Agtech liderada por mulheres nordestinas quer ser a melhor opção de comercialização para pequenos produtores

No Brasil, apenas 4,7% das startups são fundadas por mulheres. E mais: essas iniciativas costumam receber apenas o equivalente a 0,04% de todo investimento de capital. Os dados são de um estudo conjunto da Distrito, da B2Mamy e da Endeavor.

Apesar do cenário adverso, isso não significa que muitas delas não consigam prosperar. A presença de mulheres nesse ambiente tende a crescer porque, cada vez mais, elas colocam ideias inovadoras no mercado. É o caso da Muda Meu Mundo (MMM).

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“Quando nós, mulheres, vamos captar investimento temos que nos provar muito mais do que nossos colegas homens. Essa é a realidade no Brasil e no mundo. Isso faz com que seja muito difícil empreender. Tão difícil que muitas nem pensam em trabalhar com tecnologia. Com a MMM, esperamos abrir espaço para que, no futuro, outras não passem por isso”, aponta Priscilla Veras, fundadora e CEO da startup.

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A agtech tem o propósito de conectar pequenos produtores rurais diretamente a supermercados e startups, sem intermediários. O maior destaque da plataforma, no entanto, é a geração de dados de impacto focado em ESG (Governança Ambiental, Social e Corporativa). Eles são responsáveis pela transparência na relação comercial com o varejo e são usados como reforço para o impacto a ser gerado com os agricultores.

Atualmente, a Muda Meu Mundo conecta 400 produtores às redes de alimentos como Carrefour, GPA (Compre Bem, Extra, Pão de Açúcar), Natural da Terra, St Marche e às startups Frubana e Jüsto.

Empreendedorismo feminino

Após atuar por sete anos em ONGs internacionais com desenvolvimento de indicadores de impacto socioambiental, Priscilla fundou a Muda Meu Mundo. Por conta dessa iniciativa, a cearense foi eleita pela Forbes como uma das 20 mulheres mais inovadoras em agtechs do país no ano de 2022.

Ao lado dela, está a sócia Laís Xavier. A pernambucana embarcou na startup em 2020, liderando o time de tecnologia. Ela é a primeira mulher presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PE/PB).

As nordestinas se conheceram no Itaú Mulher Empreendedora (IME), em 2020. O programa desenvolve iniciativas que visam apoiar o empreendedorismo feminino no Brasil. Após sua passagem, a Muda Meu Mundo apresentou melhoras significativas. Houve aumento de 400% na receita em relação a 2019. Também foi possível notar alta de 23% na remuneração média do agricultor e crescimento de 25% na base de produtores parceiros.

É válido destacar também que a representatividade é vista entre os investidores. Ticiana Rolim Queiroz, CEO da Somos Um, foi a primeira a apoiar a iniciativa. “Quando decidi investir, a Muda Meu Mundo era uma ideia. Eu acreditei na empreendedora e no propósito do negócio, pois compreendi quão importante era concretizá-lo devido à gravidade do problema que se propunha a resolver”, lembra a profissional.

“Foi por causa da Ticiana que conseguimos provar nossa ideia inicial e irmos evoluindo ao longo dos anos. Se não tivéssemos tido esse suporte, iria demorar muito mais para chegarmos aonde estamos hoje”, comenta Priscilla.

O apoio abriu espaço para que mais investidores e fundos aderissem à jornada de crescimento da MMM. Entre eles, é possível destacar Sororitê e WIM Angels, dois grupos exclusivos de mulheres que investem em startups com lideranças femininas.

“Nós, mulheres investidoras, buscamos mais do que uma empresa que tenha sucesso de receita e de bottom line. Procuramos companhias que tenham impacto positivo no mundo. A Muda Meu Mudo traz justamente isso. Além de cortar intermediários na cadeia de agricultura, fazendo com que o alimento chegue mais fresco à mesa do consumidor, é possível rastrear de onde veio essa comida – algo muito importante para a sociedade e para o meio ambiente”, conclui Erica Stul, cofundadora da Sororitê.

Muda Meu Mundo (MMM)

A Muda Meu Mundo (MMM) é um marketplace B2B que conecta o pequeno agricultor a grandes varejistas e startups por meio de inteligência de dados. Seu objetivo é tornar a cadeia de distribuição mais justa e com impacto positivo de ponta a ponta, além de diminuir o tempo de entrega de alimentos frescos para até 12 horas.

A empresa atua no mercado desde 2019 e é comandada por Priscila Veras, nordestina eleita pela Forbes como uma das 20 mulheres mais inovadoras em agtechs do país, e Laís Xavier, cientista da computação que se tornou a primeira mulher presidente da Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologia da Informação (Assespro-PE/PB).

Fonte: AD Comunicação

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