Especialistas irão falar sobre a onda de títulos verdes no Brasil

A nova onda de títulos verdes que se espalha pelo setor do agro brasileiro estará no centro das discussões no AgroBIT Brasil Evolution 2021. O evento, que acontece nos dias 9 e 10 de novembro próximo, traz dois painéis “verdes” que vão debater o conceito ESG e Bureau Verde de Crédito Rural, uma regulamentação criada pelo Banco Central.

Os títulos verdes ou “green bonds” estão se tornando amplamente reconhecidos como importantes alternativas de financiamento atrelado ao compromisso com critérios ambientais, sociais e de governança. Para explicar como os títulos verdes podem render bons resultados ao produtor rural, o AgroBIT convidou duas especialistas no assunto. A gerente do Programa de Agricultura do Brasil na Climate Bonds Initiative (CBI), Lilian Caetano, vai falar sobre ESG, sigla usada para se referir às melhores práticas ambientais, sociais e de governança, e a advogada Ticiane Figueirêdo, especialista em operações financeiras, que conduzirá o painel Bureau Verde de Crédito Rural.

De acordo com Lilian Caetano, apesar de novo, o termo ESG veio para ficar e deve crescer cada vez mais. “Será um prazer participar do evento e explicar o que é o conceito ESG sob a ótica do mercado de capitais. Falaremos especialmente do título verde, hoje o instrumento de financiamento verde mais consolidado no Brasil. Também abordaremos as várias formas de emissão e o grande potencial do agro brasileiro dentro do mercado de finanças sustentáveis”, explica Lilian.

A emissão de um título verde, segundo a especialista, é similar ao processo de emissão de um título de dívida convencional. A diferença, ressalta, está na alocação dos recursos: todo o investimento advindo da emissão de um título verde deve ser 100% direcionado ao financiamento de projetos e/ou ativos elegíveis como verde. “Existe uma gama de investidores sedenta por investimentos de impacto ambiental positivo. E eles sabem que o Brasil é um dos maiores detentores desse tipo de ativos”, acrescenta.

“Sabemos que a cobrança dos investidores por uma agricultura sustentável está crescendo, e a tendência é que esse comportamento continue nos próximos anos. Os produtores que entenderem o valor da agricultura sustentável certamente sairão na frente e garantirão seu espaço neste grande mercado”, finaliza.

Na América Latina, o Brasil é o segundo maior país em emissões de títulos verdes (somente atrás do Chile) com 10,3 bilhões de dólares, chegando a 11,7 bilhões de dólares se incluirmos social e sustentabilidade.

BUREAU VERDE – O painel do Bureau Verde de Crédito Rural, regulamentação criada pelo Banco Central do Brasil, será conduzido pela advogada Ticiane Figueirêdo, especialista em operações financeiras, com MBA em Agronegócio. Também participam do painel Marize Porto, da Fazenda Santa Brígida (GO), e o gerente de Desenvolvimento do Agronegócio da Sicredi União Paraná/São Paulo, Vitor Pasquini.

O Bureau Verde permitirá que as instituições financeiras verifiquem critérios socioambientais para a concessão de financiamentos para agricultores e pecuaristas. A regulamentação traz importantes diretrizes para o crédito rural. “A regulamentação servirá de parâmetro para padronizar análises atreladas a critérios ESG (ambientais, sociais e de governança)”, avalia Ticiane Figueiredo.

Ela vai explicar aos participantes do evento, por exemplo, o que esse novo sistema trará de mudanças dentro da porteira, quais os empreendimentos poderão ser financiados e o que diz a regulamentação do BC, entre outras questões de interesse do produtor e pecuarista. Em resumo, afirma Ticiane Figueirêdo, o Bureau Verde traz critérios de sustentabilidade aplicáveis na concessão do crédito e, também, na classificação de empreendimentos.

Fazenda Santa Brígida: modelo de sustentabilidade

A Fazenda Santa Brígida, no município de Ipameri, Goiás, se transformou, nos últimos 15 anos, em uma vitrine de tecnologias sustentáveis. Modelo de sustentabilidade da Rede ILPF – Integração Lavoura, Pecuária e Floresta – a fazenda é da dentista em ortodontia Marize Porto, que estará contando sua experiência no painel Bureau Verde de Crédito Rural.

Para entender a trajetória da fazenda é preciso voltar um pouco no tempo. Mãe de três filhos, Marize ficou viúva em 2002 e precisou assumir o comando da propriedade algum tempo depois.

“Agronegócio, fazenda, pecuária, mecanização eram atividades que não faziam parte do meu vocabulário. Isso mudou quando me deparei com a dura realidade de ser pai e mãe de três filhos adolescentes e ter que decidir entre vender ou assumir a fazenda da família, cuja realidade eram solos que se encontravam em estado de total degradação, improdutivos e gerando prejuízos”, conta ela.

Por não ser do ramo, e em um cenário onde suas preocupações eram apenas filhos a criar e contas a pagar, ela procurou conhecer a dinâmica de uma propriedade rural. “Entendi que haviam diversos desafios: os impostos pelo clima e mercados, a complexidade das tecnologias disponíveis e acima de tudo a viabilidade econômica daquele negócio”, conta.

Neste processo de aprendizado Marize teve diversas experiências marcantes. “Conheci a Embrapa e vários dos seus excelentes pesquisadores, me deparei com a irritante burocracia do nosso sistema de crédito rural e com a baixa qualificação da mão de obra do setor, entre outros fatores. Felizmente encontrei o que me parecia ser ao mesmo tempo revolucionário e a solução para os meus problemas na fazenda: nascia naquele momento a jornada da Integração Lavoura Pecuária Floresta, na Fazenda Santa Brígida”, recorda.

Após 15 anos de sistemas integrados ela pode dizer que saiu de um estado muito crítico, de terras improdutivas, para uma situação de alta produtividade de grãos e carne por hectare/ano. Tudo isso associado a uma floresta plantada que alia o fator econômico ao ambiental, proporcionando o conforto animal e sequestrando e fixando os gases efeito estufa emitidos por eles, equilibrando assim o ambiente. “Isto proporciona um produto sustentável, rastreável e certificável, que chegará à mesa de um consumidor cada vez mais exigente com a qualidade dos alimentos e as circunstâncias ambientais que eles foram produzidos”, completa Marize.

E fechando o conceito de sustentabilidade tem o fator social, com investimentos em saúde, educação e qualificação dos seus colaboradores. “Aliás, esta será a agropecuária do futuro: sustentável do ponto de vista ambiental, social e econômico, remunerando os investimentos dos produtores com a comercialização desses serviços ambientais. Com a ILPF é possível produzir, preservar e prosperar”, afirma.

SERVIÇO

Fonte: Conexão Agro

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