Clima e altitude de Guaçuí favorecem o cultivo de flores

Fotos: Julio Huber

Marcos Louzada viu na floricultura a forma de tornar a propriedade mais rentável

Julio Huber

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A floricultura tem se destacado como um setor em destaque no Espírito Santo, ocupando uma área de aproximadamente 163 hectares, gerando mais de 8 mil empregos e movimentado cerca de R$ 10 milhões por ano. Em Guaçuí, no Caparaó Capixaba, o clima, a altitude e a união dos floricultores têm transformado o município em um dos principais do setor no Estado.

Um desses floricultores é Marcos Emilio Figueiredo Louzada. Há oito anos ele viu na produção de flores uma alternativa de renda para a propriedade de sua esposa. E o negócio deu tão certo que virou a sua principal fonte de renda e hoje ele entrega suas flores para várias partes do Estado, inclusive na Grande Vitória e na Região Serrana do Estado.

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“Essa propriedade é pequena, com cerca de três alqueires de terra (145 mil metros quadrados), e quando começamos, há 18 anos, chegamos a cultivar milho, gado e outras culturas. A flor me chamou a atenção, porque não necessita de muita terra para o plantio e também a rentabilidade é boa”, contou.

Entre os fatores que influenciam na produção, ele destaca a altitude como ponto positivo. “Nossa região permite que consigamos cultivar tanto plantas tropicais como as temperadas. Também temos muita água, o que também favorece o cultivo e manutenção das plantas”, comenta.

Atualmente Louzada produzi de 7 a 8 mil mudas de plantas mensalmente em suas estufas

Na propriedade de Marcos Louzada, o principal produto são as plantas de potes. Ele contou que a demanda no Estado é maior que a produção, que é suprida por flores principalmente vindas de São Paulo. “Comecei a produzir em área de céu aberto uma média de 400 a 600 mudas por mês e, atualmente, estamos com uma média de 7 a 8 mil mudas mensalmente, e em cultivo nas estufas”, explicou.

ASSOCIATIVISMO – Com o crescimento da produção de flores em Guaçuí, os produtores resolveram se unir e criaram a Associação dos Produtores de Flores e Plantas Ornamentais do Sul/Caparaó-ES (Sulcaflor), que tem abrangência em 26 municípios, mas atualmente tem 11 associados de quatro municípios. Marcos Louzada é integrante da entidade e destaca os benefícios da união.

“Para o meu negócio, a Sulcaflor foi essencial, pois possibilitou eu conhecer os mercados de fora, com apoio de entidades como Sebrae, Senar, Ufes (Universidade Federal do Espírito Santo) e Ifes (Instituto Federal do Espírito Santo). A Associação aproxima as entidades dos produtores e fornece apoio para cada necessidade”, afirma.

Marcos citou que ele já foi diversas vezes para a Exposição Técnica de Horticultura, Cultivo Protegido e Culturas Intensivas (Hortitec), em Holambra (SP), considerada a mais importante feira de flores do Brasil. “Na feira temos acesso a toda a cadeia das flores, desde as mudas aos insumos, e conhecemos as novidades do mercado. Sozinho seria muito mais difícil”, afirmou Marcos.

União além do associativismo

Alan Cesar Fernandes e Rosi Aguiar uniram a experiência de ambos para ampliar a produção de flores

O espírito associativista dos floricultores de Guaçuí foi o que estimulou os amigos Alan Cesar Fernandes, atual presidente da Sulcaflor, e Rosi Aguiar, que é secretária da associação. Juntos, eles conseguiram unir a experiência dos dois e ampliar a produção. Uma das variedades que eles iniciaram o cultivo é o croton, uma espécie de folhagem. Eles se tornaram sócios há pouco mais de um ano.

Rose contou que há alguns anos ela comprou uma coleção de citrus e, com o tempo, montou um horto, passou a produzir outras plantas e comercializava em sua propriedade. “Eu conheci o grupo de floricultores antes da fundação da Sulcaflor e comecei a participar das reuniões. Depois montamos a Associação e passei a me integrar ainda mais ao setor”, afirmou. 

Rose falou que com a experiência dos dois é possível ter uma diversidade de produtos e melhorar ainda mais a qualidade das plantas. Alan acrescenta que a floricultura não requer grandes áreas, e esse fator é uma facilidade para quem está no setor.

“O leite e o café são as principais atividades econômicas da região, mas com a flor conseguimos condessar esse rendimento, pois em uma área menor conseguimos gerar muito mais recursos, proporcionalmente, comparado com a cafeicultura e pecuária, que necessitam de grandes áreas”, contou Alan.

Sobre a Sulcaflor, Alan disse que a entidade está em crescimento e buscando apoios. “Temos buscado parceria do setor público municipal para a aquisição de potes e substratos, para proporcionar um custo-benefício melhor aos associados. Também estamos em busca de um apoio federal para que o associado possa adquirir uma estrutura física em sua propriedade, que o ajudará a ter um controle climático, reduzir o consumo de água e não ficar dependente do tempo”, adiantou.

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