Boas práticas reduzem os riscos de contaminação da pimenta-do-reino

Mais uma rodada de conversa sobre as boas práticas de produção da pimenta-do-reino reuniu, na última terça-feira (22), em Castanhal, no Nordeste Paraense, especialistas, pipericultores e exportadores de dez municípios da região. A ação, que atendeu a todos os protocolos de distanciamento e uso de máscaras, faz parte do plano emergencial para evitar a contaminação da pimenta pela bactéria Salmonella sp e garantir uma produção mais segura e competitiva no mercado.

O Pará é o segundo maior produtor nacional de pimenta-do-reino com uma produção de 35 mil e 452 toneladas, em 2020, de acordo com a Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap). A cadeia produtiva da pimenteira-do-reino emprega atualmente no estado mais de 70 mil famílias e a contaminação pela Salmonella pode se dar em diferentes etapas da produção, como explica a agrônoma Márcia Tagore, da Sedap, coordenadora do grupo de trabalho interinstitucional que executa as ações emergenciais. 

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“A contaminação pode acontecer desde o plantio, colheita, transporte e até nos containers para exportação. Mas com boas práticas e atividades simples e acessíveis é possível evitar e melhorar a qualidade do produto”, afirma a agrônoma. Uma delas é cercar a área de secagem dos grãos para evitar o contato com pequenos animais.

A secagem ao sol, inclusive, é um aspecto positivo da pimenta-do-reino produzida no Pará, que agrada principalmente o mercado europeu. “Cerca de 90% da pimenta paraense vai para o mercado internacional e a secagem natural (ao sol) preserva a qualidade e as características do grão”, ressalta o agrônomo Ricardo Dohara, da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Pará (Emater). Para ele, as ações do grupo de trabalho demonstram que os atores dessa cadeia produtiva estão engajados na busca pela manutenção da qualidade do grão produzido e comercializado pelo estado.

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O grupo é composto pela Sedap, Emater, Embrapa Amazônia Oriental, Secretaria de Desenvolvimento, Mineração e Energia (Sedeme), Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará), Cooperativa Agrícola Mista de Tomé-Açu (Camta), Associação dos Exportadores e Produtores de Pimenta-do-Reino (Abep) e Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

As próximas rodadas de conversa sobre as boas práticas para a pimenta-do-reino serão realizadas nas regiões do Baixo Tocantins e Xingu, no estado do Pará.

Matéria-prima segura e sustentável

 “O mercado internacional está cada vez mais exigente por uma matéria-prima com mais qualidade e segurança”, afirma Joel Pantoja, exportador de pimenta-do-reino, do município de Castanhal. Ele conta que a pimenta brasileira tem vantagens competitivas por ser livre de agrotóxico. Por outro lado, “as notificações de contaminação do grão pela Salmonella causam um impacto negativo ao agronegócio da pimenta”, alerta.

“Nós precisamos de ações imediatas para conter o avanço da contaminação da pimenta”, afirma o agrônomo Oriel Lemos, pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental. Além da secagem ao sol, que confere mais sabor, aroma e pungência à pimenta paraense, ela se destaca também no contexto da sustentabilidade, conta o especialista.

E o papel da pesquisa na melhoria do sistema de produção foi um passo importante para a reduação dos impactos ambientais da atividade, segundo Oriel. O uso do tutor vivo de gliricídia (suporte para o crescimento da planta), que é uma árvore leguminosa de origem asiática, está disponível ao segmento produtivo.

“O pipericultor não precisa cortar nenhuma árvore para fazer estacão de madeira. A gliricídia sequestra carbono, fixa nitrogênio e ao longo do tempo reduz a quantidade de adubo nitrogenado. A sustentabilidade da atividade é outro importante diferencial da nossa pimenta no mercado internacional”, conclui o pesquisador. 

Fonte: Embrapa

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