Embrapa Café comemora 22 anos de integração e resultados em prol da cafeicultura brasileira

Integração de pesquisa, ensino, extensão rural e setor produtivo é um dos pilares para o protagonismo do Brasil nesse setor, com 1/3 da produção mundial

O protagonismo do Brasil na produção mundial de café, da qual contribui com um terço, é em grande parte fruto da integração entre instituições de pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I) e o setor produtivo. Além de ser o maior produtor e exportador global dessa commodity, o País começa a despontar também na área de cafés especiais. Desde 1999, a Embrapa é a coordenadora do Consórcio Pesquisa Café, que reúne 46 instituições parceiras, e é determinante para reunir as expertises que garantem os bons frutos colhidos nesse setor.

Para comemorar os 22 anos da Embrapa Café, foi realizada uma solenidade virtual nesta segunda-feira (30/8) no canal da Embrapa no YouTube, da qual participaram 13 instituições ligadas ao setor cafeeiro. Sete delas são instituições dirigentes do Consórcio Pesquisa Café. O evento contou ainda com a participação de representantes da iniciativa privada ligadas ao Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC), colegiado que faz parte da estrutura do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa).

Na abertura, o chefe-geral da Embrapa Café, Antônio Fernando Guerra, enfatizou o trabalho conjunto realizado pelas instituições que compõem o Consórcio Brasileiro Pesquisa Café e que tem o apoio do CDPC. “Isso que nos dá força e garante a continuidade do nosso trabalho no desenvolvimento, em parceria, de tecnologias e conhecimentos para garantir a sustentabilidade econômica, social e ambiental da cafeicultura no País.”

Guerra ressaltou ainda que a produção do café no Brasil é realizada por mais de 260 mil estabelecimentos, que se encontram em 1.448 municípios de dezesseis estados, em sua maioria pela agricultura familiar. “O café tem grande importância social, sendo responsável por 8.5 milhões de empregos diretos e indiretos. Dessa forma, a cafeicultura pode contribuir imensamente para a retomada econômica do Brasil, tanto no sentido econômico, pois é responsável por boa parcela do PIB Agrícola brasileiro, como socialmente com a oferta de empregos”.

 Mitigação de mudanças climáticas deve nortear melhoramento genético do café

O diretor de Pesquisa de Desenvolvimento da Embrapa, Guy de Capdeville, ressaltou a importância dessa Unidade para o Brasil. “O setor cafeeiro está cada vez mais fortalecido no País e grande parte desse sucesso se deve à agenda de PD&I mantida em conjunto pelas instituições que compõem o Consórcio, cujo foco conjuga intensificação produtiva e soluções sustentáveis”, destacou.

Capdeville ressaltou ainda a necessidade de que essa agenda se torne cada vez mais proativa no que se refere a mudanças climáticas, cujos impactos já estão sendo sentidos em todo o mundo. “O café tem uma forte rede de parcerias para desenvolver programas de melhoramento genético e acredito que o foco dessas ações deve intensificar a busca de soluções para mitigar os estresses climáticos. Temos que aproveitar essa integração de expertises e o alinhamento com o setor produtivo para atuarmos de forma preventiva e não reativa”, concluiu.

Com a palavra, os parceiros de instituições de PD&I

Durante a solenidade, vários parceiros deram os seus depoimentos sobre a importância da Embrapa Café para o agro brasileiro.

Abrãao Carlos Verdin, diretor-presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), ressaltou a grande parceria da Unidade com o povo capixaba. Segundo ele, vários avanços foram obtidos para a cadeia produtiva de café do Espírito Santo ao longo desses 22 anos. “A agricultura pujante do estado hoje é fruto de um trabalho a várias mãos”, destacou.

Luiz Otávio de Magalhães, reitor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) pontuou que hoje a Bahia é o quarto maior produtor de café no Brasil e que isso é resultado da brilhante articulação entre instituições de PD&I e o setor produtivo, propiciada pelo Consórcio Pesquisa Café. Segundo ele, além de uma política exemplar de apoio às ações de PD&I, o Consórcio ampliou a capacidade econômica das instituições componentes.

Sílvio Galvão, diretor técnico-científico da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado do Rio de Janeiro (Pesagro) ressaltou a importância da cafeicultura para a geração de empregos e divisas.

Nilda Soares, diretora-executiva da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig), enfatizou a importância do Consórcio Pesquisa Café para a geração de cultivares de café mais produtivas. Ela destacou a MGS Paraiso 2, que alia qualidade à resistência a pragas e doenças.

Demetrius David da Silva, reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), lembrou a importância do Consórcio na integração entre pesquisa e transferência de tecnologias e destacou que essa união de expertises vem possibilitando um avanço qualitativo nas entregas à sociedade.

João Chrysostomo de Resende Júnior, reitor da Universidade Federal de Lavras (Ufla), lembrou que a Universidade mantém dois laboratórios liderados por pesquisadores da Embrapa, o de Fisiologia e o de Biologia Molecular. “O Consórcio permite que trabalhemos permanentemente com foco no desenvolvimento da inovação e sustentabilidade”, frisou.

Heitor Cantarella, vice-diretor do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), destacou a importância da cultura do café para a instituição, pioneira nas ações nessa área desde o Império. “O IAC é o primeiro centro de pesquisa de café no Brasil, inaugurado pelo Imperador João Pedro II. O Consórcio Pesquisa Café tem garantido a capilaridade e troca de informações, essenciais para garantir a liderança mundial do País nesse setor”, pontuou.

Representantes do setor produtivo também participaram do evento

 A solenidade comemorativa contou também com depoimentos de representantes do setor produtivo. Confira:

Marcos Matos, do Conselho de Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), enfatizou a importância de mostrar ao mundo que a agricultura brasileira é feita sob bases sustentáveis e o café é um exemplo concreto nesse sentido. Segundo ele, a Embrapa tem tido um papel fundamental para impulsionar a agricultura sustentável nos mercados interno e externo de café.

Silas Brasileiro, presidente-executivo do Conselho Nacional do Café (CNC), destacou que as ações de PD&I desenvolvidas pelo Consórcio têm garantido custos menores para a produção de café no Brasil, além de inserir definitivamente o País no mercado de cafés especiais.

Celírio Inácio da Silva, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), ressaltou os resultados robustos proporcionados pela Embrapa ao longo desses 22 anos. Como destaques, ele citou o Projeto Genoma Café (2004), que resultou na criação do maior banco de dados para café do mundo, com 200 mil sequências de DNA; o Programa Café e Saúde, que contou com vários parceiros, entre eles o Instituto do Coração – Incor, para comprovar os benefícios do produto para a saúde humana; e o desenvolvimento constante de variedades melhoradas.

Aguinaldo Lima, da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), destacou a governança inteligente do Consórcio, calcada na associação entre as ações de PD&I e as demandas do setor produtivo.

Breno Mesquita, da Comissão Nacional do Café da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), enfatizou a importância do Consórcio na capacitação do cafeicultor brasileiro. “Graças à integração promovida, a cafeicultura alcançou novos nichos e novos mercados”, concluiu.

Fonte: Embrapa Café

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