Parceria internacional leva inteligência geoespacial para fortalecer a cafeicultura

O Conselho Nacional do Café participou, em Belo Horizonte, da apresentação do Projeto COMUNIDAD – dos dados à ação, ampliando impacto na América Latina. A iniciativa internacional utiliza inteligência de dados geoespaciais para apoiar a agricultura, ampliar a sustentabilidade ambiental e melhorar o planejamento territorial nas regiões produtoras.
O encontro ocorreu na sede da Emater-MG, por iniciativa da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Minas Gerais, em parceria com instituições como Epamig, Instituto Mineiro de Agropecuária, Embaixada da República Tcheca no Brasil e a Universidade Tcheca de Ciências da Vida. A reunião teve como foco avaliar uma possível cooperação tecnológica entre Minas Gerais e a República Tcheca voltada ao desenvolvimento da cafeicultura.
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Criado pelo governo tcheco, o Projeto COMUNIDAD já foi implantado em países como Colômbia e Chile. A plataforma integra dados de satélite e informações territoriais para oferecer aos produtores uma leitura estratégica do território, contribuindo para aumentar a produtividade, reduzir vulnerabilidades climáticas e promover práticas sustentáveis no campo.
Durante o evento, pesquisadores europeus apresentaram a estrutura tecnológica da ferramenta, suas funcionalidades e resultados técnicos já registrados. A proposta é adaptar o sistema à realidade brasileira, considerando desafios como doenças do cafeeiro, estresse hídrico, incêndios florestais e processos de erosão do solo.
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O secretário-adjunto de Agricultura de Minas Gerais, João Ricardo Albanez, destacou que experiências internacionais baseadas em dados podem apoiar instituições e produtores na tomada de decisões mais precisas, especialmente em um cenário marcado por mudanças climáticas e novas exigências ambientais.
Cafeicultura mineira ganha destaque com uso de dados geoespaciais
Como parte da programação, a Emater-MG apresentou o mapeamento do parque cafeeiro mineiro, desenvolvido com imagens de satélite e validação em campo. Minas Gerais é atualmente o maior produtor de café do Brasil, responsável por aproximadamente metade da produção nacional, com cerca de 26 milhões de sacas cultivadas em 1,3 milhão de hectares e aproximadamente 142 mil cafeicultores.
Em 2025, o café produzido no estado chegou a mais de 90 países, tendo como principais mercados a União Europeia, os Estados Unidos, o Japão e a Colômbia, com faturamento estimado em US$ 10,2 bilhões.
O mapeamento abrange 460 municípios produtores e permite maior precisão nas estimativas de safra, além de identificar áreas de cafés diferenciados e sua relação com os territórios de origem. As informações são disponibilizadas por meio de um geoportal desenvolvido em parceria com diversas instituições.
Também foi apresentada a plataforma Selo Verde MG, criada pela UFMG em parceria com o Governo de Minas Gerais. A ferramenta, pública e gratuita, amplia a rastreabilidade das cadeias produtivas e comprova a conformidade ambiental das propriedades rurais. Segundo os dados apresentados, mais de 90% das áreas cafeeiras do estado não possuem produção associada ao desmatamento.
Cooperação internacional mira inovação e sustentabilidade
A embaixadora da República Tcheca no Brasil, Pavla Havrlikova, ressaltou o reconhecimento internacional do café brasileiro e destacou o potencial de cooperação científica entre os países. Segundo ela, o Projeto COMUNIDAD já conecta diferentes nações latino-americanas e pode ampliar o desenvolvimento sustentável por meio da ciência aplicada à agricultura.
Ao final do encontro, foi anunciada a criação de um grupo de trabalho envolvendo instituições mineiras, universidades e representantes do projeto para definir os próximos passos da parceria. O Conselho Nacional do Café manifestou apoio à iniciativa e reforçou o compromisso do setor com a inovação, a sustentabilidade e o fortalecimento da cafeicultura brasileira.
Participaram do encontro representantes da Seapa, Emater-MG, Epamig, IMA, UFMG, IEF, Ocemg, Faemg, CNC, Ufla e do Centro Nacional de Investigadores de Café (Cenicafé), da Colômbia.
Fonte: CNC
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