Cidades e universidades fortalecem o Comércio Justo no Brasil

Fotos: BRFAIR

Ações desenvolvidas no Brasil pela Clac e pela BRFAIR estão melhorando a qualidade de vida de milhares de famílias brasileiras

Promover digna e salários dignos aos pequenos produtores (as) e trabalhadores (as) rurais, incentivar a sustentabilidade ambiental e a inclusão de jovens e mulheres e ter produtos com valor agregado são alguns dos objetivos que impulsionam as ações do Comércio Justo (Fairtrade) em todo o mundo. No Brasil, mais de dez mil famílias são beneficiadas com esse sistema justo de produção e comercialização.

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A campanha “Cidades e Povos pelo Comércio Justo, América Latina e Caribe” é um exemplo de iniciativa que visa fortalecer o Fairtrade no Brasil, que atualmente agrega 42 associações e cooperativas de pequenos produtores e 12 fazendas de trabalho contratado, na modalidade da certificação em que os benefícios vão para os trabalhadores rurais.

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A Universidade Federal de Lavras (UFLA) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), ambas de Minas Gerais, são reconhecidas, no Brasil, como “Universidades pelo Comércio Justo”. O reconhecimento é uma das ações do projeto Universidades Latino-americanas pelo Comércio Justo, que vem sendo fomentado pela Coordenadora Latino-americana e do Caribe de Pequenos (as) Produtores (as) e Trabalhadores (as) de Comércio Justo (CLAC) em diversos países da América Latina e Caribe desde 2015.        

No Brasil, o projeto conta com o apoio da Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR), que em parceria com a CLAC, tem trabalhado ativamente para estabelecer e fortalecer as conexões entre as Organizações de Pequenos Produtores (OPPs) Fairtrade e as universidades.

Com escopo semelhante, e fomentado pela CLAC, a campanha Cidades e Povos pelo Comércio Justo América Latina e Caribe é um movimento global que convida autoridades locais, regionais e estaduais, organizações de pequenos(as) produtores(as), instituições educativas e sociedade civil para apoiar e promover o Comércio Justo.

De acordo com a Gestora da CLAC no Brasil, Paola Silva Figueiredo, o projeto tem contribuído para a melhoria de vida de muitas famílias brasileiras. Ela explicou também sobre as cidades que são reconhecidas pelo Comércio Justo no país.

O Fairtrade contribui com o aumento da renda de pequenos produtores de café do Brasil

“É muito gratificante testemunhar o avanço e os resultados de um trabalho pioneiro desenvolvido pelas organizações de pequenos produtores na liderança dos comitês gestores das Cidades pelo Comércio Justo da América Latina e Caribe. No Brasil, atualmente existem três cidades com o título: Boa Esperança e Poço Fundo, em Minas Gerais; e Muqui, no Espírito Santo. As cidades mineiras de Santana da Vargem e Nova Resende estão neste processo de reconhecimento”, explicou.

Ela comentou que maio é reconhecido como o Mês do Comércio Justo e são realizadas celebrações em mais de duas mil “Cidades pelo Comércio Justo” no mundo. O tema este ano foi: “Com Fairtrade, você Escolhe um Futuro Melhor”.

Paola contou que ao longo dos anos, estas cidades implementaram projetos em parceria com instituições educativas, com o poder público e com a sociedade civil para sensibilizar e promover a valorização dos produtos e do comércio local, o desenvolvimento sustentável e o fortalecimento da economia de seus municípios.

“As campanhas de Cidades e Universidades pelo Comércio Justo fomentadas pela CLAC e BRFAIR seguem crescendo como estratégias fundamentais, que contribuem para a formação de cidadãos mais conscientes, para a abertura de mercados locais e construção de sociedades mais responsáveis e justas”, acrescentou a gestora.

Pioneira no Brasil, Boa Esperança (MG) é mundialmente reconhecida como Cidade de Comércio Justo, e desde 2017 trabalha para o fortalecimento do comércio local e o desenvolvimento socioeconômico do município.

A produtora rural Eliana Reis, da Cooperativa dos Costas e coordenadora do Comitê Gestor de Boa Esperança, que é uma cidade pelo Comércio Justo, comentou as melhorias na cidade desde o reconhecimento, em 2017. “Vivemos um tempo novo, de estarmos inseridos em uma comunidade onde se vê uma transformação de atitudes. A visão da comunidade local é de valorizar o pequeno produtor. Os moradores compram mais no comércio local e o poder público é administrando dentro dos valores de Comércio Justo”, afirmou entusiasmada.

Eliana garantiu que os produtores se sentem valorizados e incentivados a produzirem cada vez mais produtos de Comércio Justo. “Temos projetos dentro da Cooperativa dos Costas que nos proporciona melhorar a capacidade administrativa, a gestão de pessoas e financeira, além da oferta de treinamentos em máquinas, cuidados ao utilizar agrotóxicos, o estímulo ao uso de EPIs e cursos que focam na produção de cafés de qualidade, que agrega melhor remuneração ao produtor”, detalhou.

Pequenos produtores de laranja Fairtrade do Brasil conseguem exportar o suco da fruta com bônus

De acordo com ela, também foi criado o grupo das Produtoras de Café DAYSE´S, para valorizar as mulheres da cooperativa. “Temos oportunidades de estar nos capacitando sempre, fazendo visitas a outros grupos, participando de palestras e muitas outras atividades. Também há o incentivo aos jovens a fazerem estágios na cooperativa. Assim, eles estarão se preparando, descobrindo o dom e a vontade de serem produtores rurais e seguir com a sucessão familiar”, afirmou.

UNIVERSIDADES – O professor e Doutor do departamento de Administração e Contabilidade da UFV, Layon Cezar, que é coordenador do projeto de Universidade pelo Comércio Justo, relatou que a partir do momento em que a UFV foi certificada, diversas ações foram realizadas junto aos universitários e comunidade.

“Este reconhecimento proporciona o desenvolvimento de diversas práticas em prol do Comércio Justo. Temos professores de diferentes áreas que trabalham o tema na Universidade. A primeira ação foi criar um grupo de marketing e tecnologia para estudar o consumo, o comportamento do consumidor e ações ligadas à compra dos produtos com certificação. Com base em estudos feitos em outros países, buscamos entender essa realidade que está para chegar forte ao Brasil”, explicou.

Layon relatou que diversos estudos estão sendo realizados com o objetivo reunir informações acerca do Fairtrade no Brasil, para contribuir com o crescimento do Comércio Justo no país. “Este ano estamos buscando estimular a compra de produtos Fairtrade, a partir do supermercado que fica dentro da Universidade e também buscar incluir os produtos certificados nas chamadas públicas do restaurante universitário”, contou o professor.

Durante o mês de maio, diversas atividades foram realizadas por organizações ligadas ao Comércio Justo no Brasil. Ações com estudantes, degustação de cafés Fairtrade, feiras de produtos orgânicos e artesanais, apresentações musicais e culturais, distribuição de panfletos informativos sobre o Comércio Justo e palestras educativas foram algumas dessas iniciativas desenvolvidas.

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