Instituto Nacional da Mata Atlântica registra 28 jacutingas nascidas em cativeiro e prepara reintrodução da espécie

Foto: Clarissa Schwartz

Um projeto de conservação conduzido pelo Instituto Nacional da Mata Atlântica avança no esforço de recuperar populações da jacutinga, ave ameaçada de extinção e considerada extinta no Espírito Santo. Desde 2023, a iniciativa já resultou no nascimento de 28 indivíduos no zoológico do instituto, em Santa Teresa, com foco na futura reintrodução desses animais na Mata Atlântica.

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O trabalho teve início após a chegada de sete jacutingas oriundas da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro. A partir desse grupo, os pesquisadores estruturaram um programa de reprodução sob cuidados humanos, priorizando bem-estar, manejo adequado e condições ambientais favoráveis. Segundo a equipe técnica, fatores como instalações apropriadas, alimentação balanceada, enriquecimento ambiental, clima e tranquilidade foram determinantes para o sucesso reprodutivo.

Para garantir o desenvolvimento dos embriões, os ovos são incubados artificialmente. Após a eclosão, os filhotes permanecem em ambientes com temperatura e umidade controladas até adquirirem força e estabilidade. Fora do habitat natural, a alimentação inclui ração comercial específica, além de frutas e verduras frescas.

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O preparo para a vida livre começa desde cedo. A equipe do INMA adota estratégias para reduzir o contato humano e tornar os recintos provisórios o mais semelhantes possível às florestas onde as aves deverão ser soltas. Elementos como folhas secas, vegetação natural e áreas isoladas da visitação pública são considerados essenciais para estimular comportamentos naturais e aumentar as chances de sobrevivência após a liberação.

De acordo com dados do Instituto Chico Mendes para a Conservação da Biodiversidade, a jacutinga (Aburria jacutinga) já ocorreu da Bahia ao Rio Grande do Sul, além de regiões da Argentina e do Paraguai. A caça, o desmatamento e a extração do palmito — um de seus principais alimentos — reduziram drasticamente a população da espécie, hoje estimada em menos de 2,5 mil indivíduos adultos no Brasil, concentrados sobretudo em Unidades de Conservação.

Além de símbolo da biodiversidade da Mata Atlântica, a jacutinga exerce papel ecológico estratégico. Ao se alimentar de frutos e dispersar sementes a longas distâncias, contribui diretamente para a regeneração florestal e para a manutenção dos ecossistemas.

O INMA também desenvolve um programa semelhante com o mutum-do-sudeste (Crax blumenbachii), ave endêmica igualmente ameaçada de extinção. Até o momento, oito indivíduos já nasceram sob cuidados humanos. A expectativa é iniciar, em breve, ações de reforço populacional em áreas onde a espécie ainda ocorre, como trechos da Mata Atlântica no sul da Bahia.

Fonte: INMA

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