Sustentabilidade será o foco de ações da Seag para os próximos anos

Foto: Divulgação/Seag

Texto: Julio Huber e Bruno Faustino

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Engenheiro agrônomo de carreira do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural (Incaper), Énio Bergoli, que já foi diretor-presidente do Instituto, além de ter sido o secretário de Agricultura do Espírito Santo que mais ficou no cargo – entre os anos de 2009 e 2014 -, assumiu novamente a Secretaria de Estado de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), no início de 2023.

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Em entrevista concedida à Revista Negócio Rural, Bergoli enfatizou a importância da sustentabilidade na agricultura, que será um tema foco das ações da Seag nos próximos anos. O secretário ainda falou sobre a mudança dos hábitos de consumo de produtos agrícolas e sobre o futuro do agro capixaba.

Revista Negócio Rural – O senhor reassumiu a Seag após nove anos. O que mudou daquela época para hoje? É uma nova fase da agricultura capixaba?

Enio Bergoli – O agro, seja o capixaba ou o nacional, é um setor que investe muito em ciência e tecnologia aplicada. Tanto que o país – e o Espírito Santo na esteira -, é temido no mundo não pelo potencial bélico, mas sim pela força do agro brasileiro que faz com que os países respeitem o Brasil. E às vezes, para protegerem seus cultivos, que não são tão competitivos como o nosso, criam um monte de barreiras. O agro brasileiro é responsável por alimentar os brasileiros e boa parte da população mundial com vários produtos.

Eu fui o secretário de agricultura que mais ficou no cargo, entre 2009 a 2014, e de lá para cá, já temos um novo patamar de ciência e tecnologia na agricultura. As tecnologias vão ficando obsoletas, e temos sempre que ficar avançando em busca de conhecimento, porque o que é gerado hoje, daqui a três ou quatro anos muda, e são desenvolvidas novas variedade e vários conhecimentos são gerados: esse é um ponto de mudança.

Outro ponto de mudança – sobretudo durante e após a pandemia da Covid-19 – é que o padrão de consumo, no Brasil e no mundo, se alterou muito. Já vinha dando alguns indicativos, mas com a pandemia já temos um novo rumo com relação à alimentação. Hoje, os consumidores não querem apenas um produto de boa aparência e de qualidade, querem um conceito por trás de um produto alimentar.

“No futuro não muito distante, o contexto da sustentabilidade vai significar a garantia do agricultor no mercado”

Obviamente esse produto precisa ter qualidade, e do ponto de vista tecnológico precisa ser produzido com custos baixos, mas, sobretudo precisa ter um conceito de sustentabilidade em todas as suas vertentes: ambiental, social e econômica. Não basta ter um produto de qualidade, é preciso ter esse conceito de respeito pela natureza, ao homem e ter o compromisso ético de continuar ofertando alimentos para várias gerações, e isso é sustentabilidade.

O cooperativismo pode contribuir para avançarmos nesse pensamento?

O cooperativismo é uma das principais estratégias, como é o caso do Espírito Santo, em que temos uma participação muito ativa da agricultura familiar. O cooperativismo une e dá escala, tanto para a aquisição de insumos quanto para vendas comuns. Individualmente, os agricultores familiares produzem bons cafés, por exemplo, mas os volumes são muito pequenos para dar escala comercial de competitividade de venda.

Nesses casos, temos o cooperativismo como uma grande ferramenta de inclusão social. E essa inclusão social também é pela renda, para essa categoria que predomina aqui no Espírito Santo. Segundo o último Censo Agropecuário, 77% dos estabelecimentos rurais capixabas são considerados familiares.

A visão de sustentabilidade e preservação é diferente de alguns anos atrás, quando o governo federal liberava áreas para desmatar e tratava do assunto de outra maneira?

Inovação, ciência e tecnologia serão os pilares para a sustentabilidade, que não deve ser tratada como uma bandeira ideológica ou uma retórica de discurso. Se faz a sustentabilidade também com ciência e tecnologia aplicada, e é isso que iremos focar. A integração de floresta com pastagem também é um exemplo de ação para avançar em uma a agricultura de baixo carbono.

“Temos o cooperativismo como uma grande ferramenta de inclusão social”

Hoje temos muito conhecimento, com importantes institutos como a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o Incaper (Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural) e universidades, que estão identificando e gerando conhecimento nessa área da sustentabilidade.

No Brasil, e no Espírito Santo em particular, não precisamos derrubar uma árvore para dobrar ou triplicar a nossa produção. Nós temos conhecimento que contribuem para uma produção de alimentos em pequenos espaços, sempre preservando e recuperando áreas.

A agricultura, quando produzida dentro desse contexto de sustentabilidade, vai gerar ativos para os produtores, e preservar uma base de produção. É um jogo de ganha-ganha. Não se trata mais de ideologia, mas de um conceito importante. Hoje, os agricultores que trabalham com esses conceitos, estão vendo diferenciais de preço, inclusive. No futuro não muito distante, o contexto da sustentabilidade vai significar a garantia do agricultor no mercado.

Como temos um grande contingente de agricultores familiares, que dependem de ações do poder público, nós estamos antenados com isso e construindo um novo planejamento de médio e longo prazo para a agricultura. Estamos estudando as cadeias produtivas e o tema transversal para os produtores de todas as culturas agrícolas vai ser a sustentabilidade.

Programas como o Caminhos do Campo ou outros semelhantes serão fortalecidos nos próximos quatro anos no Estado?

Primeiro é importante esclarecer que há uma hierarquia nas rodovias do país. Existem as federais, as estaduais e as municipais. Para dar apoio à manutenção das estradas que são de responsabilidade dos municípios, temos alguns projetos e programas importantes.

Um é o Caminhos do Campo, que é uma pavimentação, seja por asfalto ou blocos intertravados, em trechos de maior volume de fluxo de pessoas e rotas de agroturismo, que em algumas regiões são tão ou mais importantes do que as atividades rurais.

Outro tipo de apoio é a parceria com a ArcelorMittal Tubarão, que fornece o Revisol – um revestimento primário -, mas que dá uma boa condição de trafegabilidade. Foram ampliados alguns centros de distribuição regional do material, e estamos fazendo alguns ajustes nessa modelagem, para facilitar o acesso aos municípios mais distantes desses centros de distribuições.

Uma terceira frente de apoio aos municípios é o de calçamento rural. É um formato parecido com o Caminhos do Campo, mas a licitação e a condução da obra fica a cargo das prefeituras. O Governo do Estado fornece os blocos intertravados e a prefeitura usa mão de obra própria ou contrata uma empresa para executar a colocação dos blocos.

O setor agrícola do Estado está evoluindo e novas culturas estão sendo cultivadas, como soja, oliveira, lúpulo, entre outros. E o que podemos esperar na agricultura do Estado para os próximos anos?

Nesses vários anos que atuo no setor, tive a oportunidade de conversar sobre o agro não só no Estado, mas no Brasil e em vários países do mundo. Eu sempre falo que quem vier ao Brasil, e tiver pouco tempo para conhecer o agro brasileiro, é só visitar o Espírito Santo.

É um Estado pequeno, mas temos uma diversidade do quadro natural que é presente em todo o país. Temos regiões planas no Norte, com uma agricultura intensiva e mecanizada; temos a região de montanhas típicas; temos clima frio; temos clima quente; temos regiões que se assemelham com o Nordeste em termos de seca e regime de chuva e outras regiões que se aproximam da Amazônia, pelo tanto que chove, em alguns casos chove 2,5 mil milímetros em um ano.

Temos essa diversidade de ambientes naturais, que favorece uma diversidade na produção agrícola. É um Estado pequeno em dimensões geográficas, mas um gigante na produção agropecuária. Temos aqui um pouquinho de tudo que tem no Brasil. Em alguns setores teremos uma atenção, como a pecuária e a pesca, mas temos que continuar avançando nas culturas que se destacam no Espírito Santo e com a atenção nessas novas produções agrícolas.

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