Mercado futuro do leite avança e amplia proteção para produtores contra oscilações de preços

Foto:Freepik

A cadeia produtiva do leite no Brasil passou a contar, desde maio, com uma nova ferramenta voltada à gestão de riscos: o mercado futuro de leite. O modelo permite que produtores e compradores negociem contratos com entrega em data futura e preço previamente definido, reduzindo os impactos provocados pelas oscilações do mercado e oferecendo maior previsibilidade para o planejamento da atividade.

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O tema foi discutido durante reunião da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite do Sistema FAEP, que reuniu representantes do setor para avaliar os primeiros passos da ferramenta e discutir outros desafios enfrentados pela produção leiteira.

Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o mercado futuro representa um avanço importante para a atividade, já que amplia a segurança financeira dos produtores e aproxima o leite de outras cadeias agropecuárias que já utilizam esse tipo de instrumento, como soja, milho e boi gordo.

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Para explicar o funcionamento da ferramenta, a reunião contou com a participação da gerente de riscos da StoneX Leite Brasil, Marianne Tufani. Ela destacou que grande parte do mercado internacional de leite já utiliza contratos futuros como estratégia para reduzir riscos e afirmou que o primeiro passo para aderir ao sistema é abrir uma conta em uma corretora habilitada, processo que não possui custo, mas exige análise documental.

O presidente da Comissão Técnica de Bovinocultura de Leite, Eduardo Lucacin, afirmou que a adoção da ferramenta depende, principalmente, do conhecimento que o produtor tem sobre seus custos de produção. Segundo ele, compreender a estrutura financeira da propriedade é fundamental para identificar o momento mais adequado de fixar preços.

O desenvolvimento do mercado futuro de leite contou com a participação do Sistema FAEP, StoneX Leite Brasil, Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP) e Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Além da nova modalidade de negociação, a comissão debateu outros temas considerados prioritários para o setor. Entre eles, os produtores voltaram a relatar prejuízos provocados por falhas no fornecimento de energia elétrica, como perda de leite armazenado e danos a equipamentos utilizados nas propriedades. O grupo também discutiu medidas para ampliar a competitividade da atividade e alternativas para reduzir esses impactos.

A sanidade do rebanho também esteve entre os assuntos da reunião. Os participantes reforçaram a importância do controle da brucelose, destacando que o combate à doença é essencial para elevar os padrões sanitários da produção brasileira e ampliar a competitividade do leite nacional no mercado internacional.

Outro ponto debatido foi o potencial de agregação de valor aos derivados do leite. A comissão avaliou oportunidades de ampliar a rentabilidade da cadeia por meio da produção de ingredientes como proteína do soro (whey) e concentrado proteico do leite, acompanhando as tendências de mercado e novas demandas da indústria.

Fonte: Faep

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