Foto: Arquivo Pessoal

O jornalista capixaba Julio Huber foi eleito Jornalista do Ano no IFAJ Star Prize 2026, realizado pela International Federation of Agricultural Journalists (IFAJ). Este é um dos mais importantes reconhecimentos do jornalismo especializado em agricultura no mundo. Esta é a primeira vez que jornalismo brasileiro alcançou esse reconhecimento mundial.

A conquista foi anunciada no dia 19 de setembro, durante o congresso anual da entidade, realizado em Osijek, na Croácia, justamente no ano em que a IFAJ celebra seus 70 anos de história. Foram premiados jornalistas de 10 países em cinco categorias e em cinco formatos de mídia. Os critérios de avaliação variam conforme o suporte, mas incluem aspectos como estilo, credibilidade, clareza, originalidade, relevância, equilíbrio, pesquisa e mérito técnico.

Esta é a primeira vez que um jornalista brasileiro alcança o primeiro lugar em uma das categorias temáticas do Star Prize. Huber venceu a categoria Cultura Rural, com a reportagem “Caparaó: um território que transforma quem vive e quem visita”, e também ficou em segundo lugar na categoria Mídia Digital, com o trabalho “Regenerar é semear o amanhã”. As duas reportagens foram publicadas no portal da Revista Negócio Rural. 

Mas o reconhecimento não parou aí. Entre os vencedores das categorias temáticas e de formatos, a IFAJ selecionou os profissionais que disputariam o título de Jornalista do Ano. Julio Huber foi escolhido como um dos dois vencedores, ao lado da australiana Pip Courtney. O brasileiro foi reconhecido justamente pelo trabalho jornalístico desenvolvido sobre o Caparaó. Outro brasileiro premiado foi Ariosto Mesquita, com o segundo lugar na categoria Sustentabilidade. 

A IFAJ, que, em português significa Federação Internacional de Jornalistas Agrícolas, é uma associação profissional internacional, sem fins lucrativos e apartidária, que reúne mais de 5 mil jornalistas e comunicadores agrícolas de 62 países. A entidade atua no desenvolvimento profissional, no intercâmbio entre profissionais e no fortalecimento de redes internacionais de jornalismo, tendo como um de seus princípios a defesa da liberdade de imprensa. 

No Brasil, profissionais associados à Rede Brasil de Jornalistas Agro (Agrojor) integram a entidade. A presidente Vera Ondei recebeu, na Croácia, os prêmios em nome dos brasileiros das mãos do presidente da IFAJ, o norte-americano Steve Werblow, e do vice-presidente argentino, Ady Rossi. “Foi uma surpresa extraordinária levar esse título para casa, para associados da Rede Agrojor. Isso aponta como o jornalismo brasileiro tem potencial para mostrar o país ao mundo, e a Rede Agrojor pode ser um instrumento para que esses talentos se destaquem”, afirmou.

Uma notícia que chegou de forma inesperada

Presidente da Rede Agrojor, Vera Ondei representou o jornalista capixaba durante a premiação internacional anunciada na Croácia
Presidente da Rede Agrojor, Vera Ondei representou o jornalista capixaba durante a premiação internacional anunciada na Croácia

A dimensão da conquista talvez explique a surpresa de Julio ao descobrir que seu trabalho havia chegado ao topo do jornalismo agrícola mundial. Os dois trabalhos inscritos foram produzidos em 2025 e já tinham recebido premiações no Brasil. Ainda assim, ele não imaginava que alcançariam reconhecimento internacional.

A notícia chegou de maneira inusitada, enquanto ele estava em casa com a esposa e o filho. Ao acompanhar as mensagens no grupo da Agrojor, percebeu que os colegas comentavam sobre um jornalista chamado Julio. Aos poucos, descobriu que era ele o personagem das comemorações.

Primeiro veio a informação de que havia conquistado o segundo lugar em Mídia Digital. Depois, recebeu a confirmação do primeiro lugar em Cultura Rural. E, somente então, percebeu que foi o escolhido como Jornalista do Ano.

“Nenhum jornalista brasileiro havia ficado em primeiro lugar nesse prêmio. Só depois é que me dei conta de que, além desses dois prêmios, também fui eleito o jornalista do ano. Eu não acreditei e ainda estou sem acreditar nesse reconhecimento mundial”, relata Julio.

Com os reconhecimentos internacionais, Julio acumula 38 prêmios de jornalismo em sua carreira.
Com os reconhecimentos internacionais, Julio acumula 38 prêmios de jornalismo em sua carreira.

A emoção se mistura à dimensão profissional da conquista. Ao longo da carreira, Huber já acumula 38 prêmios de jornalismo, entre reconhecimentos estaduais, regionais e nacionais. Atualmente, é editor do portal e da revista Negócio Rural, do portal Montanhas Capixabas e do jornal O Noticiário. “Ser reconhecido como o melhor jornalista de agro do mundo pela IFAJ é algo que nunca imaginava”, afirma.

A conquista internacional de Julio Huber chega depois de quase duas décadas de atuação jornalística e de uma trajetória marcada pela cobertura do interior, da agricultura, do turismo, do empreendedorismo e das transformações vividas por comunidades rurais.

“Os dois trabalhos premiados têm em comum justamente essa característica: mostrar as pessoas, suas histórias, seus desafios e as transformações que acontecem no campo”, descreve o jornalista. Nesse cenário internacional, a presença de um jornalista capixaba entre os principais nomes da premiação representa também a projeção de histórias produzidas a partir do Espírito Santo para uma audiência mundial.

Reportagens que levam o Espírito Santo ao mundo

Foto: Julio Huber
Foto: Julio Huber

A reportagem que garantiu a Julio Huber o primeiro lugar em Cultura Rural e também contribuiu para sua escolha como Jornalista do Ano mergulha no Caparaó, região que reúne paisagens, agricultura, gastronomia, turismo e histórias de pessoas que transformaram suas propriedades e conhecimentos em oportunidades.

Produzida após uma viagem de mais de 1,2 mil quilômetros em quatro dias, a reportagem mostra como o turismo de experiência vem modificando a realidade econômica e social da região. O trabalho acompanha personagens como o “Guardião do Caparaó”, agricultores que abriram suas propriedades aos visitantes, produtores de trutas, empreendedores do turismo e cafeicultores que transformaram a produção de cafés especiais em experiências para os turistas.

Mais do que apresentar paisagens e empreendimentos, a reportagem revela as pessoas por trás da transformação do território. São histórias de agricultores que se tornaram empreendedores, famílias que passaram a receber visitantes em suas propriedades e moradores que encontraram no turismo uma maneira de gerar renda, preservar suas raízes e permanecer no campo. A produção também mostra a evolução da cafeicultura do Caparaó e como os cafés especiais passaram a fazer parte da experiência turística da região.

Da preservação do solo à transformação do campo

Foto: Morga Fotografia
Foto: Morga Fotografia

O segundo trabalho premiado, “Regenerar é semear o amanhã”, aborda outro tema de grande relevância para o futuro da agricultura: a produção sustentável e as práticas de agricultura regenerativa.

A reportagem acompanha cafeicultores capixabas que adotaram técnicas de recuperação e conservação do solo, produção orgânica, uso de bioinsumos e sistemas agroflorestais. Entre os personagens estão produtores de diferentes regiões do Espírito Santo que encontraram na agricultura regenerativa caminhos para produzir café, recuperar áreas degradadas e enfrentar desafios relacionados às mudanças climáticas.

O trabalho também mostra como cooperativas, instituições e empresas podem contribuir para essa transformação, oferecendo assistência técnica, financiamento, certificação e acesso a mercados.