Adeus a Onofre Lacerda, um dos pioneiros do café especial do Caparaó
Foto: Gerada por IA

Onofre Alves Lacerda morreu na madrugada desta segunda-feira (24), aos 80 anos. O cafeicultor estava internado em Guaçuí, no Sul do Espírito Santo. O sepultamento será realizado ainda nesta segunda-feira, na comunidade de São José.
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Na comunidade de Forquilha do Rio, entre Dores do Rio Preto (ES) e em Espera Feliz (MG), seu Onofre passou a maior parte da vida entre a casa e os cafezais. Foi ali que aprendeu o ofício ainda menino, acompanhando o pai na lavoura, e também onde criou os filhos e construiu a história do café no Caparaó.
Onofre conhecia a lavoura desde antes de saber o tamanho que ela poderia tomar. O café que começou como trabalho de família foi, com o passar dos anos, ganhando outro significado para ele. Vieram os cuidados maiores com a produção, a busca por conhecimento e a vontade de fazer daquele grão algo que fosse reconhecido também pela qualidade.
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Aos poucos, Onofre junto com a família foi aprendendo novas formas de cuidar do café. O trabalho que ele havia aprendido com o pai começava a ganhar novas técnicas sem perder o caráter familiar.
Foi assim que Onofre atravessou uma mudança importante na cafeicultura do Caparaó. O café das montanhas, antes ligado principalmente à subsistência das propriedades, começou a conquistar espaço pelo sabor, pela origem e pela qualidade.
O legado do café das montanhas
A lavoura onde Onofre trabalhou fica em uma região de altitude, entre aproximadamente 1.100 e 1.400 metros, aos pés do Parque Nacional do Caparaó. O clima ameno e as características das montanhas ajudam a formar o ambiente dos cafezais, mas Onofre sabia que a natureza sozinha não fazia um café especial.
Era preciso esperar o momento certo da colheita, separar os frutos, cuidar da secagem, observar o que acontecia com o grão depois que saía do pé e, sobretudo, aprender.
Foi nessa busca que Onofre começou a levar seus cafés para os concursos de qualidade. Em 2017, conquistou o primeiro lugar no Concurso de Qualidade dos Cafés de Minas Gerais. Em 2024, voltou ao topo da competição, com um lote de café natural que alcançou 92,7 pontos. Na mesma edição, recebeu ainda o prêmio de Sustentabilidade do Certifica Minas Café.
Os prêmios ajudaram a tornar seu nome conhecido, mas Onofre não caminhava sozinho. O que ele havia aprendido ao longo da vida também foi sendo passado para os filhos e, depois, para os netos.
Afonso Lacerda, um dos filhos, conquistou o Coffee of the Year em 2016 e 2018. José Alexandre Lacerda, também da família, ficou em segundo lugar na competição em 2023. Os resultados de outras gerações acabaram prolongando uma história que começou muito antes dos troféus, quando Onofre ainda acompanhava o pai na lavoura.
O reconhecimento alcançado pelos Lacerda também ajudou a dar visibilidade ao território onde vivem. Aos pés do Pico da Bandeira, a produção de café passou a fazer parte da experiência de quem visita o Caparaó.
Talvez uma das maiores marcas deixadas por Onofre esteja justamente nas pessoas que ficaram ao lado dele na terra. Filhos e netos aprenderam a produzir café e reconhecer o valor de permanecer na propriedade e de transformar o trabalho no campo em um caminho possível para as próximas gerações.
O menino que começou a trabalhar com café ainda na infância tornou-se pai, avô e, mais recentemente, bisavô dentro da mesma atividade. O café que continua sendo colhido nas montanhas onde ele passou a maior parte da vida, agora passa pelas mãos das gerações que aprenderam com ele.
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