Dores do Rio Preto se prepara para uma colheita histórica de conilon

Os experimentos começaram em 2021 a mais de 2mil metros de altitude

A paisagem das montanhas de Dores do Rio Preto, no Caparaó capixaba, está prestes a ganhar um novo capítulo na sua tradição cafeeira. Pela primeira vez, os agricultores da região, historicamente voltados para o cultivo do café arábica, vão colher conilon em áreas de altitude. Uma mudança que desafia o passado, mas que aponta para o futuro da cafeicultura.

A ideia de plantar conilon em regiões mais altas pode soar estranha para muitos, afinal, essa variedade sempre foi associada ao calor das baixadas. Mas os tempos mudaram. Com o aumento das temperaturas globais, pesquisadores e técnicos começaram a observar que o conilon poderia se adaptar bem a altitudes maiores. Foi assim que um novo zoneamento agroclimático, realizado pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), indicou a viabilidade desse cultivo nas serras capixabas.

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O projeto despertou o interesse dos cafeicultores de Dores do Rio Preto, que, com o apoio do Incaper, decidiram apostar no conilon em áreas tradicionalmente reservadas ao arábica. Variedades adaptadas a temperaturas mais amenas foram selecionadas e, agora, após anos de espera, a primeira colheita se aproxima, carregada de expectativas.

A grande questão que ronda os cafeicultores é: será que o conilon cultivado na serra trará um diferencial de qualidade? A experiência tem mostrado que o terroir – combinação de clima, solo e altitude – tem um impacto significativo na bebida. O ar mais fresco, a maturação mais lenta e as condições únicas da região podem resultar em um conilon diferente, com atributos sensoriais valorizados pelo mercado.

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Além do potencial de qualidade, a diversificação do cultivo é uma estratégia para a sustentabilidade da cafeicultura local. Em um cenário de mudanças climáticas, a possibilidade de expandir a produção para outras altitudes garante mais segurança para os produtores, que podem equilibrar suas lavouras entre diferentes tipos de café.

Se tudo correr bem, Dores do Rio Preto pode se tornar referência na produção de um conilon de montanha, unindo a tradição do café capixaba à inovação. E, quem sabe, em breve, esse conilon especial não conquista o paladar dos apreciadores de café dentro e fora do Brasil? A primeira colheita está chegando e, com ela, um novo ciclo para a cafeicultura da serra.

Fonte: Incaper

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