Nova variedade de arroz com alta qualidade de grãos será lançada na Tecnoshow

Foto: Freepik

A Embrapa escolheu a maior feira agrícola do Centro-Oeste, a Tecnoshow Comigo, como palco para apresentar sua mais nova cultivar de arroz de Terras Altas: a BRS A503. O lançamento está marcado para quarta-feira (09), às 9h, no auditório 2 do parque de exposições. A abertura será conduzida por Elcio Guimarães, chefe-geral do centro nacional de pesquisa de arroz e feijão, com participação de pesquisadores, gestores da Embrapa, representantes das sementeiras parceiras (Sementes Cabeça Branca, Marambaia Sementes e Suprema Sementes) e membros da indústria do arroz em Goiás.

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A BRS A503 representa um salto de qualidade no cultivo do arroz de sequeiro, reunindo atributos agronômicos de destaque como porte ideal, resistência ao acamamento (stay green), robustez, alta performance para culturas subsequentes e, principalmente, qualidade de grãos superior às variedades atualmente disponíveis no mercado. Com potencial para beneficiar todos os elos da cadeia produtiva, o evento contará com a presença de autoridades públicas, representantes do Senar, consultores, produtores rurais e integrantes da Comigo, anfitriã da feira.

Durante o lançamento, serão exibidos dois vídeos institucionais que abordam os aspectos técnicos e de mercado da nova cultivar, com depoimentos de pesquisadores e analistas da Embrapa, além de representantes da indústria arrozeira de Goiás. Os sementeiros parceiros também participarão com falas presenciais e distribuirão amostras da BRS A503 aos participantes.

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Essa nova cultivar chega em um momento oportuno e promissor para o setor, com crescente interesse pelo cultivo de arroz em áreas irrigadas por pivô central. Segundo Rodrigo Sérgio, analista da Embrapa Arroz e Feijão, embora não existam dados precisos que distingam entre arroz irrigado por aspersão e de sequeiro, estima-se que cerca de 60 mil hectares estejam ocupados com arroz irrigado nos estados de Goiás, Minas Gerais, Bahia, Mato Grosso e São Paulo. “Considerando os 2,2 milhões de hectares de área com pivô central no Brasil, se 10% disso for destinado ao arroz, poderíamos alcançar mais de 200 mil hectares”, aponta o analista.

Um diferencial da BRS A503 tem sido o impacto positivo nas culturas subsequentes, surpreendendo produtores experientes. Até pouco tempo, o arroz era visto apenas como uma alternativa para recuperação de pastagens. Agora, evidências mostram que feijão, soja e outras culturas apresentam melhor produtividade quando sucedem o arroz na lavoura, especialmente graças à palhada deixada por ele.

Produtores de alho e cebola também relataram benefícios. Doenças que antes afetavam o alho desapareceram com o uso da palhada do arroz como cobertura. “Essas observações ainda estão em fase de validação, mas os resultados iniciais são animadores”, afirma Rodrigo. A palha do arroz contribui para a estrutura do solo, condição essencial para culturas sensíveis como alho e cebola, e sua presença tem sido uma alternativa econômica à braquiária, que antes era usada para esse fim, mas sem retorno financeiro.

No caso do tomate, os ganhos foram ainda mais expressivos: a economia de água chegou a 60–70% graças ao efeito de mulching proporcionado pela palhada, e houve aumento de até 40% na produtividade, além de um salto de 12% no Brix – medida que indica a concentração de açúcares no fruto.

Outras culturas como cenoura, batata e até mesmo o algodão também têm mostrado bons resultados com o arroz na rotação. Em regiões como o entorno do Distrito Federal e Paraúna (GO), produtores estão aproveitando a palhada do arroz para produzir silagem e feno, sem comprometer a cobertura do solo. “A densidade da matéria residual é tão boa que permite múltiplos usos”, explica Rodrigo.

Além disso, o Brasil se destaca por sua capacidade de realizar múltiplos ciclos produtivos ao longo do ano – algo incomum em outras partes do mundo. Em áreas irrigadas por pivô central, já se observam até quatro ciclos produtivos, incluindo o uso da palhada após a colheita para produção de feno ou silagem. Há relatos impressionantes de propriedades que, em apenas 11 meses, conseguiram produzir 132 sacas de arroz, 77 de milho e 94 de soja ou feijão – mais de 300 sacas de grãos em um único ano. “Não há outro lugar no mundo com essa intensidade produtiva”, conclui Rodrigo Sérgio.

Fonte: EmbrapaNova variedade de arroz com alta qualidade de grãos será lançada na Tecnoshow

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