas. É oportunidade para o turista e renda para as famílias produtoras. É cultura viva, preservada, compartilhada.

E quando o Natal se aproxima, tudo isso se mistura de um jeito ainda mais especial. A ceia das famílias de Venda Nova é praticamente um mapa afetivo das delícias do agroturismo. “Venda Nova tem de tudo e um pouco mais. Dá para fazer uma ceia natalina completa, prestigiar os produtores e as empresas da região. Quem ler essa reportagem deve ter isso em mente: vamos valorizar cada vez mais o que é nosso”, incentiva Karla Fernanda Cardoso, gerente adjunta da regional Serrana do Sebrae/ES.

Karla, que conversou com o Jornal Raízes de Pindobas na Casa Nostra, que fica no Distrito Turístico de Pindobas, lista aquilo que não pode faltar na ceia de origem italiana: “polenta, macarrão, socol, os antepastos, os queijos maravilhosos, os cafés da região… tudo aquilo que compõe uma ceia típica de Venda Nova”, enumera. E na loja da Casa Nostra é possível encontrar os produtos típicos produzidos por famílias da região.

TRADIÇÃO – Do outro lado da mesa – literalmente – está Maria Inês Andreão Carnielli, 58 anos, descendente de italianos. Nos fins de semana ela assume o papel de “nonna da Casa Nostra” – atração do Polo Sebrae de Turismo de Experiência, em Pindobas. Ela ri fácil, fala mexendo as mãos e mantém viva a essência da Itália nos gestos e nos sabores.

“Adoro. Amo. Faço tudo. Faço papel de nonna na sala, na cozinha, no fogão”, conta ela, feliz da vida. E quando o assunto é Natal, os olhos brilham ainda mais. “É família. É reunir todo mundo. E na ceia não pode faltar a ceia italiana mesmo. Polenta, queijo, puína, macarrão… isso nunca falta. Seja na véspera do Natal ou no almoço do dia seguinte”, afirma.

DICA DE CESTA – Famosa por produzir massas coloridas, Ana Venturim relembra que, quando criança, a ceia de Natal tinha um sentido mais ligado ao nascimento de Cristo. “Era comemorado no almoço do dia 25, quando recebíamos os meus tios e os meus primos. Nossa nonna Vitória morava conosco. Era o melhor dia do ano. No cardápio não faltavam macarrão que a mamãe fazia, temperado com a linguiça feita por nós, e também a galinha caipira. Os legumes e verduras eram da horta, e de sobremesa tinha o doce de figo cristalizado”, recorda.

Ela comenta que atualmente a família vira a noite junta, colocando a saudade em dia. “Recebemos os filhos e continuamos com o cardápio parecido, pois procuramos reviver a tradição. E não pode faltar o doce de figo cristalizado e ir à Missa do Galo”, conta.

Para a experiência do Natal italiano ficar ainda mais completa, Ana dá uma dica: uma cesta com produtos de Venda Nova do Imigrante. “Para uma cesta natalina, eu coloco uma massa Venturim, um biscoito Josefina, um socol Angelim, um pé de moleque de macadâmia Angar, um antepasto Lorenção, uma geleia Angar, um café Venturim e um queijo Carnielli”, sugere.

VALORIZAÇÃO – A secretária de Cultura e Turismo de Venda Nova, Lícia Caliman, revela que no Natal alguns dos sabores mais especiais da mesa da ceia são do município. “Nossa ceia pode e merece ter a identidade da nossa terra. O tradicional socol, orgulho da nossa cultura italiana, transforma qualquer mesa em celebração. A polenta, símbolo da nossa história e da nossa hospitalidade, aquece as famílias e mantém viva a tradição dos antepassados. Temos ainda o azeite de abacate, produzido com excelência e que traz leveza e qualidade para os pratos natalinos”, recomenda.

E, claro, não pode faltar uma boa sobremesa. “Para adoçar a noite, nada melhor que nosso pé de moleque de macadâmia, que combina sabor, inovação e o melhor das nossas montanhas. Para finalizar, o café de Venda Nova, reconhecido pela pureza e aroma incomparável, fecha a ceia com o afeto de quem cultiva a terra com cuidado e dedicação. Valorizar os produtos locais é fortalecer nossa economia, nossas famílias e nossa identidade. Que em cada mesa seja celebrado, além do Natal, o que somos e o que produzimos com tanto orgulho”, destaca.

Assim, entre as montanhas, nas mesas fartas e no carinho de quem mantém tradições vivas, nasce uma ceia que tem muito de Itália, muito de Espírito Santo e, principalmente, muito de afeto. Uma ceia que atravessa oceanos, cruza gerações e se reencontra completa nas cozinhas de Venda Nova do Imigrante. Porque Natal, no fim das contas, é isso: comida boa, família reunida e histórias que continuam sendo contadas – sempre ao redor da mesa.

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