Montanhas capixabas escondem nova espécie de planta da Mata Atlântica
Foto: Alexandre Magno

Registros feitos por usuários de uma plataforma de ciência cidadã ajudaram a levar pesquisadores até uma nova espécie de planta encontrada nas montanhas do Espírito Santo. A Philodendron luanae, identificada em áreas serranas de Castelo e Alfredo Chaves, foi reconhecida pela ciência e teve sua descrição publicada em julho na revista Phytotaxa.
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A descoberta começou longe dos laboratórios. Fotografias da planta foram publicadas no iNaturalist, plataforma que reúne registros de espécies feitos por pessoas de diferentes regiões. As imagens despertaram o interesse do pesquisador Alexandre Magno, que decidiu investigar a ocorrência em campo.
As expedições permitiram a coleta de exemplares que posteriormente foram analisados. O material foi comparado com espécies conhecidas e amostras preservadas em herbários. As diferenças encontradas confirmaram que a planta não correspondia a nenhuma espécie já descrita.
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A nova espécie pertence ao gênero Philodendron e à família Araceae. O grupo também inclui plantas conhecidas no dia a dia, como costela-de-adão, antúrios, jiboias, taiobas e comigo-ninguém-pode.
Entre as características que ajudaram os pesquisadores a identificar a novidade estão o formato triangular das folhas e particularidades da inflorescência, estrutura que reúne as flores. As características foram analisadas em detalhes e comparadas com outras espécies relacionadas.
O nome Philodendron luanae é uma homenagem à pesquisadora Luana Calazans, do Departamento de Ciências Biológicas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Especialista em plantas da família Araceae, ela também atua nas pesquisas sobre a flora capixaba.
A descrição da espécie foi realizada por Alexandre Magno, mestrando da Escola Nacional de Botânica Tropical do Jardim Botânico do Rio de Janeiro e colaborador do Herbário Vies, da Ufes. O trabalho foi publicado na Phytotaxa, revista científica voltada à taxonomia vegetal.
Por enquanto, a Philodendron luanae é conhecida em apenas duas localidades do Espírito Santo. Os pesquisadores, no entanto, consideram que novas populações possam existir em outras áreas serranas ainda pouco exploradas.
Ciência cidadã
O caso mostra como registros feitos fora do ambiente acadêmico podem contribuir para novas descobertas. Plataformas colaborativas como o iNaturalist permitem que fotografias e informações sobre plantas sejam compartilhadas e posteriormente utilizadas por pesquisadores.
Para os estudos de biodiversidade, esse tipo de ferramenta pode ajudar a indicar locais onde determinadas espécies ocorrem e direcionar expedições. Também pode contribuir para a identificação de plantas raras ou que ainda não tenham sido formalmente descritas.
Outra descoberta
As montanhas do Espírito Santo já haviam sido cenário de outra descoberta realizada por Alexandre Magno. O pesquisador participou da descrição da Philodendron quartziticola, encontrada em áreas próximas à Reserva Águia Branca, em Vargem Alta, e à Reserva Kaetés, que abrange municípios como Castelo, Vargem Alta, Domingos Martins, Venda Nova do Imigrante e Alfredo Chaves.
A ocorrência de duas espécies do mesmo gênero na região reforça o potencial das áreas serranas capixabas para estudos sobre a flora da Mata Atlântica. Regiões de difícil acesso e ainda pouco pesquisadas podem guardar outras espécies que permanecem sem registro científico.
Fonte: UFES
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