Tecnologia simples e acessível para avaliação de carcaça bovina

Foto: Divulgação

Bruno Faustino

O Brasil é o segundo maior produtor e o maior exportador mundial de carne bovina. Entretanto, estima-se que apenas 15% dos animais enviados para abate apresentam carcaças que atingem o padrão de qualidade na indústria frigorífica. Pensando nisso, a Embrapa desenvolveu um dispositivo prático e de fácil acesso, em que o próprio produtor pode avaliar, de forma rápida e precisa, o acabamento dessa estrutura bovina destinada ao abate, que tem a espessura de sua gordura como uma das principais características relacionadas à qualidade da carne bovina.

A nova tecnologia é chamada de SagaBov (Sistema de Avaliação do Grau de Acabamento Bovino) e consiste em duas hastes articuladas que, ao serem encostadas da garupa formam um ângulo que indica se o animal está magro, com gordura adequada para o abate ou com excesso de gordura. Esse dispositivo foi baseado em outra régua desenvolvida também pela Embrapa para avaliar a condição corporal do rebanho, chamada Vetscore.

Não há no mercado nenhum instrumento similar para esse tipo de avaliação. Para o envio de animais para o abate, o produtor costuma fazer uma avaliação visual. Entretanto, ela é subjetiva e gera conflitos com os resultados recebidos do romaneio (documento emitido pelo frigorífico indicando o peso e valorização da carcaça, por exemplo). Outra opção é a ultrassonografia, a qual pouquíssimos produtores têm acesso, pois o custo é relativamente alto (cerca de R$ 15,00 por animal).

De acordo com o inventor do SagaBov, o pesquisador Luiz Pfeifer, a simplicidade e a eficiência da tecnologia fazem dela uma aliada tanto do pecuarista quanto da indústria frigorífica. “O uso dessa ferramenta pode beneficiar todos os elos da cadeia da carne. Com a avaliação e a seleção de animais adequados para o abate, a indústria terá aumento do rendimento de carcaça fria, o produtor, acesso aos programas de bonificação e o consumidor e maior qualidade de carne disponível no varejo”, explica.

Trata-se de um dispositivo útil para produtores de gado de corte que atuam em fase final de produção, ou seja, terminação de animais, assim como compradores de gado, confinadores e frigoríficos. A tecnologia está validada para ser utilizada em animais – machos castrados e fêmeas zebuínos, que representam 80% do rebanho nacional. Segundo o pesquisador, está em andamento a validação para machos inteiros e para animais da raça Angus.

Como fazer a avaliação do animal

Para avaliar a carcaça, o bovino deve ser contido e o dispositivo deve ser posicionado sobre a garupa, entre a última vértebra lombar e a primeira vértebra sacral, e ser lentamente fechado até que suas réguas estejam em maior contato possível com a pele do animal.

Após esses procedimentos, a leitura do grau de acabamento é indicada por cores no visor: vermelha, que significa grau de acabamento inadequado e corresponde a carcaças com gordura ausente e escassa; verde, que sinaliza carcaças com grau adequado de acabamento (gordura mediana e uniforme); e amarela, que indica um grau de acabamento excessivo, ou seja, carcaças com excesso de gordura.

A utilização da escala por cores facilita a avaliação imediata, o que dá praticidade e rapidez ao processo, principalmente, quando há muitos animais no rebanho. Aqueles classificados com grau de acabamento adequado darão tanto um maior rendimento de carcaça, quanto de qualidade e podem garantir ao produtor melhor bonificação pela maior qualidade de carcaça entregue à indústria frigorífica.

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