Nova pera da Embrapa chega ao mercado com colheita antecipada e maior conservação
Foto: Fábio Ribeiro

Uma nova cultivar de pera desenvolvida pela Embrapa Uva e Vinho começa a ser disponibilizada para produtores do Sul do Brasil. A BRS Áurea foi desenvolvida para as condições climáticas da região e reúne características como produtividade, colheita antecipada, qualidade dos frutos e capacidade de armazenamento.
Anúncio
A variedade é resultado de um cruzamento realizado em 2006, em Vacaria, no Rio Grande do Sul, entre a pera asiática Hosui e a europeia Abate Fetel. O material passou por aproximadamente duas décadas de seleção e avaliações agronômicas antes de ser registrado no Registro Nacional de Cultivares (RNC), do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em maio de 2025.
A recomendação da BRS Áurea é para regiões que acumulam entre 400 e 600 horas de frio abaixo de 7,2 °C durante o inverno. No Rio Grande do Sul, a cultivar foi avaliada em Vacaria, Bento Gonçalves e Caxias do Sul, municípios com condições distintas de produção de frutas de clima temperado.
Anúncio
Um dos principais diferenciais está no calendário de colheita. Nas áreas avaliadas, os frutos atingem a maturação principalmente entre 5 e 20 de janeiro, com ciclo de aproximadamente 106 dias entre a plena floração e a maturação. A antecipação pode abrir espaço para a comercialização em um período diferente de outras variedades cultivadas no país.
Produtividade e conservação
Em sistemas de alta densidade, com plantas enxertadas sobre o marmeleiro Adams e espaçamento de quatro metros entre as filas e um metro entre as plantas, a produtividade estimada fica entre 25 e 30 toneladas por hectare.
Os frutos apresentam formato uniforme e simétrico, com peso entre 145 e 190 gramas. Quando maduros, adquirem tonalidade amarelo-alaranjada ou dourada, características que também foram consideradas nas avaliações voltadas ao mercado de frutas frescas.
A conservação após a colheita é outro aspecto estudado pela Embrapa. Em condições experimentais, as peras mantiveram qualidade para consumo após 90 dias armazenadas a 0,5 °C, seguidos de sete dias em ambiente a 20 °C. Durante o período, houve redução da firmeza da polpa e mudança na coloração dos frutos.
Testes também indicaram possibilidade de armazenamento por períodos maiores. Em atmosfera controlada, frutos mantidos por até 165 dias a 0,5 °C apresentaram maior firmeza após a retirada da câmara, o que pode ampliar as alternativas de distribuição e comercialização.
Apesar da capacidade de conservação, a BRS Áurea exige atenção no manuseio. Os frutos são suscetíveis a danos provocados por impactos durante a colheita e o transporte, tornando importantes os cuidados nas etapas de classificação, embalagem e movimentação da produção.
A cultivar também apresentou resultados favoráveis em avaliações fitossanitárias. Nos experimentos realizados pela Embrapa Uva e Vinho, mostrou resistência à entomosporiose e à sarna-da-pereira, além de menor suscetibilidade à mosca-das-frutas em comparação com a pera Rocha.
Em condições de infestação natural, 70% dos frutos da pera Rocha foram atingidos pela mosca-das-frutas, enquanto o índice registrado na BRS Áurea foi de 10%. Em outro teste, com exposição direta dos frutos aos insetos, os índices foram de 100% e 40%, respectivamente.
A nova cultivar foi avaliada também em propriedades rurais. Em 2021, foram instaladas unidades de validação em Vacaria e Caxias do Sul, com plantas conduzidas sobre o marmeleiro Adams. Os testes acompanharam aspectos como produção, desenvolvimento das plantas, características dos frutos e comportamento após a colheita.
O material é a primeira pera desenvolvida pelo programa de melhoramento genético da Embrapa Uva e Vinho. As mudas da BRS Áurea já podem ser reservadas por meio de viveiro licenciado pela instituição, enquanto outros viveiristas interessados na comercialização precisam obter autorização para produzir o material propagativo.
A chegada da cultivar ocorre em uma cadeia que ainda depende de importações para atender parte do consumo brasileiro de peras. Com características adaptadas às condições de cultivo do Sul, produção estimada de até 30 toneladas por hectare e possibilidade de conservação prolongada, a BRS Áurea passa agora da fase de desenvolvimento e validação para a expansão entre produtores.
Anúncio
Anúncio