Brasil acelera reconhecimento de produtos de origem e ultrapassa 150 indicações geográficas

Foto: Julio Huber

A valorização da origem deixou de ser tendência e passou a ser estratégia de desenvolvimento no Brasil. Produtos ligados ao território, ao saber-fazer local e à identidade cultural vivem um novo momento de expansão, impulsionado pelo crescimento das Indicações Geográficas (IGs). Em cinco anos, o país mais que dobrou o número de registros, transformando a certificação em uma ferramenta concreta de acesso a mercados, geração de renda e fortalecimento de pequenos produtores.

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No início da década, o Brasil somava pouco mais de 70 IGs reconhecidas. Hoje, já são mais de 150 certificações concedidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), com presença marcante nas regiões Sudeste e Sul. O avanço reflete um movimento estruturado, que envolve diagnóstico territorial, organização coletiva e preparo técnico para transformar tradição em valor econômico.

O processo de obtenção de uma IG é longo e exige maturidade institucional. Antes mesmo de chegar ao INPI, produtores precisam construir regras comuns, definir padrões de qualidade, comprovar a relação do produto com o território e estabelecer mecanismos de governança. Esse caminho pode levar anos, mas tem se mostrado essencial para garantir solidez ao crescimento das certificações no país.

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Além do reconhecimento formal, a agenda das IGs tem avançado para um novo estágio: a ampliação do acesso a mercados. Nos últimos anos, iniciativas voltadas à qualificação da gestão, controle de origem e aproximação com compradores nacionais e internacionais passaram a integrar o processo. Rodadas de negócios, mentorias especializadas e parcerias internacionais ajudam a transformar o selo em oportunidade real de comercialização.

Na prática, isso já se reflete em cadeias produtivas como a apicultura. O mel de melato de Bracatinga, produzido no Sul do Brasil, tornou-se referência internacional após o reconhecimento como Denominação de Origem. Com alto valor nutricional e identidade bem definida, o produto consolidou espaço fora do país e hoje tem a maior parte da produção destinada à exportação, reunindo dezenas de pequenos apicultores em torno de um modelo coletivo.

O café é outro exemplo emblemático. Com o maior número de Indicações Geográficas do país, a bebida tem utilizado a certificação para reforçar atributos como rastreabilidade, qualidade sensorial e sustentabilidade. Em regiões produtoras de Minas Gerais e São Paulo, microlotes certificados e plataformas de controle de origem vêm conectando produtores a mercados mais exigentes, inclusive no exterior.

Esse movimento não se restringe ao agro. O artesanato brasileiro também encontrou nas IGs uma forma de preservar tradições e ampliar visibilidade. Rendas, cerâmicas, fibras vegetais e algodão agroecológico, especialmente no Nordeste, mostram como o reconhecimento da origem pode proteger saberes ancestrais e, ao mesmo tempo, abrir novas possibilidades de renda para comunidades inteiras.

Mais do que um selo, as Indicações Geográficas se consolidam como uma política de desenvolvimento territorial. Ao unir identidade, organização e mercado, o Brasil constrói um caminho em que tradição e inovação caminham juntas — e tudo indica que esse mapa de origens ainda tem muito espaço para crescer.

Fonte: ASN

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