A pandemia nos mostra que é preciso cooperar

Carlos André Santos De Oliveira

Formado em Ciências Contábeis, pós-graduado em Gestão Empresarial e superintendente do Sistema OCB/ES

No Livro IX da “Ética a Nicômaco”, o filósofo grego Aristóteles afirma: o homem é um ser político e está em sua natureza o viver em sociedade. Não é segredo que, para que possamos viver com plenitude, precisamos estar juntos dos nossos semelhantes. Nesse período em que vivemos, onde o afastamento social se faz necessário, a pandemia nos mostra que o caminho para superarmos esse momento e sairmos dele mais fortalecidos passa por um dos hábitos que nos caracterizam como o que somos: o poder de cooperar.

Desde março deste ano, a realidade foi alterada de maneira significativa. Com a disseminação do coronavírus, o mundo inteiro se viu diante da necessidade de mudar regras, modelos mentais e formas de agir para se adaptar à nova realidade, ao novo normal: os abraços passaram a ser evitados, as aglomerações não são mais recomendáveis e nossos lares se tornaram nossos novos espaços de trabalho.

O combate à Covid-19 tem exigido mudanças de toda a sociedade e mostrado que, se essas recomendações forem adotadas de forma isolada, sem a adesão maciça de todos, pouco resultado será alcançado. A luta contra o coronavírus é composta por batalhas coletivas, e a vitória só será possível se colaborarmos uns com os outros – seja com nossos vizinhos de porta, de estado, de país ou de continente.

Mas por que acreditar na cooperação? Porque cooperar significa envolver. E quando nos sentimos parte do problema, também tendemos a querer fazer parte da solução. Saber que estamos no mesmo barco nos torna conscientes de que precisamos fazer a nossa parte.

A cooperação tem se mostrado eficaz no campo da ciência para combater o novo coronavírus. Diversas nações têm ultrapassado barreiras e fronteiras para traçarem acordos que permitem o estudo, a análise e a proposição de soluções para a pandemia, incluindo a tão esperada vacina – que nascerá como fruto de um trabalho conjunto e coordenado.

Ainda nos campos sociais e econômicos, a filosofia de vida cooperativista também tem se mostrado como uma excelente opção para superar a crise imposta: o cooperativismo vem alcançando bons resultados e se firmando como a melhor alternativa para alinhar o desenvolvimento econômico com o bem-estar social – características que são necessárias agora e serão ainda mais fundamentais para quando pandemia acabar. Aquelas organizações que conseguirem se adaptar a todo esse novo contexto estarão à frente no futuro.

Em meio a diversos pontos negativos e milhares de vidas perdidas, a pandemia passa por nossa história deixando uma lição: chegamos até aqui por meio da união de esforços; por meio da colaboração e da cooperação, e é por esse caminho que devemos seguir com a nossa caminhada.

Milhares de anos separam a obra de Aristóteles do momento em que vivemos. Ainda assim, sua lição permanece atual: se somos naturalmente sociais, precisamos pensar e agir em sociedade. E a cooperação pode (e deve) nos ajudar nessa tarefa. Juntos construiremos um futuro melhor.

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