Estudo revela impacto de nematoides na sustentabilidade da pimenta-do-reino

Foto: Inorbert Melo

Raiz de pimenteira do reino infectada por nematoide das galhas (Meloidogyne incognita)

A presença de vermes microscópicos no solo tem se consolidado como um dos principais desafios à sustentabilidade da pimenta-do-reino no Espírito Santo. Essa constatação está no centro de uma pesquisa inédita conduzida pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), cujos resultados acabam de ser publicados na revista científica internacional Plant Disease, uma das mais respeitadas do mundo na área de fitopatologia.

Anúncio

O trabalho reúne o levantamento mais amplo já realizado no Brasil sobre a interação entre nematoides-das-galhas e a cultura da pimenteira-do-reino. Ao longo de cinco anos, os pesquisadores mapearam a ocorrência, a dinâmica populacional e o comportamento dessas pragas invisíveis, que comprometem a produtividade e reduzem a vida útil dos pimentais, especialmente em regiões tropicais.

Para alcançar esse nível de precisão, a equipe analisou mais de 230 amostras de solo e raízes coletadas em diferentes polos produtores capixabas. A combinação de análises morfológicas, moleculares e bioquímicas permitiu identificar com segurança as espécies predominantes nos sistemas de produção, garantindo robustez estatística e representatividade de campo.

Anúncio

Entre os principais resultados, o estudo confirmou a elevada suscetibilidade de cultivares amplamente utilizadas no Espírito Santo, como Bragantina BR-124 e Kottanadan, a espécies comuns de nematoides, entre elas Meloidogyne arenaria, M. incognita e M. javanica. Ao mesmo tempo, essas mesmas cultivares demonstraram resistência ou imunidade a espécies altamente agressivas em outras cadeias agrícolas, como M. enterolobii e M. paranaensis. A pesquisa também detalha os padrões de reprodução dos nematoides, reforçando a necessidade urgente de ampliar a busca por materiais genéticos mais resistentes.

Outro avanço relevante está na relação direta entre o histórico de uso do solo e a ocorrência de determinadas espécies de nematoides. Áreas anteriormente ocupadas por culturas como mamão, cana-de-açúcar e café conilon apresentaram associações específicas com diferentes tipos desses vermes. Esses achados fornecem base científica para recomendações mais precisas de manejo, como rotação e sucessão de culturas, contribuindo para interromper o ciclo dos patógenos e promover sistemas produtivos mais sustentáveis.

A publicação na revista oficial da American Phytopathological Society amplia a visibilidade internacional da pesquisa desenvolvida no Espírito Santo e atesta o rigor metodológico do estudo. Além de fortalecer a posição do estado como principal produtor nacional de pimenta-do-reino, o trabalho reafirma o papel do Incaper na geração de conhecimento aplicado, capaz de transformar ciência de alto nível em decisões práticas no campo.

Financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e desenvolvida em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), a pesquisa representa uma contribuição estratégica para a agricultura brasileira e para a construção de sistemas produtivos mais resilientes frente aos desafios atuais.

O artigo completo pode ser acessado no site da revista Plant Disease.

Fonte: Incaper

Anúncio

Anúncio

Últimas notícias

SIF garante segurança dos alimentos e impulsiona exportações da agropecuária brasileira

Muito antes de um produto de origem animal chegar à mesa do consumidor ...

Espírito Santo cria fundo de quase R$ 1 bi para acelerar transição energética

Foto: Rayron Rickson/Governo-ES O Espírito Santo deu um passo relevante na agenda climática ...

Pesquisa brasileira busca aumentar a durabilidade da madeira usada na construção civil e na indústria

Fotos: Acervo da pesquisa e Jaseem Hamza (CC) A madeira, um dos materiais ...

Gengibre do Espírito Santo amplia presença internacional e aumenta exportações em 2025

Foto: Henrique Fajoli/Seag A produção capixaba de gengibre segue conquistando espaço no mercado ...

Brasil acelera reconhecimento de produtos de origem e ultrapassa 150 indicações geográficas

Foto: Julio Huber A valorização da origem deixou de ser tendência e passou ...