Congresso do Agronegócio cobra planejamento de longo prazo para o setor brasileiro

A construção de uma política de Estado voltada ao agronegócio foi defendida por autoridades e representantes do setor durante a abertura da 25ª edição do Congresso Brasileiro do Agronegócio (CBA), realizada nesta segunda-feira (10), em São Paulo. O encontro discutiu medidas para ampliar a competitividade do campo e da indústria brasileira diante de um cenário internacional marcado pela busca por alimentos, energia e produção com menor impacto ambiental.
Com o tema “Agro & Indústria – integrando e transformando o Brasil”, o congresso é promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (ABAG), em parceria com a B3. A programação reúne representantes do setor produtivo, governo, mercado financeiro e instituições ligadas à pesquisa e à indústria.
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Durante a abertura, a ABAG apresentou uma Agenda Estratégica da Agroindústria Brasileira ao vice-presidente da República, Geraldo Alckmin. O documento foi elaborado a partir da análise de mais de 80 fatores considerados relevantes para o desenvolvimento do setor e reúne propostas divididas entre medidas de curto, médio e longo prazo.
A entidade defende que o Brasil avance não apenas na produção e exportação de commodities, mas também na agregação de valor e na abertura de novos mercados. Para o presidente da ABAG, Ingo Plöger, os 25 anos do congresso representam uma oportunidade para discutir os próximos passos do agronegócio brasileiro em um ambiente internacional que passa por mudanças.
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Alckmin destacou durante o evento a expansão da participação brasileira no comércio mundial de alimentos. Segundo o vice-presidente, o país caminha para superar os Estados Unidos como maior exportador de alimentos. Ele também citou os efeitos esperados da reforma tributária, com base em projeções do Ipea, que apontam crescimento de 12% do Produto Interno Bruto em 15 anos, além de alta de 14% nos investimentos e de 17% nas exportações.
O vice-presidente também mencionou a ampliação das relações comerciais brasileiras. De acordo com os dados apresentados por ele, as exportações cresceram 4% nos primeiros 60 dias após a entrada em vigor do acordo entre União Europeia e Mercosul. O governo também mantém negociações comerciais com os Estados Unidos.
O acesso ao financiamento foi outro ponto discutido na abertura. Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da B3, apresentou números que mostram o avanço de instrumentos privados utilizados para financiar o agronegócio. Até junho, as emissões de Cédulas de Produto Rural (CPR) chegaram a R$ 470 bilhões. As Letras de Crédito do Agronegócio (LCA) somaram R$ 560 bilhões, enquanto os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) alcançaram R$ 170 bilhões e os Certificados de Direitos Creditórios do Agronegócio (CDCA) ultrapassaram R$ 30 bilhões.
Masagão também chamou atenção para a necessidade de aprimorar a gestão de riscos no setor, especialmente na formação de preços das commodities no mercado brasileiro, que ainda sofre forte influência das referências internacionais.
Na área comercial, o ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, afirmou que o governo já abriu 674 novos mercados para produtos brasileiros e espera ultrapassar 700 até o fim do ano. Segundo ele, a posição conquistada pelo Brasil no agronegócio internacional exige trabalho contínuo para ser mantida e ampliada.
A integração entre os diferentes segmentos da cadeia também foi apontada como um dos caminhos para aumentar a capacidade de competição do país. Para o ministro, uma cadeia produtiva mais articulada amplia as condições para o agronegócio contribuir para o desenvolvimento econômico brasileiro.
A necessidade de transformar a força atual do setor em planejamento permanente também apareceu entre as discussões do congresso. Representantes do Legislativo defenderam maior previsibilidade, segurança jurídica e políticas de longo prazo para o agronegócio, com a avaliação de que essas medidas podem dar mais estabilidade aos investimentos e à produção.
A cerimônia reuniu ainda Geraldo Melo Filho, secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo; Antonio Mello Alvarenga Neto, presidente da Sociedade Nacional da Agricultura (SNA); Ana Repezza, presidente da CropLife Brasil; Tirso de Salles Meirelles, presidente da FAESP/SENAR; Silvia Massruhá, presidente da Embrapa; e Tania Zanella, presidente da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA).
O Congresso Brasileiro do Agronegócio chega, assim, aos 25 anos com uma agenda voltada aos desafios que vão além do aumento da produção. As discussões colocam no centro temas como financiamento, comércio exterior, segurança jurídica, integração entre indústria e campo e a necessidade de planejamento para manter o Brasil competitivo no mercado global.
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