Apicultura amplia renda no campo e impulsiona novos negócios no Espírito Santo

Fotos: Divulgação/Lumi Comunicação Estratégica

A criação de abelhas tem ganhado espaço como alternativa de renda e diversificação para produtores rurais capixabas. Além da produção de mel e derivados, a atividade contribui para o aumento da produtividade agrícola por meio da polinização e vem estimulando o surgimento de novos empreendimentos ligados ao setor em diferentes regiões do Espírito Santo.

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O crescimento da apicultura no Estado é acompanhado por histórias de produtores que transformaram uma atividade complementar em principal fonte de renda. Um dos exemplos é o apicultor Juliano Cordeiro, conhecido como Juliano Abelha, morador de São Domingos do Norte. O primeiro contato com a atividade aconteceu em 2013, durante o resgate de um enxame instalado em uma lavoura de café. O que começou como um auxílio a um amigo acabou se tornando uma mudança definitiva de trajetória profissional.

Ao longo dos anos, Juliano ampliou sua atuação para além da produção de mel. Atualmente, trabalha com consultorias, treinamentos, palestras e projetos voltados ao fortalecimento da apicultura e da meliponicultura, atividade relacionada à criação de abelhas sem ferrão.

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Em 2022, a esposa dele, Kátia Cordeiro, passou a integrar o negócio, contribuindo para a expansão das atividades. O casal investiu em capacitação, produção de conteúdo e diversificação de serviços, alcançando reconhecimento em diferentes estados brasileiros e recebendo convites para eventos e consultorias especializadas.

A apicultura tem se consolidado como uma alternativa econômica capaz de complementar a renda das propriedades rurais. Além da comercialização de produtos como mel, própolis, cera e geleia real, os enxames desempenham papel fundamental na polinização de diversas culturas agrícolas.

Estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2025 apontou que a polinização animal responde, em média, por 16,14% do valor da produção agrícola brasileira, podendo alcançar até 25% em determinadas culturas. Entre lavouras permanentes, como café e frutas, a contribuição da polinização chega a representar quase 40% do valor gerado.

Os números da atividade no Espírito Santo demonstram o avanço do setor. Dados do IBGE mostram que a produção estadual de mel passou de 544 mil quilos em 2016 para 846 mil quilos em 2024, crescimento de 55% no período. A movimentação financeira também apresentou expansão significativa, saltando de R$ 6,2 milhões para R$ 12,3 milhões.

Entre os municípios com maior destaque na atividade estão Aracruz, Fundão e Marechal Floriano, que concentram parte importante da produção estadual. O aumento da demanda por produtos naturais e a busca por alimentos com origem rastreável também têm contribuído para o fortalecimento do mercado.

Outro exemplo de crescimento impulsionado pela apicultura é a empresa Melfort, fundada em São Gabriel da Palha. A marca nasceu a partir de uma única colmeia instalada no quintal da família e hoje distribui seus produtos para todos os estados brasileiros.

A fundadora da empresa, Elaine Oto Malze, relembra que os primeiros litros de mel eram vendidos de forma artesanal, de porta em porta, nas cidades do norte e noroeste capixaba. Com o aumento da procura, a família ampliou a produção, investiu em novos produtos e estruturou uma agroindústria com certificação federal.

Ao longo dos anos, a empresa expandiu o portfólio para além dos produtos apícolas tradicionais, incluindo compostos naturais e suplementos alimentares. O crescimento exigiu a ampliação da rede de fornecedores e consolidou a marca em escala nacional.

Especialistas apontam que a diversidade de paisagens do Espírito Santo favorece o desenvolvimento da atividade. A combinação entre áreas de mata nativa, lavouras de café, macadâmia, laranja, abacate e outras culturas agrícolas oferece floradas em diferentes períodos do ano, garantindo alimento para os enxames e possibilitando a produção de variados tipos de mel.

Segundo o extensionista do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Alex Fabian Rabelo Teixeira, as diferenças de altitude entre o litoral e as regiões montanhosas criam condições favoráveis para a atividade durante praticamente todo o ano.

Apesar do potencial, o setor ainda enfrenta desafios relacionados à assistência técnica, organização da cadeia produtiva e ampliação da divulgação dos produtos apícolas. Ainda assim, a expectativa é positiva. Projeções da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag) indicam que a produção capixaba poderá atingir mil toneladas de mel por ano até 2032.

Com crescimento da produção, diversificação de produtos e fortalecimento do mercado consumidor, a apicultura segue ampliando sua participação na economia rural capixaba, transformando pequenas iniciativas familiares em negócios de alcance regional e nacional.

Fonte: Alessandra Piassarollo e Paula Pignaton | Lumi Comunicação Estratégica

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