Mestre Tagibe mantém viva a tradição do congo em Roda D’Água
Foto: Claudio Postay

A história do congo em Roda D’Água, em Cariacica, ganha vida na trajetória de Itagiba Cardoso Ferreira, o Mestre Tagibe. Aos 77 anos, ele segue como uma das principais referências da cultura popular capixaba, mantendo viva uma tradição que começou ainda na adolescência, sob a influência direta do pai, o lendário mestre Gabiroba.
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O primeiro contato com o congo veio cedo, aos 14 anos, quando começou a tocar tambor. Na época, o sonho era outro. “Eu queria jogar futebol, mas meu pai insistia para que eu fosse congueiro. No fim, ele conseguiu. Acabei me tornando mestre e me apaixonei pela cultura”, relembra. Desde então, nunca mais se afastou do ritmo que se tornaria parte essencial de sua identidade.
Durante 57 anos, Tagibe integrou a Banda de Congo de Santa Izabel, fundada por seu pai, assumindo a liderança ainda jovem, aos 23 anos. Mais do que música, o congo representou também uma escola de vida. “Naquele tempo quase não havia acesso à educação. O congo ajudou a ensinar, a formar. Muito do que aprendemos veio dali e dos ensinamentos do meu pai”, conta.
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Depois da morte de Gabiroba, Tagibe decidiu tirar do papel um antigo desejo da família: criar uma banda própria. Em 2007, nasceu a Banda Mestre Tagibe, hoje formada por 27 integrantes entre familiares, amigos e admiradores da cultura. “Dediquei minha vida a isso e faço questão de passar esse amor adiante. Hoje temos mais apoio, com editais que ajudam a manter a tradição”, destaca.
NOVAS GERAÇÕES – O compromisso com o futuro do congo também passa pelas crianças. A banda mirim, coordenada por Alcemi, filho de Tagibe, reúne jovens da comunidade e familiares em torno da cultura. “A ideia surgiu para garantir continuidade. Eu cresci dentro do congo, acompanhando meu avô e meu pai. Agora é a vez deles viverem isso”, explica.
Essa força cultural ganha ainda mais visibilidade durante o Carnaval de Congo de Máscaras de Roda D’Água, uma das principais manifestações do calendário local. O evento reúne bandas de várias regiões do Espírito Santo em um grande encontro marcado por cortejos, música e religiosidade.
A programação acontece ao longo do dia, com início pela manhã e encerramento no fim da tarde, no Campo do América. Entre os destaques estão a celebração congueira, apresentações musicais e o tradicional encontro de bandas, que transforma a comunidade em um palco vivo da cultura capixaba.
Mais do que uma festa, o evento reafirma o congo como patrimônio cultural e mostra que, graças a mestres como Tagibe, essa tradição segue pulsando forte — atravessando gerações e resistindo ao tempo.
Fonte: PMC
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