Produção industrial cresce 5,4% em dezembro no Espírito Santo

Os dados da Pesquisa Industrial Mensal de Produção Física (PIM-PF), referente a dezembro do ano passado, foram divulgados ontem (09) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme analisado pelo Instituto de Desenvolvimento Industrial do Espírito Santo (Ideies), a atividade industrial capixaba encerrou o mês de dezembro com um crescimento de 5,4% – o melhor desde dezembro de 2016. 

Considerando todo o ano de 2020, a produção industrial do Brasil encerrou o período com uma retração acumulada de -4,5%, a segunda queda anual consecutiva no setor. No país, 11 dos 14 Estados pesquisados tiveram uma produção industrial menor que a de 2019.

No Espírito Santo, a produção industrial anual retraiu -13,9% em 2020, terceiro ano de queda neste indicador. A indústria extrativa (-28,9%) foi o setor que exerceu a maior contribuição negativa no resultado da indústria geral. A indústria de transformação capixaba caiu -0,9% em 2020.

“A indústria vem sofrendo perdas desde antes da pandemia, devido ao elevado Custo Brasil, que mina a competitividade da indústria brasileira. A série histórica do IBGE mostra que, nos últimos 12 anos, de 2009 a 2020, a perda acumulada da produção industrial é de 16,5%. É por isso que, juntamente com a CNI (Confederação Nacional das Indústrias), temos defendido intensamente uma política industrial, com apoio ao desenvolvimento tecnológico, e as reformas estruturais, principalmente a tributária e administrativa. A tributária, em especial, seria um grande avanço”, afirma a presidente da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Cris Samorini.

Segundo ela, com a definição das eleições da Câmara e do Senado, o Congresso poderá deslanchar as reformas, para que se tenha uma retomada sustentável da economia. “Estamos otimistas: no Plano ES Convivência Consciente, que construímos junto com o governo estadual, temos previsão de R$ 5,8 bilhões de investimentos somente no setor industrial, nos próximos dois anos. A CNI estima que o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) será de 4% neste ano. Estamos confiantes, e com motivos para isso. Encerramos o mês de dezembro com um crescimento de 5,4%, o melhor desde dezembro de 2016″, afirma Cris Samorini.

O ano de 2020 se mostrou desafiador para indústria, especialmente, para a do Espírito Santo, que registrou a maior queda no acumulado do ano (-13,9%) entre os Estados pesquisados pela PIM-PF. Com as medidas de distanciamento para combater o coronavírus adotadas pelos países, a indústria do Espírito Santo, que tem no comércio exterior um importante meio de escoamento da produção, foi bastante atingida e, em maio de 2020, alcançou o menor nível de produção física na série história iniciada em 2002.

Até dezembro de 2020, a indústria capixaba ainda se encontrava -5,3% abaixo do patamar produtivo pré-pandemia (fevereiro de 2020), principalmente, em função do menor desempenho da indústria extrativa. Contudo, a indústria de transformação se recuperou e ficou 6,0% acima da produção registrada no mês anterior ao início pandemia no Brasil.

“A pandemia da Covid-19 intensificou o desempenho negativo da produção industrial capixaba. Apenas em 2020, a indústria capixaba caiu 13,9% – a maior queda entre os estados pesquisados pelo IBGE. São três anos consecutivos de redução da atividade industrial (queda de -15,1% em 2019 e -1,7% em 2018), puxada, principalmente, pela indústria extrativa (-28,9% em 2020, – 21,1% em 2019 e -0,8% em 2018). Esses números evidenciam ainda mais a necessidade do avanço de importantes agendas para o Estado, tais como o Indústria 2035 – Planejamento Estratégico da indústria do ES, que traça as ações necessárias para o desenvolvimento dos setores portadores de futuro, o Plano Espírito Santo – Convivência Consciente, que busca organizar e acelerar a retomada da atividade econômica, em especial, no vetor de atração de novos investimentos, bem como na estruturação de projetos de concessão de serviços públicos estaduais e municipais. Caminhar nessas pautas é fundamental para a retomada do crescimento da indústria capixaba”, disse Marcelo Saintive, economista-chefe da Findes e Diretor Executivo do Ideies

Principais destaques setoriais do resultado da PIM-PF em 2020  

  • O principal destaque positivo no ano foi o crescimento de 21,8% na fabricação de celulose, papel e produtos de papel, puxada pela expansão da demanda mundial, principalmente na China e na Europa, por celulose de fibra curta para a produção de papel.
  • A fabricação de produtos alimentícios cresceu 3,0% em 2020, influenciada pela maior produção de bombons e chocolates, açúcar cristal e massas alimentícias secas.
  • O desempenho da fabricação de produtos de minerais não-metálicos (1,6%) no ano passado foi beneficiado pelo aumento na fabricação de cimentos “portland“ para atender a alta demanda pelo produto no setor de construção. Nos últimos meses de 2020, a produção de rochas ornamentais também impulsionou esse setor capixaba.
  • A metalurgia retraiu -15,6% no Estado, desempenho que foi impactado pela menor demanda mundial por aço, por causa da crise Covid-19, que levou ao desligamento do alto-forno 3 da planta da AcerlorMittal no Estado. Esse alto-forno e o de nº 2 já foram religados no final de 2020.
  • A queda da indústria extrativa (-28,9%) em 2020 foi devido à menor produção de minério de ferro pelotizado e de óleo bruto de petróleo e gás natural. Ressalta-se que em dezembro de 2020, após cinco anos paralisada, a Samarco iniciou o processo de retomada da produção no Estado. E, no final do 4º trimestre de 2020 a Vale também retornou parcialmente todas as operações de finos de minério desativadas desde de 2019 no Complexo Vargem Grande (Brumadinho/MG), que abastece a planta da empresa no Espírito Santo. Essas retomadas de produção poderão beneficiar o resultado da indústria capixaba ao longo de 2021.

Fonte: Findes

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