Santa Maria de Jetibá recebe encontro técnico sobre cultura do gengibre

Mais de 300 pessoas estiveram presentes no encontro técnico em Santa Maria de Jetibá, que trouxe discussões a respeito de práticas e técnicas sustentáveis para promover a garantia da qualidade pós-colheita do gengibre para exportação. O evento foi realizado na tarde dessa quinta-feira (10), no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Espírito Santo (Ifes) – campus Centro-Serrano.

De acordo com a diretora-técnica do Incaper, Sheila Cristina Prucoli Posse, a cultura do gengibre tem crescido muito na região serrana do Espírito Santo. “Nós produzimos hoje um dos melhores gengibres do mundo e, por este motivo, é uma grande satisfação trocar experiências entre os agricultores e com todos os envolvidos, para que possamos nos aprimorar em relação a um conjunto de tecnologias que visa a estimular e a qualificar a produção dessa cultura”, disse.

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A programação contou com palestras sobre pragas e doenças na pós-colheita do gengibre, ministrada pelos pesquisadores do Incaper José Salazar Zanuncio Junior e Hélcio Costa, e sobre a importância da colheita e pós-colheita na cadeia produtiva do gengibre, apresentada pelo extensionista do escritório local do Incaper em Santa Leopoldina, João Paulo Ramos. 

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Hélcio Costa salientou que os produtores devem manter os devidos cuidados com as mudas, fazer um bom preparo de solo, se necessário com orientações, e buscar os laboratórios disponíveis para investigar as suspeitas de doenças, antes de confirmarem qualquer diagnóstico. “Muitos produtores têm reclamado da ocorrência da Murcha de Fusarium no gengibre, mas é preciso que seja entregue este material nos laboratórios disponíveis para que seja feito a avaliação correta”, explicou.

João Paulo Ramos, lembrou que de 2012 até este ano, o Brasil apontou um acréscimo na produção de gengibre de mais de 900%, considerando que 90% da produção acontece na região serrana do Estado. Segundo Ramos, desde 2021, o Espírito Santo passou a exportar mais de 2.100 conteiners de gengibre. “Esses números apontam ainda mais a certeza de uma cultura que tem transformado a vida das famílias rurais, uma vez que tem um modelo de produção adaptável para os agricultores familiares, com pouca mão de obra e uma alta produtividade em pequenas áreas”, ressaltou.

O produtor rural Pedro Henrique Rodrigues exporta gengibre há, aproximadamente, quatro anos para a Europa, a América do Norte e também para os mercados brasileiros. Segundo ele, o investimento em qualidade na cultura é um dos pontos cruciais para se obter sucesso. “Este encontro nos deu mais uma oportunidade para trocarmos nossas experiências e aprimorarmos os nossos conhecimentos em busca de melhorias na nossa produção e, cada vez mais, de bons profissionais. Isso muda a vida das famílias produtoras de gengibre”, acrescentou.

A produtora de gengibre Leonarda Maria Plaster, presidente da Cooperativa dos Produtores de Gengibre da Região Serrana do Espirito Santo (Coopginger), complementou que, uma vez que a exportação do gengibre tem crescido, a responsabilidade da qualidade na cultura não é apenas do produtor rural, mas também do Estado quanto ao apoio aos seus direitos.  

“Precisamos de apoio em relação às melhorias que colaboram para o fortalecimento nas relações comerciais, viabilizando maior profissionalização e infraestrutura para o crescimento da cultura, com resultados satisfatórios, pautado em valores de ética e sustentabilidade com a natureza e a valorização da produção das famílias rurais brasileiras”, frisou Leonarda Plaster.

O evento contou com a mesa de honra, composta pelo reitor do Ifes, Jadir José Pela; o secretário de Estado da Agricultura, Paulo Foletto; o presidente do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Antônio Carlos Machado; o prefeito de Santa Maria de Jetibá, Hilário Roepke; o exportador de gengibre e proprietário da Pommer Ginger, Wanderley Sthur; e o professor do Ifes do Campus de Alegre, Sávio Berili.

“O encontro técnico do gengibre foi uma iniciativa do Incaper para promover as técnicas na pós-colheita. Essa especiaria eleva o destaque do Espírito Santo em níveis nacional e mundial. Para conquistarmos ainda mais os mercados internacionais, um produto de qualidade superior é essencial. O Incaper tem a premissa de dar assistência técnica e compartilhar os conhecimentos científicos com os produtores para que o gengibre obtenha qualidade ímpar. O Instituto agradece a todos os parceiros e produtores envolvidos no encontro”, disse Antônio Machado, diretor-presidente do Incaper.

“O Estado é o maior produtor e exportador nacional de gengibre, com um produto reconhecido nacional e internacionalmente. Por isso, o encontro técnico é de suma importância para que possamos debater os desafios e oportunidades do setor. Ações voltadas para as práticas agrícolas na produção do gengibre vão melhorar a qualidade do produto, agregando valor e gerando emprego e renda”, pontuou o secretário de Estado da Agricultura, Paulo Foletto.

O encontro foi realizado pelo Incaper, por meio da Diretoria Técnica do Instituto, com as equipes do Centro de Pesquisa Desenvolvimento e Inovação (CPDI) Serrano e do Escritório Local de Desenvolvimento Rural (ELDR) de Santa Leopoldina e teve o apoio da Prefeitura de Santa Maria de Jetibá.

O GENGIBRE – Segundo informações do Livro do Gengibre, organizado por pesquisadores do Incaper e disponível na Biblioteca Rui Tendinha, no Espírito Santo, o cultivo está concentrado na região central serrana do Estado, com altitudes que variam de 500 a 800 metros, onde a principal exploração é a olericultura.

A atividade é desenvolvida por pequenos produtores da agricultura familiar, predominantemente de origem germânica, a maioria descendentes de pomeranos e que têm pequenas propriedades encravadas na Região de Montanhas do Estado, onde se encontra uma expressiva cobertura de Mata Atlântica e cujos maiores produtores são os municípios de Santa Leopoldina e Santa Maria de Jetibá.

O grande aumento do consumo interno e o incremento das exportações para países não tradicionalmente consumidores estão contribuindo para o crescimento das áreas de plantio e para a fixação do homem no campo, fazendo dessa hortaliça uma grande opção de cultivo.

Fonte: Incaper

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