Foto: EUMETSAT
Um ciclone extratropical provocou danos a imóveis, interrupções no fornecimento de energia e ventos de até 205 km/h na Islândia, no Atlântico Norte. A tempestade também estabeleceu um novo recorde de pressão atmosférica mínima para outubro no país, com 934,6 hectopascais (hPa) registrados em Fagurhólsmýri, conforme dados meteorológicos atualizados.
A intensidade do sistema chamou a atenção pela rapidez com que ele se aprofundou. A pressão atmosférica, que indica o peso exercido pelo ar sobre a superfície, caiu a um nível inferior ao recorde anterior para outubro, registrado em 1963. Quanto mais intensa é a queda da pressão no centro de um ciclone, maior pode ser o contraste com o ar ao redor, favorecendo ventos fortes.
As rajadas atingiram diferentes pontos do território islandês. Em Hvammur, a velocidade chegou a 205 km/h. Já o aeroporto de Vestmannaeyjar registrou ventos de aproximadamente 131 km/h. A força da tempestade provocou danos em construções e levou autoridades a alertarem a população sobre os riscos de permanecer nas ruas.
Em Siglufjörður, no norte da Islândia, três edifícios perderam seus telhados, incluindo duas residências e uma instalação industrial. Partes das estruturas foram arremessadas contra outros imóveis, ampliando os estragos. Equipes de emergência foram mobilizadas, e a polícia recomendou que os moradores permanecessem em casa enquanto as condições continuavam perigosas.
Os relatos de moradores indicaram que a situação mudou em pouco tempo. Em uma das casas atingidas, o telhado foi completamente arrancado, deixando o interior exposto à força do vento. A dimensão dos danos levou habitantes da região a comparar o episódio com as tempestades mais severas observadas nas últimas décadas.
O sistema também afetou a infraestrutura elétrica. Em Bolungarvík, uma falha em uma linha de energia fez com que a localidade recorresse ao fornecimento emergencial. Em Ólafsvík, os ventos foram tão intensos que chegaram a projetar para cima a água de cachoeiras, segundo relatos divulgados durante a passagem da tempestade.
O que explica a força do ciclone?
A Islândia está localizada em uma região do Atlântico Norte onde sistemas de baixa pressão se formam com frequência. Um dos fatores que favorecem esse processo é o encontro entre massas de ar muito diferentes: o ar frio que desce das regiões árticas e o ar mais quente e úmido associado às águas relativamente aquecidas da Corrente do Atlântico Norte.
Essa diferença de temperatura contribui para a formação e o fortalecimento dos ciclones extratropicais. Em determinadas condições, a pressão no centro do sistema cai de maneira muito rápida, processo conhecido como ciclogênese explosiva. O fenômeno pode intensificar os ventos e tornar a tempestade particularmente perigosa.
Outro fator é a proximidade da Islândia com a chamada baixa da Islândia, uma região de pressão atmosférica reduzida que influencia a circulação dos ventos no Hemisfério Norte. Essa configuração é especialmente relevante durante o outono e o inverno, quando os contrastes entre massas de ar podem favorecer sistemas meteorológicos intensos.
Apesar de serem diferentes dos furacões tropicais, os ciclones extratropicais também podem produzir ventos destrutivos. A comparação entre eles se refere principalmente à intensidade dos ventos, já que os sistemas se formam por mecanismos distintos: os furacões dependem de condições oceânicas e atmosféricas tropicais, enquanto os ciclones extratropicais estão associados principalmente ao contraste entre massas de ar.
O episódio na Islândia evidencia os riscos que tempestades de rápida intensificação representam para moradias, redes elétricas e serviços de emergência. Em regiões expostas a esses sistemas, o acompanhamento das previsões meteorológicas e o cumprimento das orientações das autoridades são medidas importantes para reduzir os riscos à população.
Fonte: Metsul
