Ufes desenvolve emulsão inovadora com óleos essenciais que pode revolucionar o combate à mastite bovina
Foto: Freepik

Uma pesquisa desenvolvida na Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) pode abrir um novo caminho no controle da mastite bovina — uma das doenças que mais geram prejuízos à pecuária leiteira. Cientistas criaram uma emulsão inovadora à base de óleos essenciais de orégano e tomilho, com potencial para tratar e prevenir a inflamação da glândula mamária das vacas, reduzindo o uso de antimicrobianos convencionais e seus impactos ambientais.
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A formulação foi desenvolvida nos programas de pós-graduação em Ciências Farmacêuticas e Ciências Veterinárias da universidade, integrando conhecimentos das áreas de saúde animal e microbiologia aplicada. O produto utiliza poloxâmero, um polímero amplamente empregado nas indústrias farmacêutica e cosmética, associado aos óleos essenciais que atuam como agentes antimicrobianos naturais. Segundo as pesquisadoras responsáveis, essa combinação representa uma alternativa promissora frente aos tratamentos tradicionais, que podem contribuir para o aumento da resistência bacteriana — um desafio reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Além dos impactos econômicos nas propriedades rurais, a mastite bovina também levanta preocupações de saúde pública. A presença da bactéria Staphylococcus aureus em leite contaminado pode provocar infecções gastrointestinais em humanos, reforçando a necessidade de soluções alinhadas ao conceito de Saúde Única, que integra saúde humana, animal e ambiental. A proposta desenvolvida na Ufes busca justamente reduzir esse risco, trazendo uma abordagem mais sustentável para o setor leiteiro e alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da ONU.
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O avanço científico, resultado da dissertação de mestrado da pesquisadora Nayhara Guimarães sob orientação das professoras Janaina Villanova e Juliana Resende, também ganhou reconhecimento nacional. A emulsão conquistou o primeiro lugar no Prêmio Pio Corrêa de Inovação em Ciências Farmacêuticas com a Biodiversidade Brasileira, promovido pela Academia de Ciências Farmacêuticas do Brasil. O trabalho destacou o uso da biodiversidade brasileira para o desenvolvimento de bioinsumos com aplicação prática e impacto social.
A inovação ainda impulsionou a criação da startup WEcoPharms, formada pelas pesquisadoras envolvidas no projeto, com foco no desenvolvimento de produtos multifuncionais para uso veterinário e humano, baseados em polímeros e bioinsumos. A iniciativa reforça o papel da Ufes na geração de pesquisas aplicadas capazes de transformar conhecimento científico em soluções concretas para o mercado e para a sociedade.
A pesquisa recebeu apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), consolidando o esforço conjunto entre ciência, inovação e sustentabilidade no desenvolvimento de novas tecnologias para a agropecuária.
Fonte: Ufes
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