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Uma planta conhecida até agora apenas em uma formação rochosa de Castelo, no sul do Espírito Santo, está ameaçada de extinção. A espécie Pleroma leucotrichum integra um grupo de três novas plantas descritas por pesquisadores em áreas da Mata Atlântica no Espírito Santo e em Minas Gerais. O estudo foi publicado em 6 de outubro na revista científica Phytotaxa.

A avaliação preliminar dos pesquisadores classificou a espécie capixaba como em perigo de extinção. Outro exemplar descrito no trabalho, a Pleroma latisepalum, foi considerado vulnerável. Já a Pleroma squamipilosum, encontrada nos dois estados, ainda não possui informações suficientes para uma avaliação conclusiva sobre o risco de desaparecer.

A situação da planta de Castelo preocupa porque sua ocorrência foi registrada apenas na Pedra dos Cabritos, no complexo rochoso Pedra do Fio/Pedra dos Cabritos, na região de Estrela do Norte. Segundo os pesquisadores, ela aparece em pequenos grupos dispersos e fora de unidades de conservação. A área está sujeita à pressão da extração de rochas ornamentais, além de atividades agropecuárias e do turismo de aventura.

Onde as novas espécies foram encontradas

As três plantas pertencem ao gênero Pleroma, da família Melastomataceae, que também reúne espécies conhecidas, como as quaresmeiras. Elas crescem em inselbergues, formações rochosas isoladas que se destacam na paisagem e apresentam condições difíceis para a vegetação, como pouca água disponível, solo raso e exposição intensa ao sol.

Além de Castelo, os pesquisadores identificaram a Pleroma latisepalum em Itaipé e Novo Cruzeiro, em Minas Gerais. A Pleroma squamipilosum, por sua vez, foi registrada em Nova Venécia e em localidades mineiras.

Esses ambientes podem abrigar plantas adaptadas a condições específicas e com distribuição geográfica limitada. Para Dayvid Rodrigues Couto, pesquisador vinculado ao Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e à Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), as descobertas demonstram que ainda há espécies desconhecidas nesses locais.

Como os pesquisadores identificaram as plantas

A descrição das três espécies exigiu a comparação de folhas, flores e estruturas reprodutivas com exemplares preservados em coleções botânicas e com registros científicos de plantas já conhecidas.


A descrição das três espécies exigiu a comparação de folhas, flores e estruturas reprodutivas com exemplares preservados em coleções botânicas e com registros científicos de plantas já conhecidas.

Fabrício Schmitz Meyer, pesquisador vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR) e ao Museu Botânico Municipal de Curitiba, explica que a identificação de uma nova espécie depende da análise de um conjunto de características que permita diferenciá-la de outras plantas semelhantes.

O trabalho também destaca a contribuição dos herbários para esse processo. No Espírito Santo, o Herbário MBML, ligado ao INMA, reúne exemplares que podem ser consultados e comparados em pesquisas realizadas anos depois da coleta.

Para Renato Goldenberg, pesquisador da UFPR, conhecer a diversidade desses ambientes é uma etapa importante para orientar ações de conservação, especialmente quando as plantas ocupam áreas pequenas e estão expostas a alterações ambientais.

O artigo científico, intitulado Three new species of Pleroma (Melastomataceae) from Atlantic Forest inselbergs, southeastern Brazil, tem autoria de Fabrício Schmitz Meyer, Dayvid Rodrigues Couto, Ludovic Jean Charles Kollmann e Renato Goldenberg.

A publicação está disponível na revista Phytotaxa, pelo DOI 10.11646/phytotaxa.778.1.1.

Tags: Castelo, Mata Atlântica, espécies ameaçadas, pesquisa científica