A Feira Internacional do Café Conilon (FICC 2026) vai apresentar, no dia 8 de outubro, os resultados de um projeto-piloto que testou o uso de gás natural na secagem do café. A segunda edição do evento será realizada entre os dias 8 e 10 de outubro, na área anexa ao Sesc de São Mateus, no Espírito Santo.
O projeto foi desenvolvido pelo Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), em parceria com a ES Gás, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet’s e Base 27. Os testes ocorreram durante a safra de 2026 na Fazenda Chapadão, em Linhares, e serão apresentados ao público durante a programação da feira.
A experiência acompanhou cerca de 9.400 sacas de café ao longo de 14 semanas. Foram comparados três secadores abastecidos com gás natural e três equipamentos movidos a lenha, com monitoramento de temperatura, consumo de combustível, tempo de secagem, maturação dos grãos e características sensoriais.
Entre os resultados apresentados está um ganho potencial de 4,15% no rendimento. Nos testes, o sistema a gás produziu 39,73 sacas de café seco, enquanto os equipamentos a lenha chegaram a 38,15 sacas. Em uma produção de 10 mil sacas, a diferença equivaleria a aproximadamente 415 sacas.
O estudo também identificou redução na presença de notas de fumaça nas amostras. Segundo os resultados apresentados pelo CCCV, o índice caiu de 27% no sistema a lenha para 1% com o uso do gás natural. A pesquisa ainda registrou 93% das amostras com perfil sensorial classificado como “Neutro” ou superior.
Tecnologia entra na programação

A apresentação do projeto faz parte da programação da FICC 2026, que reúne produtores, empresas, cooperativas, pesquisadores e outros representantes da cadeia do café conilon. A feira terá discussões sobre tecnologia, produtividade, mercado, logística e oportunidades para o setor.
A experiência também será utilizada para discutir alternativas para a etapa de pós-colheita. Nos testes, os equipamentos abastecidos com gás natural trabalharam entre 120°C e 140°C, enquanto os secadores a lenha operaram entre 150°C e 250°C.
O controle da temperatura foi um dos pontos avaliados durante o projeto. A faixa entre 120°C e 160°C apresentou os menores níveis de consumo, com tempo de secagem entre 13 e 17 horas e média de 13,76 metros cúbicos de gás por saca.
O projeto recebeu investimento de pouco mais de R$ 1 milhão e tem duração prevista de 12 meses. A iniciativa contou com aprovação e acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).
Após os primeiros testes, a pesquisa deve avançar durante a colheita de 2027. A proposta é levar o experimento para novas propriedades, principalmente na região Norte do Espírito Santo, e comparar o desempenho da tecnologia em diferentes condições de produção.
Além da apresentação do projeto, a FICC 2026 terá atividades voltadas à cadeia do café conilon. O evento ocorre de 8 a 10 de outubro, em São Mateus, e busca reunir diferentes segmentos ligados à produção e comercialização do café no Espírito Santo.
