Transporte de mercadorias volumosas é prejudicado por falta de pneus

Transportadores brasileiros defendem a extensão da alíquota zero do imposto de importação para o pneu 275/70 R 22,5, cada vez mais difícil de ser encontrado no Brasil, e que teve reajuste de até 72% no último ano.

Fabricantes de reboques e semirreboques e transportadores autônomos de Santa Catarina iniciaram um movimento com as entidades representativas do setor para reivindicar a inclusão dos pneus 275/70 R 22,5 na alíquota zero de imposto de importação.

Um decreto editado em janeiro deste ano pelo presidente Jair Bolsonaro zerou o imposto de importação para várias medidas de pneus de carga, mas deixou de fora o 275/70 R 22,5, que é muito utilizado pelos caminhões baú no transporte de mercadorias volumosas.

De acordo com representantes dos transportadores, a indústria pneumática nacional está priorizando a fabricação de outras medidas com maior demanda. Por outro lado, o custo para a importação de pneu está elevadíssimo em função da disparada do frete internacional, tarifas protecionistas, além dos 16% do imposto de importação.

O presidente da Cooperativa de Transportadores Autônomos de Joinville (Coopercargo), Geison Debatim, explica que está cada vez mais difícil encontrar esta medida de pneu no mercado. Segundo ele, só na Coopercargo, que reúne 575 cooperados com 970 carretas, aproximadamente 40 delas estão paradas por falta de pneu de reposição.

“Esse pneu custava aproximadamente R$ 1,3 mil no início da pandemia e passou para R$ 2,3 mil atualmente. A alta de 72% compromete a margem de lucro do caminhoneiro, que não consegue repassar todo esse aumento para o preço do frete. Além do preço absurdo, o produto está em falta no mercado”.

Debatim explica que o pneu representa cerca de 17% do custo do transporte. Segundo ele, seria necessário aumentar o frete em pelo menos 12% só para compensar a disparada do preço do pneu, “sem contar o diesel que subiu 14,8%”.

“A extensão da alíquota zero para o pneu 275/70 R 22,5 seria uma forma de compensar a disparada do preço do pneu e reabastecer o mercado com importados, até que a indústria nacional possa se reestruturar”, disse.

Na empresa instalada em Joinville/SC, Palmeira Implementos – fabricante de reboques e semirreboques – cerca de 70% das carretas fabricadas saem com esse pneu 275/70. Segundo o coordenador de vendas da empresa, Dan Christopher Wegener, a indústria nacional de pneus não está conseguindo atender este seguimento, atrapalhando inclusive a linha de montagem das carretas que são comercializadas com essa medida de pneu.

“Acredito que essa baixa de imposto traria um benefício muito grande nesse momento de demanda elevada e falta do produto. Seria um novo nicho de mercado com os pneus importados aumentando a competitividade com o nacional, ajudaria a controlar preços e regularizar o abastecimento”, disse Wegener.

CARACTERÍSTICAS – Por ser 10 cm mais baixo que outros pneus, o 275/70 permite um ganho dessa diferença na altura do compartimento de carga até atingir o limite de 4,4m. Devido a esta característica, é muito utilizado em cargas leves, mas que ocupam muito espaço, como eletrodomésticos, eletroportáteis, calçados ou isopor, normalmente transportadas em caminhões baú. Mas também por ser mais baixo, com menor diâmetro, esse pneu acaba girando mais do que o pneu do caminhão fazendo com que o desgaste seja maior e permita menos recape.

Fonte: CMM Comunicação

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