Santa Teresa leva biodiversidade capixaba ao maior desafio de ciência cidadã do mundo
Foto: Ângelo Herzog

Entre os dias 24 e 27 de abril de 2026, o município de Santa Teresa, nas montanhas do Espírito Santo, estará no centro de uma mobilização global voltada à biodiversidade urbana. A cidade participa do Desafio da Natureza Urbana (City Nature Challenge), considerado o maior evento de ciência cidadã do mundo, que chega à sua 11ª edição com mais de 780 cidades envolvidas. No Brasil, são 18 participantes, e Santa Teresa, ao lado da Grande Vitória, representa o estado capixaba.
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A proposta do Desafio é simples e inclusiva: incentivar pessoas de todas as idades a observar e registrar a biodiversidade presente no ambiente urbano, por meio de fotos e gravações de sons. Esses registros são compartilhados no aplicativo gratuito iNaturalist, onde também é possível aprender mais sobre as espécies identificadas. A natureza pode ser encontrada em qualquer lugar — dentro de casa, no quintal, na rua ou em áreas naturais próximas.
“Vale registrar planta, animal, fungo, bolor ou até mesmo vestígios de vida, como fezes, pegadas, penas ou conchas”, explica a pesquisadora Mariane Kaizer, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA), instituição que coordena a ação em Santa Teresa, realizada este ano em parceria com o IFES. “Registros de cães e gatos, bem como de plantas em vasos, por exemplo, não são contabilizados no Desafio. Animais em cativeiro, como animais de zoológico, também não entram na contagem”, completa a pesquisadora.
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O evento surgiu a partir de uma competição amigável entre as cidades de Los Angeles e São Francisco, organizada por equipes de ciência cidadã do Museu de História Natural do Condado de Los Angeles (NHM) e da Academia de Ciências da Califórnia (CAS). Desde então, ganhou escala global, reunindo milhares de participantes em torno do conhecimento e da preservação da natureza nas cidades.
Em 2025, o Desafio contou com a participação de 102.945 cidadãos cientistas, que realizaram mais de 3,3 milhões de observações em 669 cidades de 62 países. Desde 2016, já são mais de 10 milhões de registros sobre biodiversidade urbana, envolvendo mais de 364 mil pessoas. “Os dados obtidos com os Desafios fornecem informações valiosas que auxiliam pesquisadores, conservacionistas e tomadores de decisão na gestão e proteção de recursos naturais e da biodiversidade”, destaca Mariane.
Santa Teresa, inclusive, já se destacou no cenário nacional. O município figurou entre as cinco cidades brasileiras com maior número de registros no desafio. Ao todo, 101 participantes locais contribuíram com 9.159 registros de plantas, animais e fungos, identificando 1.880 espécies diferentes. “Os números reforçam o protagonismo do município na produção de conhecimento sobre a biodiversidade da Mata Atlântica e evidenciam o potencial da ciência cidadã como ferramenta de mobilização social e educação ambiental”, destaca a pesquisadora Samara Querubim.
Participação aberta a todos
A participação é acessível e aberta ao público em geral. Basta utilizar o celular para registrar a natureza e compartilhar os dados pelo aplicativo. Durante o período do desafio, qualquer pessoa pode fotografar ou gravar sons em quintais, jardins, ruas, parques e trilhas da cidade.
“O Desafio computa apenas os registros realizados entre 24 e 27 de abril, mas a contribuição de todos é muito bem-vinda em qualquer época do ano”, enfatiza o pesquisador Guilherme Sanches.
“Para participar, basta baixar o aplicativo iNaturalist no celular e sair por aí fotografando animais, plantas e fungos, ou gravando sons, por exemplo, de aves, grilos e sapos”, incentiva a pesquisadora Nara Mota. “Também é bacana porque podemos aprender mais sobre as espécies com as quais convivemos, já que especialistas irão identificar e interagir com nossos registros”.
Após o período de coleta, as espécies registradas serão identificadas pela comunidade online entre os dias 28 de abril e 9 de maio, com divulgação dos resultados globais prevista para o dia 10 de maio. Os participantes também podem colaborar identificando registros feitos por outras pessoas.
“Os projetos Borboletas Capixabas e Cantoria de Quintal, do Programa de Ciência Cidadã do INMA, contam com os registros do iNaturalist para o monitoramento das espécies da Mata Atlântica e, assim, construímos juntos o conhecimento científico”, explica Laura Braga, pesquisadora do INMA.
COMO PARTICIPAR
- Baixe o aplicativo gratuito iNaturalist (disponível para Android e iOS);
- Entre os dias 24 a 27 de abril, observe qualquer planta, fungo, animal ou vestígios de vida silvestre (pegadas, sons, conchas, etc) que encontrar;
- Tire uma foto ou grave o som e envie pelo app, marcando o local da observação e se a espécie é cultivada, se for o caso.
Fonte: INMA
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