Ano Novo esperanças novas, realistas.

*José Luiz Tejon
O paraibano Ariano Suassuna intelectual, filósofo, escritor escreveu uma ideia maravilhosa, dentre muitas: “o otimista é um tolo, um pessimista um chato, sou um realista esperançoso”. É desta maneira que escrevo esta minha coluna com a alma e os olhos voltados pra as realidades esperançosas de 2026.
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Dia 12 de janeiro está marcada a reunião para decidir a assinatura do acordo UE & Mercosul. Será bom para o mundo, para a Europa, para o Brasil e países do Mercosul. Não por uma expectativa “otimista”, mas simplesmente por ser obviamente um rumo necessário a todas as partes. Inclusive aos próprios agricultores europeus que passarão a ter muito mais oportunidades de mercados para seus ricos alimentos e bebidas originados nos seus “terroir” com denominação de procedência e marcas registradas globalmente como “champagne, cognac, Mirabelle Plum, Guérand Salt (tem até sal com marca de terroir!), sem contar que os italianos dominam as mesas do mundo e irão dominar mais ainda, etc.
Portanto, tenho a esperança realista da assinatura desse acordo, ou pelo menos de um forte encaminhamento positivo, por significar uma mudança espetacular nas visões das relações comerciais internacionais. E isto da mesma forma será ótimo para todo agronegócio brasileiro onde também poderemos ir a muitos mais mercados, com diversificação, não apenas as grandes commodities, mas produtos de sabores tropicais únicos, multiplicação do comércio também com os “terroir” nacionais, desde o A do abacate ao Z do Zebu.
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Também de forma realista esperançosa, o crescimento do mercado do biocombustível em todos os aspectos, com biodiesel, etanol, saf, e tudo isso originado de grãos e de fibras que serão desenvolvidas para esses fins, desde o próprio trigo até a macaúba, modelos agroflorestais, o arroz, e dentro da recuperação de áreas degradadas no país, mas ao lado dos setores empresariais agroindustriais e cooperativistas agregando valor. O biogás transformando lixo em riquezas na economia circular e dando a toda produção de alimentos no país um selo de sustentabilidade na transformação de dejetos em produtos para o mercado de carbono, além de biofertilizantes, eletricidade, bioinsumos, biometano, etc.
O PIB do complexo do agronegócio no Brasil atinge a casa de cerca de 30% sobre o PIB total. Ao olharmos com uma noção mínima de planejamento estratégico podemos constatar racionalmente que temos a efetiva chance de
dobrar de tamanho nos próximos 12 anos. E isso não é otimismo tolo, ao contrário, é realismo racional.
O Brasil nos últimos 40 anos assumiu uma percepção de potência da segurança alimentar, energética e ambiental do planeta. E esse patamar atingido não pode mais não ser percebido. Na COP-30, na Agrizone, um trabalho espetacular da Embrapa e do enviado agro Roberto Rodrigues reunindo todas as entidades do país, do antes, dentro e pós porteira das fazendas gerou um documento e um show de realidades colocando o Brasil como coração agrotropical planetário, uma solução global. E a FAO, órgão da ONU, decidiu criar um centro tropical mundial com base no que viu na COP-30.
Temos muitas coisas para fazer? Sim. Muitas coisas para consertar? Sim. Muitos problemas para superar? Sim. Porém para 2026 que as realidades esperançosas superem em muito apenas sonhos otimistas, quanto negacionismos pessimistas. A vitimização, colocar a culpa nos outros e apontar culpados é a única estratégia que não interessam os realistas esperançosos, são estratégias de polarização de medo e de covardia.
Que venha 2026 e que o enfrentemos de frente, pois medo do futuro? Só se ele nos pegar pelas costas! Feliz 2026, coragem, confiança, cooperação, criação, consciência, caráter. E amor ao Brasil!
*José Luiz Tejon é doutor em Educação pela Universidad de La Empresa/Uruguai, mestre em Educação Arte e História da Cultura pela Universidade Mackenzie, jornalista e publicitário, com especializações em Harvard, MIT e PACE/USA e Insead na França. Colunista da Rádio Eldorado e Estadão On-line, autor e coautor de 37 livros. Coordenador acadêmico de Master Science Food & Agribusiness Management pela Audencia em Nantes/França e FECAP/Brasil. Sócio Diretor da Biomarketing e da TCA International. Vice-presidente da Fundação Brasileira de Marketing (FBM). Profissional Head Agro Anefac. Prêmio Personalidade Agro ABAG 2023. Ex-diretor do Grupo Estadão, da Agroceres e da Jacto S/A.
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