Coronavírus: Falta de estrutura deixa agricultores em risco

Entidades dos EUA dizem que falta pouco para o vírus chegar no campo

A falta de estrutura pré-existente, como licença médica, atendimento e planos de saúde no meio rural, está expondo os agricultores ao risco de contágio do novo coronavírus. No Brasil, por exemplo, propriedades mais afastadas dos centros urbanos, muitas vezes possuem carência no atendimento dos profissionais de saúde. 

Atualmente, o número de casos confirmados da doença em todo mundo passa de 245 mil e de acordo com especialistas, não falta muito tempo para que comece a se espalhar para o meio rural também. “Está chegando”, diz Mary Zelazny, CEO da Finger Lakes Community Health, uma rede de centros de saúde na região central de Nova York. “As comunidades rurais estão mais isoladas, isso é bom pela primeira vez em nossas vidas”, completa. 

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No entanto, esse isolamento também contribui para uma série de dificuldades, como a falta de um plano de saúde adequado, visitas escassas de profissionais da área e até distâncias consideráveis de hospitais equipados para o tratamento. De acordo com a pesquisa mais recente do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, essa situação se repete em todo mundo, já que em solo norte-americano apenas 47% dos produtores rurais relatam ter cobertura de saúde, em comparação com 91,5% da população em geral.  

“Pressão alta e diabetes são muito comuns em nossa comunidade. Quanto mais os trabalhadores agrícolas estão na agricultura, mais tempo ficam expostos a pesticidas – para que seus sistemas imunológico e respiratório possam ser comprometidos”, completa Antonio Tovar, coordenador geral interino da Farmworker Association of Florida, também nos Estados Unidos.  

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Nesse cenário, a falta de licença médica, somada com a necessidade de continuar produzindo para garantir o seu sustento e também a subsistência da população, faz com que o risco aumente ainda mais, já que a quarentena não é possível. “Combinados com baixa ou nenhuma licença médica remunerada, os trabalhadores rurais estão fortemente desincentivados de consultar um médico ou tirar uma folga em caso de doença”, disse o portal norte-americano thecounter.org. 

No Brasil, as entidades do setor e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, garantiram que a produção agrícola do Brasil seguirá ocorrendo normalmente em meio às medidas de combate ao coronavírus. “Do contrário, se faltarem alimentos ou se houver irregularidades no abastecimento, a saúde das pessoas será afetada e a própria harmonia social, que tanto precisamos nessa hora, será atingida”, indicou a Confederação Nacional da Agricultura (CNA) em comunicado, dizendo esperar que o governo assegure a saúde do produtor rural. 

Fonte: Agrolink

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