Mulheres do campo receberão qualificação profissional gratuita

Uma iniciativa que nasceu do desejo de enfrentar a violência contra mulheres do campo diante do desafio de alcançar comunidades rurais brasileiras. Esta é a missão que norteia o programa Agricultura da Vida, uma ação do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), lançado na última sexta-feira (25), na Faculdade Sebrae, na capital paulista.

A parceria, assinada por meio de um acordo de cooperação técnica, envolve, além do Poder Executivo, o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo (Sebrae-SP) e o Sistema FAESP/SENAR-SP (Faculdade Evangélica de São Paulo e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural).

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Mil vagas já estão disponibilizadas para o curso que visa capacitar mulheres do campo para a produção de alimentos saudáveis durante a gravidez e a maternidade. A formação é on-line, gratuita e faz parte das ações do Programa Mães do Brasil. A iniciativa é MMFDH, em parceria com a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

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Para uma plateia formada por mulheres empreendedoras, a Faculdade Sebrae – a primeira voltada para o empreendedorismo no Brasil – foi palco para a promoção dos direitos das mulheres a partir da inspiração, sensibilização e orientação de diversas entidades com vistas à promoção da autonomia financeira e consequente enfrentamento à violência doméstica.

Ao parabenizar o ambiente marcado pela inclusão, com intérprete de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais) e audiodescrição, a ministra Cristiane Britto ressaltou a importância de que a comunicação atinja a todos. “Não podemos nos esquecer das pessoas que têm baixa visão, entre outras condições, e que podem estar nos acompanhando presencialmente ou virtualmente”, alertou a titular da pasta dos Direitos Humanos.

Mulher do campo, mulher empreendedora

Cristiane Britto aproveitou o evento para contextualizar o público sobre o nascimento do projeto. “Não é fácil chegar ao campo e falar de violência doméstica. Para ter um trabalho efetivo e com capilaridade, aqui na Fesp, lancei o desafio de fazer com que as dificuldades não impeçam o nosso avanço. Por isso, o lançamento que acontece hoje veio de um desejo: promover a ação “Maria da Penha vai à Roça”, revelou a ministra, em alusão ao programa Maria da Penha vai à Escola. 

Nesse sentido, a ministra destacou as ações que impactam a vida das mulheres brasileiras na projeção econômica, muitas vezes retirando a população feminina de possíveis ciclos de violência. É o caso do Qualifica Mulher e do Mães do Brasil.

“O que queremos com todas essas iniciativas é preservar a dignidade da mulher, retirando-a de cenários de violações dos direitos humanos. Precisamos disseminar informações. Muitas vezes, a mulher do campo não sabe o que é o Ligue 180, um canal que funciona 24h por dia, inclusive por WhatsApp”, salientou Cristiane Britto, destacando também o anonimato preservado pelo Disque 100, da Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, e a escuta humanizada dos profissionais da central de atendimento.

O lançamento do Agricultura da Vida, nas palavras da ministra, também está ligado à missão de reduzir a violência contra a mulher. “Quando a gente fala de família, também está falando sobre prevenção. Não se trata apenas da qualificação isolada, mas também de lutar contra todo o tipo de violência e atuar na preservação dos direitos humanos resguardados pela nossa constituição”, apontou, ao relembrar que, nesta sexta-feira (25), é celebrado o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra as Mulheres.

“Neste momento, devemos colocar de lado tudo o que nos desune para colocar a mulher no centro do debate. Isso faz toda a diferença, principalmente após dois anos de pandemia que afetou e ainda afeta proporcionalmente mais as mulheres brasileiras. Por isso, é a força da mulher brasileira que irá alavancar a economia do país”, declarou a gestora.

“Nesse contexto, refletimos sobre como a mulher, em isolamento social, dependendo financeiramente do seu agressor, poderia sair da violência. Assim, nasceu o Qualifica Mulher, ainda em 2020, pois nossas cidadãs precisavam de uma saída. Nossas mulheres e nossas crianças não precisam de um favor. Precisam de uma vida digna”, enfatizou a gestora.

União de esforços

Representando o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes, a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico do Trabalho, Aline Cardoso, enalteceu a presença de mulheres no evento e a força empreendedora que move o estado paulista. “Gostaria que não tivéssemos apenas um dia para celebrar a projeção econômica feminina. A mulher empreendedora luta 365 dias por ano. Todos esses dias são nossos dias”, afirmou.

“Hoje, a mulher empreendedora está em tudo. Na agricultura também. 28% do território da capital de São Paulo é composto por zonas rurais. Temos, em nossa região, mil pontos de agricultura. Por isso, vemos com bons olhos o apoio à mulher na agricultura”, sinalizou a representante da Prefeitura de SP, Aline Cardoso.

O superintendente do Senar-SP, Mário Antônio Biral, destacou a capacitação e o treinamento de produtores rurais como missão da entidade da qual faz parte. “Estamos há quase três décadas, hoje com 180 mil cursos já realizados, percebendo que a mulher tem participado, cada vez mais, da gestão da propriedade rural. Dentro das famílias, as mulheres se destacam ao gerir a vida de todos”, observou. 

Para o diretor de Administração e Finanças, Guilherme Campos, o cuidado e a disseminação de informações são chave de virada para uma vida autônoma. “Todos do Sebrae têm a missão de levar conhecimento e fazer a experiência chegar na ponta. Sabemos que uma ação com a União, os estados e os municípios acontece com mais efetividade do que em casos isolados”, aponta Campos, ao saudar a presença da executiva e fundadora da Virada Feminina, Dalva Christofoletti, que atua há 68 anos no mercado de trabalho.

Em seguida, o diretor técnico do Sebrae-SP, Ivan Hussni, abriu mão da palavra e cedeu a vez à Dalva Christofoletti em ato simbólico no tocante à representação feminina no país.

“Graças ao trabalho do Sebrae, podemos dar aos municípios aquilo que, muitas vezes, eles não têm: profissionais capacitados. Eu, enquanto fundadora da Confederação Nacional dos Municípios, não poderia deixar de agradecer a oportunidade de estar aqui com vocês e reconhecer que envelhecer é uma arte”, registrou, ao comentar que “o privilégio de viver é um dom único”. A executiva, que tem 86 anos de vida, finalizou a fala enaltecendo a aceitação das diferenças e o respeito ao próximo como segredos para uma vida mais saudável.

Por fim, o presidente do Sebrae/SP e vice-presidente da FAESP/SENAR-SP, Tirso Meirelles, disse que a parceria assinada entre as entidades com o governo federal “representa uma força de muita referência”. “Só vamos conseguir mudar algo quando todos nós nos unirmos. Plantaremos mais sementes para, no futuro, as pessoas colherem frutos do nosso empenho”, finalizou.

A programação do evento segue até as 18h desta sexta-feira e conta com palestras, painéis, exposição de diversos segmentos para divulgação e comercialização de produtos. A transmissão ao vivo pode ser acompanhada pelo canal do YouTube do MMFDH.

Compuseram o evento as representantes das secretarias nacionais da Criança e do Adolescente, Fernanda Monteiro; da Família, Angela Gandra; e de Políticas para Mulheres, Fernanda Marsaro. Estavam presentes, ainda, entidades parceiras como a Conab, a Embrapa, o Instituto Federal de São Paulo, a Aliança Empreendedora e o Banco do Brasil – além de mulheres empresárias.

AÇÕES – Dentro dessa perspectiva, o Qualifica Mulher – sob gestão do MMFDH – destaca-se pela capacitação de mais de 300 mil mulheres no Brasil desde a implementação do programa, a partir da publicação da Portaria n° 3.175 de 2020. Com uma rede de parcerias com o poder público e as instituições privadas, o Qualifica impulsiona ações de qualificação profissional, trabalho e empreendedorismo para a geração de emprego e renda para as mulheres em situação de vulnerabilidade social.

Braço das ações que possibilitaram o lançamento do Agricultura da Vida, o programa Mães do Brasil é uma estratégia de promoção de políticas públicas destinadas à proteção integral da dignidade das mulheres, a fim de ampará-las no exercício da maternidade, desde a concepção até o cuidado com os filhos. A iniciativa nacional foi instituída pelo Decreto nº 10.987, de 8 de março de 2022, no Dia Internacional da Mulher.

Fonte: MMFDH

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