Brasil colhe 123,5 milhões de toneladas de soja

O Brasil está colhendo uma safra de soja de 123,5 milhões de toneladas – a melhor da história, superando em 1,5 milhão de toneladas o recorde anterior, 2017/18, numa área de 36,8 milhões de hectares, conforme dados divulgados pelo Rally da Safra. 

A regularização da chuva demorou mais para acontecer do que nas últimas duas safras, prejudicando um pouco o plantio precoce e gerando temores em relação às primeiras áreas semeadas em algumas regiões. Porém, quando começou a chover, as lavouras se desenvolveram em ótimas condições em boa parte do país. 

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Os dados coletados em campo desde janeiro pelas equipes técnicas mostram uma produtividade de 56 sacos por hectare na média do Brasil, a terceira melhor desde que o projeto começou a avaliar as lavouras brasileiras, há 16 edições. 

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A temporada só não será melhor por causa de uma importante exceção. O Rio Grande do Sul enfrenta uma estiagem desde o fim de 2019. A equipe que passou pelo estado, de 9 a 13 de março, encontrou lavouras que encurtaram o ciclo devido à seca e indicadores de produtividade mais baixos do que nas temporadas anteriores. 

Alguns produtores – cujas áreas receberam mais chuva – vão obter resultados um pouco melhores, mas a média de produtividade do estado será nesta safra de apenas 36 sacos por hectare, a menor dos últimos 8 anos e quase 40% abaixo de 2018/19. A estimativa é que a produção gaúcha se limite a 12,7 milhões de toneladas. 

A quebra na produção no Rio Grande do Sul é a principal razão para a estimativa ter caído em relação às expectativas iniciais, quando se projetava uma produção de 124,3 milhões de toneladas. No geral, porém, a safra tem mais destaques positivos do que negativos. 

PRODUTIVIDADE X CLIMA – Em Mato Grosso e Goiás, um equilíbrio adequado entre chuva e dias ensolarados resultou em recordes de produtividade de 59,3 e 60,5 sacos por hectare, respectivamente. O Paraná está fechando com ótimos resultados, o que é bem diferente do que o início da temporada parecia indicar. O Oeste e o Norte do estado, juntamente com o Sul do Mato Grosso do Sul, foram as regiões mais prejudicadas pelo clima seco no período de plantio. 

Produtores que arriscaram plantar mais cedo, na esperança de que a chuva viesse, tiveram perdas – bastante significativas, em alguns casos. A maioria, no entanto, decidiu esperar o clima regularizar para lançar as sementes no chão. Deu certo e o estado também bateu o recorde de produtividade média atingindo 63 sacos por hectare, a maior do Brasil. 

No Maranhão os produtores deverão colher uma safra de 54,5 sacos por hectare e, no Tocantins, 54 sacos por hectare, igualmente recordes. O desempenho da soja em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina também é melhor do que na safra passada.

“Foi o desempenho positivo de todas essas regiões que amenizou a redução da estimativa de safra devido aos problemas do Rio Grande do Sul”, afirma André Debastiani, coordenador da expedição Rally da Safra. 

A expedição estima percorrer um total de 100 mil quilômetros neste ano e avaliar 1700 lavouras, entrando em contato com 3 mil produtores rurais. 

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