Rastreabilidade na produção agrícola amplia controle do campo até a mesa do consumidor
Foto: Freepik

A busca por alimentos mais seguros e pela transparência na cadeia de produção tem impulsionado a adoção da rastreabilidade na agricultura brasileira. Antes vista como uma exigência de grandes redes varejistas e do mercado internacional, a prática vem se tornando cada vez mais presente nas propriedades rurais e ajuda produtores a comprovar a origem dos alimentos, facilitar fiscalizações e fortalecer a confiança do consumidor.
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Na prática, a rastreabilidade consiste no registro de todas as etapas percorridas por um produto, desde o plantio até a chegada aos supermercados, feiras e demais pontos de venda. O sistema permite identificar a origem de cada lote e reunir informações sobre o processo produtivo, tornando possível acompanhar o histórico completo daquele alimento.
Como funciona a rastreabilidade no campo?
O processo começa ainda na propriedade rural. Durante o cultivo, são registrados dados como a origem das sementes ou mudas, os fertilizantes e defensivos utilizados, as práticas de manejo adotadas, além das datas de plantio e colheita. Essas informações acompanham o produto durante todas as etapas seguintes, incluindo armazenamento, processamento, embalagem, transporte e distribuição.
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Cada lote recebe uma identificação própria, normalmente por meio de códigos de barras, sequências alfanuméricas ou QR Codes. Com essas informações, é possível localizar rapidamente a origem de um produto e verificar todo o seu histórico de produção.
Em muitos casos, o próprio consumidor consegue acessar parte desses dados utilizando o celular para ler o QR Code disponível na embalagem. Dependendo do sistema adotado, é possível consultar informações sobre a procedência do alimento, o produtor responsável e até detalhes sobre a produção.
A rastreabilidade também desempenha um papel importante em casos de irregularidades. Se análises identificarem resíduos acima dos limites permitidos ou qualquer problema relacionado à qualidade do alimento, o código de identificação permite localizar rapidamente o lote envolvido e identificar em qual etapa da cadeia ocorreu a falha, reduzindo os impactos e facilitando a adoção de medidas corretivas.
Exigência legal e ferramenta de gestão
No Brasil, a rastreabilidade de produtos vegetais frescos destinados ao consumo humano é regulamentada pela Instrução Normativa Conjunta nº 2, de 2018, publicada pelo Ministério da Agricultura e pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A norma determina que os participantes da cadeia produtiva mantenham registros que permitam identificar a origem dos produtos e acompanhar sua movimentação.
Para atender a essas exigências, produtores, distribuidores e comerciantes precisam manter informações organizadas e disponíveis sempre que houver necessidade de fiscalização ou investigação de algum problema relacionado aos alimentos.
Além de atender à legislação, a rastreabilidade também passou a ser utilizada como uma ferramenta de gestão. O controle detalhado das informações ajuda o produtor a acompanhar o histórico da produção, identificar possíveis falhas nos processos e tomar decisões com base em dados registrados ao longo das safras.
Outro benefício é o fortalecimento da confiança do mercado. Consumidores, indústrias e redes varejistas têm valorizado cada vez mais alimentos cuja origem pode ser comprovada, tornando a rastreabilidade um diferencial competitivo para propriedades que buscam acessar mercados mais exigentes e agregar valor à produção.
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