Mero vira símbolo oficial em Conceição da Barra e fortalece agenda ambiental no Norte do ES

Foto: Acervo do Projeto Meros do Brasil

O que acontece quando ciência, identidade local e política pública caminham na mesma direção? Conceição da Barra decidiu responder na prática. Nesta quinta-feira (5), o município consolida um movimento que transforma o mero em protagonista de uma nova etapa da agenda ambiental capixaba.

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A programação marca dois momentos estratégicos. Às 16 horas, será inaugurada a Sala de Cultura Oceânica Meros, no polo da Universidade Aberta do Brasil. À noite, às 19 horas, a Câmara Municipal vota o projeto de lei que reconhece o mero como peixe símbolo e patrimônio natural do município — um reconhecimento que vai além do simbolismo e reforça compromissos institucionais com a conservação marinha.

O peixe, cientificamente conhecido como Epinephelus itajara, pode atingir até 2,5 metros de comprimento e pesar cerca de 400 quilos. No Brasil, a espécie está classificada como criticamente ameaçada de extinção. Ainda assim, a região de Conceição da Barra abriga o maior berçário de meros do país, condição que coloca o município no centro das estratégias nacionais de preservação.

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O reconhecimento é resultado direto do trabalho do projeto Meros do Brasil, desenvolvido pela Universidade Federal do Espírito Santo no Centro Universitário Norte do Espírito Santo (Ceunes). Desde 2008, o grupo atua em rede com universidades e instituições de pesquisa no Brasil e no exterior, integrando a Rede de Conservação dos Meros do Atlântico.

Mais do que pesquisa acadêmica, a atuação envolve educação ambiental, mobilização comunitária e produção de dados científicos fundamentais para políticas públicas. Desde 2014, mais de 300 meros juvenis já foram identificados na região. Os estudos são conduzidos de forma não letal, com apoio de pescadores locais, analisando genética, deslocamento, alimentação e condições ambientais.

A articulação entre universidade, município e Instituto Meros do Brasil demonstra um modelo de governança ambiental baseado em conhecimento técnico e participação social. Em vez de apenas reagir à ameaça de extinção, Conceição da Barra optou por transformar o mero em ativo ambiental, cultural e estratégico.

Ao oficializar o peixe como símbolo municipal e criar um espaço permanente de educação oceânica, o município sinaliza que conservação pode ser política pública estruturada — e também identidade territorial.

Em um cenário global de pressão sobre os oceanos, Conceição da Barra escolhe se posicionar como território de proteção e referência em biodiversidade marinha.

Fonte: Ufes

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