Farinheira comunitária fortalece tradição quilombola no Norte do Espírito Santo

Fotos: Divulgação

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A produção de farinha de mandioca, prática transmitida de geração em geração entre famílias quilombolas do Norte do Espírito Santo, ganhou um novo impulso na comunidade São Jorge, no município de São Mateus. A inauguração de uma farinheira comunitária promete ampliar a produção, facilitar o trabalho dos agricultores e fortalecer a renda das famílias da região.

A estrutura foi construída pela Associação Quilombola da Comunidade São Jorge em parceria com a empresa Suzano, a Fundação Marcopolo e o Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (FUNSAF). A inauguração reuniu moradores da região do Sapê do Norte, autoridades e representantes das instituições envolvidas, além de contar com atrações culturais e feira gastronômica e de artesanato.

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Com cerca de 70 metros quadrados de área construída, a farinheira possui espaço destinado ao processamento da mandioca, área de secagem, banheiros e poço artesiano. O local também foi equipado com ralador, prensa, forno e outros equipamentos utilizados na produção de farinha e beiju. A estrutura foi planejada com conceito sustentável, com destinação adequada para os resíduos gerados durante o processo.

Moradores da própria comunidade passaram por treinamento técnico e serão responsáveis pelo funcionamento da unidade, seguindo procedimentos de higiene e segurança.

“A produção de farinha e beiju é tradicional na comunidade, uma cultura mantida há gerações. A farinheira é fundamental para fazer o processamento da mandioca em uma escala comercial, o que vai auxiliar muito no aumento da renda das famílias. Estamos muito felizes com essa conquista”, afirma a presidente da associação, Darcilene Valentin dos Santos.

Parceira da comunidade há vários anos, a empresa Suzano participou das etapas de viabilização da farinheira. A empresa custeou a perfuração de um poço artesiano, considerado essencial para o início da obra, e também contribuiu com assistência técnica para inscrição do projeto no FUNSAF, do Governo do Estado, além de repasse financeiro para a construção.

“A Suzano busca um diálogo aberto para fortalecer o relacionamento com as comunidades da região, que são vizinhas das nossas operações, e construir, de forma participativa, soluções para geração de trabalho e renda”, ressalta o consultor de Relacionamento Social da Suzano, Narcisio Luiz Loss.

Quilombolas comemoram investimento

Para os moradores, a nova estrutura representa não apenas melhoria nas condições de trabalho, mas também a preservação de uma tradição cultural. A agricultora Audelita Batista de Oliveira, de 46 anos, conta que trabalha com o cultivo de mandioca desde a infância.

“Na minha família, todos são envolvidos na produção de mandioca, desde a plantação até a colheita e beneficiamento. A gente sempre trabalhou de forma bem artesanal, na nossa pequena farinheira familiar. Mas agora, o trabalho manual árduo será facilitado com a nova farinheira, que vai mecanizar o processo e facilitar a tarefa de produção de farinha e beiju”, afirma.

A professora aposentada Ana Antônia de Jesus, de 70 anos, também celebra a conquista da comunidade. “Morei a vida inteira nessa comunidade, aprendi com meus pais o trabalho na roça e precisei trabalhar fora para ajudar no sustento, porque o trabalho sempre foi muito pesado. Agora estamos realizando um sonho antigo, e estou muito contente em ver a farinheira comunitária finalmente pronta. Isso vai ajudar todas as famílias do entorno a elevar a renda e, principalmente, resgatar a tradição quilombola”, diz.

PRESENÇAS – O evento contou com a presença do presidente da Comissão de Soluções Fundiárias da Secretaria de Estado de Direitos Humanos, Renato Pazito; da vice-prefeita de São Mateus, Raquel Rocha; da secretária de gabinete da prefeitura de São Mateus, Tâmara Chaves de Oliveira Costa; da deputada federal Jaqueline Rocha; do representante do Incaper, Rafael Jordano Biasi de Abreu; dos representantes da Marcopolo, Tairone da Conceição e Carolaine Cardoso; da Suzano, Narciso Loss, Gabriela Frinhani Nico e Daiane dos Santos; e do consultor em gestão de empreendimento de base comunitária, Ildeu Linhares.

A COMUNIDADE – Localizada na região do Sapê do Norte, na área rural de São Mateus, a comunidade São Jorge é formada por descendentes de quilombolas. O nome surgiu na década de 1950, após a chegada de uma imagem de São Jorge trazida de Vitória por Manoel Pinheiro, conhecido como Duda.

Reconhecida pela Fundação Cultural Palmares desde 31 de agosto de 2005, a comunidade reúne atualmente 92 famílias. Com foco na organização coletiva e no desenvolvimento local, foi criada em 5 de fevereiro de 2006 a Associação Quilombola de São Jorge, que conta hoje com 87 associados.

Fonte: P6 Comunicação

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