Melhores cafés Fairtrade do Brasil são premiados e ganharão mercados mundiais

Fotos: BRFAIR

Julio Huber

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Reconhecer os melhores cafés produzidos de forma justa no Brasil. Esse é o objetivo do Golden Cup Brasil, concurso de qualidade de café destinado a premiar os melhores grãos Fairtrade produzidos por famílias de pequenos produtores e produtoras no país.

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Os cafés mineiros e capixabas se destacaram na edição 2023. Os grãos da variedade arábica produzidos pelo cafeicultor Ercilei José de Oliveira, da Cooperativa Regional Indústria e Comércio de Produtos Agrícolas do Povo Que Luta (Coorpol), de Manhuaçu (MG), foram os vencedores da categoria Arábica Microlotes.

Na categoria Arábica Container Cheio, que premia um lote de café selecionado por cooperativas e associações Fairtrade, a vencedora foi a Cooperativa Agropecuária dos Produtores Orgânicos de Nova Resende e Região (Coopervitae), de Nova Resende (MG).

Os cafés canephoras produzidos no Espírito Santo venceram as duas categorias da variedade. A Cooperativa dos Cafeicultores do Sul do Estado do Espírito Santo (Cafesul) foi a vencedora da categoria Canephora Container Cheio. Também da Cafesul, o cooperado Luiz Cláudio de Souza venceu a categoria Canephora Microlotes.

GOLDEN CUP – O concurso, que está em sua 9ª edição, entra cada vez mais no radar de compradores de todo o mundo, que a cada ano se interessam mais pelos lotes premiados. O interesse dos compradores se justifica pela qualidade, que se eleva a cada ano, e pelo trabalho de apresentação desses cafés nas principais feiras de cafés especiais do mundo, dentre elas: a World Specialty Coffee Conference and Exhibition (SCAJ), realizada em em Tóquio, Japão; Taiwan International Coffee Show, realizada em Taiwan, Japão; a Expo Café Show Seoul, realizada em Seoul, Coreia do Sul; a Specialty Coffee Expo (SCA), realizada anualmente nos EUA; e a World of Coffee (SCAE), realizada anualmente na Europa.

Premiados durante a Semana Internacional do Café (SIC), os três primeiros colocados em cada categoria receberem certificados e troféus da premiação. Todos os cafés finalistas receberam certificados com notas sensoriais e descrição completa, e serão enviados aos principais países consumidores de cafés especiais Fairtrade. Com isso, esses lotes de cafés receberão ofertas superiores aos preços pagos no mercado tradicional.

Presidente da BRFAIR e da Cafesul, Carlos Renato Theodoro reforçou a importância do concurso e também do recurso destinado pelas cooperativas e associações a ações de melhorias de qualidade dos grãos. No decorrer dos últimos anos, a Cafesul e seus cooperados venceram inúmeros concursos de qualidade do Brasil.

“Trabalhamos com café de qualidade desde 2010, e nos últimos anos temos colhido frutos desse trabalho, que são essas premiações. O mais importante é que não é apenas um produtor cooperado, mas vários que conquistam prêmios. Esse trabalho de apoio aos cooperados, com assistência técnica, orientações e ações estruturantes, sempre tem apoio dos recursos do Fairtrade”, disse.

Renato ainda informou que esses cafés de qualidade, tanto os de microlotes quanto os de container cheio, são exportados por um valor adicional. “Os resultados têm sido muito positivos e mostram a consistência do trabalho de qualidade e a disposição dos cooperados que quebraram um paradigma de que não havia canephora de qualidade”, comemorou.

A realização do Golden Cup é da Coordenadora Latino-Americana e do Caribe de Pequenos Produtores e Trabalhadores de Comercio Justo (CLAC), em parceria com a Associação das Organizações de Produtores Fairtrade do Brasil (BRFAIR), com o apoio da International Trade Centre (ITC) e Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA).

Especialistas destacam alta qualidade dos cafés Fairtrade do Brasil

E para falar da qualidade dos grãos premiados no Golden Cup, nada melhor do que quem provou e elegeu os melhores grãos deste ano. Sabrina Assunção Silveira, consultora de sustentabilidade da empresa NKG Stockler, é uma das especialistas. Para ela, a cada ano os cafés Fairtrade têm melhorado. “Encontrei cafés muito bons, com ótimos atributos. Isso mostra que o produtor tem se empenhado cada vez mais no aperfeiçoamento da qualidade dos seus cafés”, destacou.

A especialista ainda enfatizou a qualidade e as pontuações alcançadas dos cafés premiados, falou sobre a importância do Golden Cup. “Concursos são uma porta de entrada de relacionamentos para os produtores, além da premiação, o que os estimula a melhorar seu café para apresenta-los em um concurso de qualidade”, disse.

Quem também provou as amostras vencedoras foi a compradora de cafés especiais da empresa OFI (Olam Food and Ingredients), Camila Assis. “Os cafés estavam fantásticos, com notas sensoriais super diferenciadas, principalmente por várias regiões estarem entre os finalistas. Comparando com o ano passado, pudemos notar uma melhora na qualidade, e isso se deve ao cuidado que o produtor está tendo em sua colheita”, comentou.

Ela destacou que alguns cafés apresentaram notas muito específicas, como frutas tropicais, whisky e pipoca doce. “Com certeza o concurso motiva os produtores a terem todo cuidado durante sua produção, visando a participação no concurso e em ser reconhecido pela qualidade”, acrescentou.

Produtores viram colecionares de prêmios

Alguns cafeicultores estão colecionando troféus. Um deles é Luiz Cláudio Souza, que esse ano venceu pela 5ª vez a categoria Canephora Microlotes no Golden Cup. Além disso, o único ano que ele não venceu, ficou com a segunda colocação. Luiz Cláudio ainda coleciona outras 17 vitórias em concursos na cooperativa, no Espírito Santo e em importantes competições nacionais.

Ele enalteceu o trabalho que a Cafesul vem fazendo para estimular os cafeicultores e os apoiando na contínua melhora da qualidade dos grãos. “A certificação Fairtrade foi de fundamental importância para alcançarmos estes resultados. Boa parte do valor do prêmio social que a Cafesul recebe é aplicada em ações voltadas para a qualidade. Os produtores têm obrigação de produzir cafés com qualidade, oferecendo para o consumidor um excelente produto”, disse o veterano em premiações.

Ercilei José de Oliveira, da Coorpol, é bicampeão do Golden Cup. O cafeicultor também venceu pelo menos mais 12 concursos de qualidade, além de outros que tiveram a esposa e irmãos como vencedores. Ele destacou a importância da cooperativa nesse processo de melhoria de qualidade dos grãos.

“Eu conheci o que é café especial pela Coorpol. O primeiro curso de pós-colheita que fiz foi pela cooperativa. Sem dúvida o Fairtrade, por meio da cooperativa, é um dos principais responsáveis por produzimos hoje café de qualidade. Desde que passamos a ser certificados Fairtrade, muita coisa mudou. Antes, não sobrava dinheiro da colheita, hoje o retorno é muito maior”, contou.

O campeão falou que uma das suas alegrias é ver as pessoas provarem seu café e elogiarem. “A pessoa que toma um café especial fica feliz. Quando vemos alguém tomando nosso café e ver no semblante a felicidade, não tem prêmio melhor. Isso é um estímulo”, completou.

Pensamento parecido tem o presidente da Coopervitae, Alessandro Marcos de Miranda, que comemorou mais uma premiação da cooperativa no Golden Cup. Desde 2019, a Coopervitae tem ficando entre as primeiras colocações no Golden Cup, sendo dois primeiros lugares na categoria Arábica Microlotes. Na categoria Arábica Container Cheio, a cooperativa faturou duas vezes a primeira colocação e duas vezes a segunda colocação.

“Para nós é muito gratificante ver a evolução e constância na qualidade dos cafés de nossos produtores, pois são cinco anos consecutivos que estamos entre os três melhores, sendo quatro deles em primeiro lugar. Agradecemos muito ao Fairtrade, pois graças ao prêmio e aos critérios, nossos produtores conseguem ser mais organizados e aprendem a cuidar melhor dos cafés”, destacou.

O dirigente cooperativo contou que a Coopervitae tem investido em ações de estímulo à qualidade, com apoio de recursos do Fairtrade. Além disso, ele falou da importância do Golden Cup. “É a oportunidade de mostrar para o mundo o que temos para oferecer, criar novas parcerias e ser reconhecidos pelo nosso trabalho. Estamos muito felizes com a BRFAIR e com o Fairtrade”, afirmou.

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