Inteligência artificial ajuda pecuaristas a definir o melhor momento para vender animais

Foto: Freepik

O desempenho dos animais varia mesmo quando são criados sob as mesmas condições de manejo. Diferenças genéticas, fisiológicas e metabólicas fazem com que alguns bovinos, aves e peixes ganhem peso mais rapidamente do que outros, o que influencia diretamente os custos de produção e o lucro das propriedades rurais. Para reduzir essa incerteza, uma startup brasileira desenvolveu uma plataforma baseada em inteligência artificial capaz de indicar, com antecedência, o momento mais vantajoso para a comercialização dos animais.

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Criada a partir de pesquisas realizadas na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), a tecnologia utiliza informações coletadas nas fazendas para projetar o desempenho futuro dos rebanhos. O sistema reúne dados de peso, características zootécnicas, informações genéticas e indicadores econômicos, como a cotação da arroba, para calcular quando cada animal deixa de gerar retorno financeiro e deve ser vendido.

Na bovinocultura de corte, a ferramenta funciona em conjunto com balanças instaladas em pontos de circulação dos animais, como cochos e bebedouros. Sem necessidade de manejo ou interferência humana, o equipamento registra automaticamente o peso dos bovinos e alimenta a plataforma com informações atualizadas. A partir desses dados, o software simula diferentes cenários de comercialização e aponta a estratégia mais rentável para cada lote.

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Uma das possibilidades é dividir a venda dos animais em datas diferentes, prática conhecida como “descasque de lotes”. Nesse modelo, os bovinos que já apresentam menor eficiência na conversão alimentar são enviados primeiro ao frigorífico, enquanto os que ainda respondem bem à alimentação permanecem em engorda por mais tempo. Segundo a empresa, testes realizados em confinamentos indicaram aumento de até 30% na lucratividade com esse tipo de manejo.

Além do monitoramento do desempenho, a startup também desenvolveu um sistema que utiliza informações genéticas para identificar, ainda na fase de engorda, quais animais têm maior potencial econômico. A tecnologia analisa amostras de DNA obtidas a partir de pelos da cauda e relaciona determinadas regiões do material genético com características ligadas ao retorno financeiro da produção.

Os pesquisadores explicam que a ferramenta amplia o uso tradicional das avaliações genéticas, normalmente voltadas para ganho de peso, fertilidade ou habilidade materna. Nesse caso, o foco passa a ser a capacidade de estimar a lucratividade que determinado animal pode transmitir aos descendentes, permitindo decisões mais precisas sobre seleção genética e manejo do rebanho.

A tecnologia também foi adaptada para outros segmentos da produção animal. Na avicultura, o sistema utiliza dados das agroindústrias, como consumo de ração, água e pesagens por amostragem, para indicar o momento mais adequado para o abate das aves. Já na piscicultura, sensores subaquáticos e recursos de visão computacional permitem acompanhar o crescimento dos peixes sem retirá-los da água, reduzindo o estresse e preservando o desempenho produtivo.

Outro diferencial da plataforma é a geração de indicadores ambientais. Além das projeções econômicas, o sistema estima o consumo de água, a produção de dejetos e as emissões equivalentes de gases de efeito estufa associadas à criação dos animais. Essas informações atendem a uma demanda crescente de frigoríficos, investidores e mercados internacionais por indicadores ligados à sustentabilidade da produção.

A alimentação representa mais de 70% dos custos da produção de proteína animal. Por isso, identificar rapidamente quando um animal deixa de converter alimento em ganho de peso pode reduzir despesas e aumentar a eficiência do sistema. Em um país que abate cerca de 32 milhões de bovinos e aproximadamente 6 bilhões de frangos por ano, pequenas economias individuais podem representar ganhos expressivos para toda a cadeia produtiva.

Atualmente, a solução já é utilizada por produtores no Brasil, Paraguai e Bolívia. A empresa também mantém projetos voltados para a expansão internacional e aposta na combinação entre inteligência artificial, genética e análise de dados para tornar a produção animal mais eficiente, rentável e sustentável.

Fonte: Fabesp

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