Startup brasileira entra em lista mundial de tecnologias para prevenir riscos ambientais
Fotos: Divulgação

Uma plataforma digital criada no Brasil para identificar riscos ambientais que podem afetar empresas e cadeias produtivas foi incluída entre as 12 melhores soluções do mundo voltadas à prevenção de desastres e à gestão de impactos da natureza sobre os negócios. O reconhecimento foi concedido no desafio internacional “Nature Intelligence for Business”, promovido pela Taskforce on Nature-related Financial Disclosures (TNFD) em parceria com a ConservationXLabs.
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A tecnologia foi desenvolvida pela startup brasileira LandPrint, que atua no cruzamento entre ciência ambiental, análise de dados e finanças. A plataforma transforma informações ambientais — como qualidade do solo, disponibilidade de água, biodiversidade e estabilidade climática — em indicadores de risco e desempenho econômico para empresas e instituições financeiras.
A premiação reuniu iniciativas de vários países capazes de transformar dados ambientais complexos em ferramentas práticas de gestão de risco. O desafio contou com apoio do governo da Alemanha e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), buscando tecnologias que ajudem empresas a integrar variáveis ambientais às decisões financeiras.
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Natureza como fator de risco econômico
A iniciativa surge em um momento em que cresce a pressão global para que empresas e investidores mensurem de forma mais precisa os impactos da degradação ambiental sobre suas operações. A própria Taskforce on Nature-related Financial Disclosures vem se consolidando como uma das principais referências internacionais para relatórios corporativos sobre riscos relacionados à natureza.
Mais de 700 empresas em cerca de 50 países já utilizam os padrões da TNFD para avaliar como suas atividades afetam ecossistemas e, ao mesmo tempo, como a perda de recursos naturais pode se transformar em riscos operacionais, financeiros ou reputacionais.
Segundo Daniele Cesano, fundador e CEO da LandPrint, um dos desafios ainda pouco enfrentados pelo mercado é reconhecer a natureza como parte da infraestrutura econômica.
“Solo, biodiversidade, água e estabilidade climática são infraestruturas produtivas invisíveis que sustentam cadeias inteiras. Quando essas bases se degradam, o risco aparece no balanço das empresas”, afirma.
Ele cita como exemplo o impacto da perda de polinizadores causada pelo uso intensivo de agroquímicos. A redução desses organismos pode diminuir a produtividade agrícola e afetar diretamente receitas e contratos de fornecimento. “Não é apenas um impacto ecológico. É um risco operacional e financeiro”, diz.
Tecnologia cruza dados ambientais e financeiros
Fundada em 2023 por cientistas, agrônomos e profissionais do mercado financeiro, a LandPrint desenvolveu uma plataforma que integra dados de satélite, análises de campo e bancos públicos de informações ambientais para mapear riscos em propriedades rurais e cadeias produtivas.

O sistema gera classificações e indicadores que podem ser usados por empresas, bancos e investidores para avaliar exposição a problemas ambientais, desde degradação do solo até escassez hídrica ou perda de biodiversidade. A ferramenta também permite mensurar impactos econômicos dessas variáveis e orientar decisões de crédito, seguros ou investimentos sustentáveis.
Na prática, a tecnologia analisa dezenas de indicadores ambientais ligados a práticas agrícolas, saúde do solo, gestão da água e resiliência produtiva, criando um “rating” ambiental das áreas monitoradas.
Expansão do mercado de dados ambientais
A startup afirma que, em três anos de atuação, já aplicou sua metodologia em 18 projetos que somam mais de 150 mil hectares monitorados. O uso de dados estruturados para avaliação ambiental também teria reduzido em até 90% os custos de verificação de conformidade socioambiental em cadeias produtivas.
A proposta da empresa se insere em um movimento global que tenta aproximar os mercados financeiros da chamada economia da natureza — modelo que busca mensurar e valorizar serviços ambientais como estoque de carbono, biodiversidade e conservação de água.
Para Cesano, o próximo passo será tornar a análise de riscos ambientais parte permanente da estratégia corporativa. “O mercado não precisa apenas de relatórios ambientais. Precisa de mensuração estruturada, análise de risco e integração da natureza na estratégia financeira. A natureza não é uma externalidade — é um ativo econômico” destacou.
Fonte: Texto Comunicação
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