Inovação avança como resposta aos desafios dos pequenos negócios no Espírito Santo

Texto: Bruno Caetano, com informações do Programa Negócio Rural

Repensar processos, ajustar produtos, melhorar o atendimento ou encontrar novas formas de chegar ao cliente. A inovação tem aparecido cada vez mais como resposta prática aos desafios enfrentados pelos pequenos negócios em um mercado que exige por mudanças rápidas e pela necessidade constante de adaptação. 

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Longe de estar restrita à tecnologia de ponta, a inovação para muitos especialista, ela se torna eficiente quando é incorporada ao cotidiano de empreendedores de diferentes setores. Dados de uma pesquisa do Sebrae, realizada em 2024, ajudam a dimensionar esse movimento. O levantamento evidencia que 72% das pessoas que empreendem consideram a inovação essencial para a sobrevivência do negócio. 

Os impactos percebidos por quem já apostou em inovação são dos mais variados. A melhoria na qualidade de produtos ou serviços aparece como o principal resultado positivo, citada por 63% dos respondentes. Em seguida, vêm avanços no atendimento ao cliente e o fortalecimento da relação com o público, fatores diretamente ligados à competitividade dos pequenos negócios.

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A inovação além da tecnologia

Apesar dos resultados, ainda é comum associar inovação a altos investimentos ou soluções complexas. Mas o diretor técnico do Sebrae/ES, Eurípides Pedrinha, explica que essa percepção acaba afastando muitos empreendedores de mudanças possíveis e necessárias. 

“Caro ou barato, tudo é relativo. Depende da referência, do que funciona, de quanto funciona, do problema que resolve, do investimento realizado e da existência, ou não, de estudo por trás. No fim, é sempre um grande ‘depende’. Ainda assim, há algo em que acredito profundamente: é muito mais caro não inovar”, afirma.

Ele explica que a inovação muitas vezes começa em ajustes simples, ligados à organização interna e à eficiência dos processos. “O olhar da inovação está muito ligado a perceber uma inconveniência, uma demora ou um desperdício. Isso está presente no dia a dia dos negócios, em qualquer lugar”, diz.

Um exemplo é o setor de padarias, que passou por forte transformação nos últimos anos no Espírito Santo, mas ainda enfrenta gargalos operacionais. Segundo o diretor, mesmo com a modernização do setor, muitos estabelecimentos ainda deixam de adotar soluções simples e acessíveis. 

“Não estou falando de tecnologia de ponta, mas às vezes é uma balança integrada à comanda, um dispenser de café ou uma máquina de suco. São ferramentas disponíveis e baratas que ajudam a lidar com a falta de mão de obra e a ganhar eficiência”, comenta.

Essa compreensão ajuda a compreender por que áreas como marketing, varejo, tecnologia da informação, comunicação e inteligência artificial aparecem entre as mais citadas quando os empreendedores falam sobre onde buscam inovar. São campos diretamente conectados à rotina das empresas e à experiência do cliente.

Oportunidades no caminho da inovação

Mesmo com o avanço do tema, os obstáculos ainda são relevantes. A falta de recursos financeiros é apontada como o principal desafio para inovar, seguida pela dificuldade de encontrar mão de obra qualificada e pela falta de tempo para planejar e aplicar mudanças. Outro dado chama atenção: entre as empresas que afirmam já ter inovado, a maioria não acessou recursos por meio de editais ou programas de fomento.

Esse cenário reforça a importância de ambientes que promovam informação, troca de experiências e acesso a soluções. É nesse contexto que eventos voltados à inovação ganham relevância no Espírito Santo, ao reunir empreendedores, especialistas e instituições em torno de temas comuns.

ESX 2026 – Um desses espaços é o ESX 2026, maior evento de inovação do Estado, que chega na sua 6ª edição e acontece nos dias 11, 12 e 13 de junho, na Praça do Papa, em Vitória. Com programação das 13h às 21h, o evento se propõe a conectar diferentes atores do ecossistema capixaba, oferecendo conteúdos, experiências imersivas e oportunidades de networking.

Para Pedrinha, o ESX não é só um evento concentrado em alguns dias, mas surge como uma plataforma de articulação do ecossistema de inovação. “O ESX precisa convergir públicos específicos para experiências específicas. Ele não pode se resumir a um evento em si, mas precisa gerar conexões que continuem depois”, destaca.

A expectativa, segundo o diretor, é que em 2026, o encontro funcione cada vez mais como um espaço onde ideias ganhem forma, negócios encontrem soluções e empreendedores consigam enxergar, na prática, como a inovação pode ser aplicada ao dia a dia. “Inovar não é só criar algo novo. Muitas vezes é observar, testar e ajustar processos que já existem”, reforça Pedrinha.

Ao reunir dados, experiências práticas e espaços de troca, são essas iniciativas voltadas à inovação que contribuem para ampliar o debate e o acesso a soluções no Espírito Santo. Em vez de grandes rupturas, o movimento se constrói partir da presença de eventos, programas de apoio e exemplos aplicados no dia a dia dos negócios ajuda a criar um ambiente na qual a inovação passa a fazer parte da rotina de empreendedores de diferentes setores.

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