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O Brasil importou 28,45 milhões de toneladas de fertilizantes químicos entre janeiro e setembro de 2026, uma redução de 15,7% em relação ao mesmo período do ano passado. A queda representa 5,28 milhões de toneladas a menos nas compras externas, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
Apesar da redução no volume, o gasto com as importações permaneceu elevado. O país desembolsou US$ 11,17 bilhões nos nove primeiros meses deste ano, apenas 3,4% abaixo dos US$ 11,56 bilhões registrados em 2025.
A diferença está relacionada ao aumento dos preços internacionais. O valor médio da tonelada importada passou de US$ 342,70 para US$ 392,50 na comparação entre os dois períodos, uma alta de 14,6%. Assim, mesmo comprando menos fertilizantes, o Brasil manteve um desembolso próximo ao registrado no ano anterior.
Importações caem pelo sexto mês consecutivo
A retração também aparece nos dados mensais. Em setembro, o Brasil importou 3,11 milhões de toneladas de fertilizantes, contra 4,31 milhões no mesmo mês de 2025. A redução foi de 27,9%.
O resultado marcou o sexto mês consecutivo de queda na comparação anual, em uma sequência iniciada em abril. A diminuição das compras externas ganhou força ao longo do segundo e do terceiro trimestres.
Entre os fatores que influenciam o mercado estão as dificuldades de oferta e logística no cenário internacional, os conflitos geopolíticos e a elevação dos preços dos insumos. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) mostram que, entre janeiro e maio, as importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados e fosfatados recuaram 8,7%, enquanto o preço médio de internalização subiu 14,4%.
Produtores também reduzem compras
A desaceleração não está restrita ao comércio exterior. No primeiro semestre de 2026, as entregas de fertilizantes ao mercado brasileiro somaram 19,02 milhões de toneladas, queda de 5,4% em relação às 20,11 milhões de toneladas registradas no mesmo intervalo de 2025, segundo a Associação Nacional para Difusão de Adubos (Anda).
A entidade relaciona a redução a fatores que dificultam a aquisição dos insumos pelos produtores rurais. Entre eles estão relações de troca acima das médias históricas, restrições de crédito, juros elevados, riscos financeiros e incertezas climáticas, incluindo os possíveis efeitos do El Niño.
Brasil depende de fertilizantes importados
A redução das compras externas chama atenção porque o país depende do mercado internacional para abastecer a agricultura. Segundo o Mapa, aproximadamente 93% dos fertilizantes consumidos no Brasil vêm de outros países.
Em 2025, as importações brasileiras alcançaram o recorde de 45,5 milhões de toneladas. O cenário de 2026 combina, portanto, menor volume adquirido, preços internacionais mais altos e dificuldades financeiras para parte dos produtores.
A queda nas importações, isoladamente, não significa que o país esteja enfrentando falta de fertilizantes. No entanto, a continuidade desse movimento exige atenção ao abastecimento dos próximos ciclos agrícolas, especialmente diante da dependência externa e da importância dos insumos para a produção nacional.
Fonte: Secex/MDIC, Mapa e Anda.
