Especialistas explicam sobre os gafanhotos que avançam em direção ao Brasil

Julio Huber

Com a notícia da aproximação de uma nuvem de gafanhotos devoradores do território brasileiro, muitas dúvidas surgiram sobre como se forma esse fenômeno, que não havia sido registrado no Brasil desde 1946, quando os insetos causaram muitos prejuízos a lavouras do Sul brasileiro, segundo contam especialistas.

A reportagem do Portal da Revista Negócio Rural conversou com o pesquisador da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), Marcelo Lopes da Silva, que é presidente do Comitê Gestor do Portfólio de Sanidade Vegetal. Ele contou que a ocorrência de nuvens é um fenômeno periódico, sendo que em alguns anos fica mais intenso.

“A região do Chaco (Norte da Argentina, parte do Paraguai e Bolívia) é o local que reúne as condições favoráveis para a formação das nuvens de gafanhotos, que está relacionada às condições do ambiente, associadas a presença de uma densidade populacional alta do gafanhoto. Como resultado, há uma intensa proliferação de insetos, que passam a exibir um comportamento de voar em imensos bandos em busca de alimento”, explicou Marcelo.

O pesquisador informou que em 2017, nuvens formaram-se na Bolívia e chegaram a ficar próximas da fronteira do Brasil, mas dissiparam-se. “O gafanhoto em questão tem o nome científico de Schistocerca cancellata, o chamado gafanhoto migrador sul-americano. Ele também é encontrado no Brasil, mas ao contrário do que acontece no Chaco, não forma nuvens por aqui, exibindo um comportamento solitário”, informou.

Um vídeo feito por autoridades argentinas mostra a quantidade de gafanhotos da nuvem.

Segundo ele, não se deve confundir esses gafanhotos com outras espécies que em alguns anos também têm proliferado no Brasil, que são do gênero Rhammatocerus. “Eles também podem formar bandos, mas não exibem o comportamento de formar nuvens migradoras como o Schistocerca cancellata. Na África e Ásia, onde o problema de nuvens de gafanhotos está com uma persistência e abrangência anormal, temos outra espécie, a Schistocerca gregária”, relatou o especialista.

Especialista explica como é a procriação dos gafanhotos

A reportagem do Portal da Revista Negócio Rural também conversou com o pesquisador da Embrapa Clima Temperado, Dori Edson Nava, que está monitorando o avanço dos insetos em direção ao Brasil.

Segundo ele, o ideal seria ter combatido o inseto na fase jovem, na região onde eles surgiram, no Chaco. Entretanto, ele acrescentou que para isso necessitaria de ações conjuntas de países vizinhos. Dori explicou que para se formar uma grande nuvem de gafanhotos com a que está devorando lavouras e vegetação no Uruguai e Argentina, e que se aproxima do Brasil, é necessário considerar diversos fatores.

“Essa nuvem com milhões de gafanhotos se formou porque as condições foram favoráveis. É preciso vários anos com boas condições para atingir esse nível populacional e para os insetos migrarem. Esse assunto já vinha sendo monitorado desde 2015, mas os gafanhotos não foram combatidos em sua região de origem”, destacou o pesquisador.

Dori informou que como não havia mais alimento na região, devido a estiagem, e como a população de gafanhotos é muito grande, os insetos iniciaram a migração para outras áreas. “Tudo favoreceu para esse deslocamento, inclusive os ventos”, reforçou.

REPRODUÇÃO – O pesquisador explicou que as fêmeas colocam ovos no chão, em um pequeno buraco. Cada inseto pode colocar mais de 100 ovos, que demoram de 10 a 15 dias para eclodir, dependendo do clima. Na fase de ninfas, o gafanhoto passa por cinco estágios, até chegar à fase adulta.

“As fêmeas podem colocar ovos por onde essa nuvem passar, pois a maioria de gafanhotos é adultos. De acordo com o desenvolvimento das fases de vida até chegarem a adultos, aumenta também o consumo de alimentos. Temos relatos que plantações de milho e mandioca foram devoradas ao norte da Argentina e no Uruguai”, contou.

Segundo Dori Edson Nava, quanto maior é a temperatura, maior é o desenvolvimento dos insetos. “Normalmente os gafanhotos reproduzem uma geração por ano, podendo chegar a até duas, dependendo nas condições climáticas”, completou.

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